Pouso forçado helicóptero H160 veio após vibração intensa relatada pela tripulação

Jota

9 de janeiro de 2026

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Pouso forçado helicóptero H160 entrou no radar da aviação offshore após um voo realizado no dia 2 de janeiro, no litoral do Rio de Janeiro. Durante a etapa de voo de cruzeiro, a tripulação percebeu vibração intensa fora do padrão esperado, o que levou à decisão de realizar um pouso controlado no mar, como medida preventiva.

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A própria operadora, a Omni Táxi Aéreo, confirmou que a aeronave saiu do Aeroporto de Cabo Frio e realizou um pouso na água por volta das 10h50, apenas 20 minutos após decolarem com destino a plataforma no mar, além disso, os ocupantes saíram da aeronave com segurança, com apoio dos equipamentos de sobrevivência disponíveis

Após o pouso controlado no mar, o sistema de flutuação de emergência foi acionado, conforme previsto no projeto. Em seguida, os ocupantes deixaram o helicóptero e seguiram para botes salva-vidas, segundo a Airbus Helicopters.

Do lado brasileiro, publicações especializadas relataram apoio de meios da Marinha do Brasil no resgate. Nesse contexto, as informações indicam o emprego de helicóptero e equipe SAR, com içamento por guincho, até a retirada de todos os ocupantes com segurança.

Com a aeronave recuperada, as equipes passaram a observar danos em áreas críticas. De acordo com comunicações de segurança que repercutiram no setor, a inspeção inicial identificou danos no rotor principal e também na linha de transmissão do rotor de cauda.

Entre os pontos citados, apareceu a ruptura de um componente ligado ao controle do rotor principal, além de referência a um amortecedor de oscilação do tipo lead lag associado à mesma pá. No entanto, a Airbus Helicopters reforçou que a causa do evento ainda não está determinada, e a investigação oficial segue em andamento.

Poucos dias após o evento, a Airbus Helicopters divulgou que emitiu um Emergency Alert Service Bulletin (EASB) como medida preventiva. A empresa destacou que tomou a decisão sem antecipar a conclusão da investigação, e que trabalha em coordenação com a Agência Europeia para a Segurança da Aviação – EASA -, que também publicou uma diretriz emergencial.

Além disso, a Airbus afirmou que, até aquele momento, não havia evidência que apontasse falha ou descumprimento de procedimentos de manutenção como causa confirmada. Ainda assim, a fabricante orientou atenção reforçada a itens específicos de inspeção e manutenção, enquanto a apuração avança.

A parte mais objetiva do caso, por enquanto, está no texto regulatório. A EASA publicou a Emergency Airworthiness Directive 2026-0001-E, aplicável ao H160-B, com foco em rolamentos das extremidades das hastes de passo do rotor principal.

Segundo a diretriz, operadores precisam substituir os rolamentos superiores e inferiores conforme o critério de horas definido no documento. Além disso, a EASA vinculou a conformidade às instruções do Emergency Alert Service Bulletin – EASB -, da Airbus Helicopters, aceitando revisões aprovadas posteriormente.

Um detalhe importante também apareceu na própria publicação: a EASA republicou a diretriz para corrigir designações relacionadas ao rolamento afetado. Portanto, quem acompanha o tema tende a olhar sempre a versão mais recente do texto publicado.

Em helicópteros, vibração fora do padrão costuma indicar mudança relevante no comportamento dinâmico do conjunto. Por isso, quando a tripulação relata vibração significativa em voo de cruzeiro, ela aciona um sinal de alerta operacional que exige decisão rápida e conservadora.

Ainda assim, vibração não define causa sozinha. Ela funciona como sintoma, e a investigação precisa cruzar dados de voo, inspeção física e histórico de manutenção. Desse modo, o relatório final é quem estabelece o encadeamento técnico, sem atalhos.

Depois da recuperação do helicóptero, as autoridades recolheram gravadores para análise, conforme relatos do setor. Em seguida, a investigação costuma extrair parâmetros de voo e eventos registrados, além de sincronizar informações com o que ocorreu na cabine.

Ao mesmo tempo, análises metalúrgicas de componentes fraturados podem indicar padrões compatíveis com fadiga, sobrecarga ou outro mecanismo. No entanto, esse tipo de conclusão depende de laudo completo e validação oficial, o que ainda não foi publicado até aqui.

O impacto prático para operadores e manutenção

Mesmo sem conclusão final, a diretriz emergencial já cria impacto direto na frota. Na prática, operadores precisam verificar horas acumuladas e rastreabilidade de peças, e então programar substituições para manter a aeronavegabilidade.

Além disso, a pauta mexe com planejamento de disponibilidade em um segmento que depende de janela operacional, escala e logística de manutenção. Por isso, a decisão regulatória tende a influenciar o curto prazo, especialmente em operações offshore que exigem previsibilidade.

O que acompanhar nas próximas atualizações

Daqui para frente, o setor deve observar três frentes. Primeiro, novas informações oficiais do CENIPA, quando publicadas, porque elas consolidam fatos com método investigativo. Segundo, atualizações de boletins e diretrizes, caso autoridades ajustem requisitos.

Por fim, qualquer comunicado adicional de fabricante e operadora ajuda a esclarecer medidas de mitigação, sem substituir a investigação. Enquanto isso, o pouso forçado helicóptero H160 no mar permanece como caso relevante porque combina decisão em voo, resposta regulatória rápida e atenção global ao modelo.