American Airlines estima prejuízo de até US$ 200 milhões após nevasca nos EUA no primeiro trimestre

Jota

29 de janeiro de 2026

O prejuízo da American Airlines com a nevasca nos EUA pode chegar a US$ 200 milhões no primeiro trimestre, segundo a estimativa divulgada pela companhia. Com milhares de cancelamentos no período, o impacto entrou no guidance – que é a projeção oficial de resultados que a empresa divulga ao mercado -, como o impacto foi incluído nas projeções financeiras do primeiro trimestre, refletindo os milhares de cancelamentos e a pressão operacional causada pela nevasca.

Isso ocorreu porque a empresa classificou o episódio como a maior disrupção climática de sua história. Segundo a companhia, a tempestade de inverno Fern deve reduzir a receita em US$ 150 milhões a US$ 200 milhões no trimestre.

A American afirma que já enfrentou mais de 9.000 cancelamentos ligados ao evento. Com isso, a empresa reduziu a capacidade planejada do 1º trimestre em cerca de 1,5 ponto percentual. Ao mesmo tempo, a companhia incorpora pressão de custo unitário. Ao mesmo tempo, a companhia projeta alta aproximada de 1,5 ponto no CASM-ex, que é o custo por assento-milha disponível excluindo combustível e itens não recorrentes.

American Airlines estima prejuízo de até US$ 200 milhões após nevasca nos EUA_Imagem ilustrativa

A tempestade atingiu mais de duas dezenas de estados. Por causa disso, a malha sofreu pressão em aeroportos com grande dependência da American. Nesse recorte, Dallas Fort Worth (DFW) e Charlotte aparecem como destaques.

O impacto também se espalhou por terminais estratégicos no Nordeste. Entre eles, estão LaGuardia, Reagan National e Boston Logan. Assim, esses aeroportos registraram cancelamentos relevantes no período.

Dados citados pela Reuters indicaram que, na terça-feira, os cancelamentos de voos nos EUA chegaram a 7,07%. Dentro desse cenário, a American respondeu pela maior parcela das suspensões naquele recorte. O CFO (Diretor Financeiro), Devon May afirmou que a estimativa financeira ainda é preliminar. Segundo ele, a projeção pode mudar quando a operação estabilizar.

A leitura do mercado piorou com o volume de voos derrubados ao longo de vários dias. Dessa forma, cresceu a percepção de fragilidade operacional. Em paralelo, a repercussão em redes sociais ampliou a pressão pública. Além disso, surgiram críticas à experiência do passageiro e ao desempenho em irregularidades.

No release de resultados, a empresa detalhou como o evento entrou nas projeções de 2026. Para o 1º trimestre de 2026, a American indicou receita total +7% a +10% versus um ano antes. Ainda assim, a companhia projetou prejuízo ajustado por ação entre US$ 0,10 e US$ 0,50.

Apesar do tom duro sobre a tempestade, a empresa manteve uma visão construtiva para 2026. De acordo com a orientação divulgada, o lucro ajustado por ação deve ficar entre US$ 1,70 e US$ 2,70 no ano. Ao mesmo tempo, a companhia afirmou que iniciativas comerciais e de rede devem melhorar o desempenho em relação a 2025.

Na mesma linha, a Reuters registrou que a empresa vê janeiro com melhora de reservas. Nesse caso, o impulso vem de assentos premium e da recuperação do corporativo. Mesmo assim, a American reconheceu um início de trimestre mais pesado. Isso acontece porque cancelamentos e reacomodações pressionam a execução.

O caso reforça uma realidade conhecida do inverno no Hemisfério Norte. O clima severo não derruba apenas voos. Na prática, ele também “congela” caixa e receita de forma imediata.

Quando a malha para, a companhia perde embarques. Em seguida, ela paga horas extras e reposiciona aeronaves. Além disso, a empresa absorve custos de atendimento, hospedagem e reacomodação. Mesmo quando parte do risco já está precificado, a conta aparece na operação.

O episódio ocorre após um período em que a American também citou efeito negativo associado a um shutdown do governo dos EUA. Na ocasião, a empresa indicou impacto na receita no fim de 2025. Com isso, o início de 2026 ganhou uma variável adicional. Por essa razão, o efeito entrou no guidance e no discurso executivo.

Para o passageiro, o recado prático é claro. Em ondas de frio amplas, aeroportos conectados por hubs concentram o efeito dominó. Assim, uma piora em DFW – Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth, no Texas, ou no Nordeste se espalha rapidamente. Consequentemente, o impacto chega a conexões e tripulações, elevando atrasos em cadeia. Mesmo fora da área mais atingida, o reflexo pode aparecer.

Por isso, o prejuízo da American Airlines com a nevasca nos EUA entra na conta do trimestre e vira referência para medir como o clima extremo afeta receita e custos.