Caça montado pela Embraer em Gavião Peixoto inicia testes em voo e aproxima a indústria brasileira de uma nova etapa do programa Gripen
O primeiro voo Gripen FAB 4109 marcou uma nova etapa do programa brasileiro de caças supersônicos. Após ser apresentado oficialmente em março, o primeiro Gripen E produzido no Brasil pela Embraer deixou o solo em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. A decolagem abriu uma fase decisiva de avaliações antes da entrega da aeronave à Força Aérea Brasileira (FAB).
O voo representa um avanço no programa desenvolvido em parceria com a fabricante sueca Saab. Entretanto, antes de integrar definitivamente a frota da Força Aérea Brasileira (FAB), a aeronave ainda terá etapas importantes pela frente. E os primeiros resultados desse processo ajudam a explicar a dimensão do projeto para a indústria aeronáutica nacional.

Primeiro voo do Gripen FAB 4109 aconteceu em 6 de outubro
O voo inaugural ocorreu na terça-feira, 6 de outubro de 2026, às 10h21, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). A informação foi confirmada oficialmente pela Saab, em comunicado divulgado no dia seguinte.
O piloto-chefe de testes da fabricante sueca, Jakob Högberg, assumiu os comandos da aeronave. Durante a missão, avaliou o funcionamento dos sistemas básicos e as características iniciais de desempenho do caça.
Engenheiros de voo da Embraer participaram diretamente do planejamento e da execução da operação, com apoio técnico da Saab.
Segundo as empresas, o procedimento corresponde ao primeiro teste de aceitação de produção em voo. Dessa forma, a aeronave ingressa na etapa final de fabricação, que antecede sua certificação e entrega à FAB.
Gripen produzido no Brasil reforça capacidade industrial da Embraer
A realização do primeiro voo representa mais do que a conclusão de uma etapa de montagem.
O programa envolve transferência de tecnologia, desenvolvimento de engenharia, integração de sistemas e formação de profissionais brasileiros. Além disso, estabelece uma estrutura industrial capaz de participar da produção de aeronaves militares de elevada complexidade.
A Embraer destacou que o voo demonstra a capacidade brasileira de fabricar, integrar e testar caças avançados.
A fábrica de Gavião Peixoto abriga a linha de montagem final do Gripen E, inaugurada em 2023. Trata-se da primeira instalação desse tipo fora da Suécia.
Parte das aeroestruturas utilizadas no programa também é produzida pela Saab em São Bernardo do Campo (SP).
O site AeroJota acompanhou anteriormente a apresentação do FAB 4109, realizada em março de 2026.

FAB 4109 ainda passará por novos testes antes da entrega
Embora o primeiro voo tenha sido considerado bem-sucedido, o FAB 4109 ainda não está liberado para operações militares.
A aeronave continuará sua campanha de ensaios de produção e aceitação. Posteriormente, deverá receber a certificação de aeronavegabilidade, necessária para sua entrega à Força Aérea Brasileira.
Concluído esse processo, o caça seguirá para a Base Aérea de Anápolis (GO), onde integrará o Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA).
Atualmente, a unidade opera dez aeronaves Gripen, responsáveis por missões de defesa do espaço aéreo brasileiro.

Programa Gripen prevê 15 caças produzidos no Brasil
O contrato firmado em 2014 prevê 36 aeronaves para a FAB, sendo 28 unidades F-39E monoposto e oito F-39F biposto.
Desse total, 15 caças estão previstos para produção em Gavião Peixoto. O FAB 4109 é o primeiro exemplar dessa linha industrial.
Em julho de 2026, Saab e Embraer também anunciaram entendimentos para ampliar a cooperação, incluindo a possibilidade de produzir outras 20 aeronaves. Entretanto, essa iniciativa ainda depende de negociações e novos contratos.
O AeroJota já havia abordado a montagem nacional do Gripen e os avanços do programa brasileiro.
Agora, com o primeiro voo concluído, o FAB 4109 aproxima-se de sua próxima missão: deixar a linha de produção e passar a integrar a defesa aérea do Brasil.





