O Aeroporto Internacional de Guarulhos entrou no radar regulatório após uma avaliação da Agência Nacional de Aviação Civil que analisou indicadores ligados diretamente à experiência do passageiro. O tema ganhou relevância porque envolve o maior aeroporto do país e porque os indicadores podem refletir gargalos específicos da operação em cada terminal
Embora a avaliação não trate de um episódio isolado, o resultado reacendeu o debate sobre como a qualidade do serviço é medida e cobrada nos aeroportos concedidos.

Qualidade do serviço no Aeroporto de Guarulhos sob o olhar do passageiro
A percepção do usuário costuma se formar a partir de aspectos simples, porém decisivos. Filas prolongadas, conforto das áreas de embarque, organização do fluxo de pessoas e funcionamento de equipamentos afetam diretamente a experiência de quem passa pelo terminal.
Em um aeroporto do porte de Guarulhos, pequenas ineficiências tendem a se amplificar. Por isso, indicadores de qualidade ganham peso maior, já que impactam milhões de passageiros ao longo do ano.
Esse contexto ajuda a explicar por que avaliações de serviço chamam atenção, mesmo quando não envolvem falhas estruturais ou acidentes operacionais.
Como a Anac avalia a qualidade nos aeroportos concedidos
A ANAC monitora a qualidade dos aeroportos concedidos com base em indicadores objetivos, reunidos nos chamados Indicadores de Qualidade de Serviço (IQS). Esses dados não se limitam à infraestrutura física, pois avaliam o funcionamento cotidiano do terminal.
Entre os pontos analisados estão tempo de espera, conforto, organização, limpeza e disponibilidade de serviços essenciais. Assim, o foco recai sobre o serviço efetivamente entregue ao passageiro, e não apenas sobre investimentos anunciados.
O que pesa na avaliação da Anac no Aeroporto de Guarulhos
Em Guarulhos, a avaliação da Anac costuma refletir a rotina de um aeroporto com grande volume de passageiros e operação intensa. Por isso, itens ligados ao fluxo no terminal ganham peso, já que qualquer gargalo se espalha rapidamente pelo embarque.
Além disso, a análise tende a ser mais sensível a pontos do dia a dia que o passageiro percebe de imediato. Entram nesse grupo o tempo de espera, a organização de filas, a disponibilidade de serviços e o conforto nas áreas de circulação.
Ao mesmo tempo, o resultado não indica um problema único. Em vez disso, ele funciona como um retrato de desempenho em diferentes critérios, que variam ao longo do tempo e dependem de gestão, manutenção e capacidade operacional.
Por fim, esse recorte ajuda a entender por que Guarulhos aparece com destaque em avaliações de qualidade. O terminal opera no limite em diversos períodos, e a régua da Anac capta justamente esse impacto na experiência do usuário.
O papel do Fator Q na avaliação de Guarulhos
Os resultados dos IQS alimentam o chamado Fator Q, em que a letra Q representa Qualidade. Esse fator integra os contratos de concessão e funciona como uma régua regulatória para medir se o serviço prestado está dentro do patamar esperado.
Quando o desempenho fica abaixo do nível de referência, o contrato prevê mecanismos de acompanhamento, correção e possíveis ajustes regulatórios. Dessa forma, a avaliação deixa de ser apenas informativa e passa a ter impacto prático na gestão do aeroporto.
Avaliação e resposta operacional caminham juntas
Resultados que indicam desempenho abaixo do esperado costumam levar a ajustes operacionais. A gestão do aeroporto tende a revisar processos, reforçar equipes e implementar ações corretivas para melhorar os indicadores de qualidade.
Esse movimento faz parte da dinâmica regulatória do setor. A avaliação não existe apenas para apontar falhas, mas para induzir melhorias contínuas, especialmente em aeroportos com operação intensa e alta visibilidade pública.
Um debate que vai além de Guarulhos
O caso de Guarulhos mostra como a qualidade do serviço passou a ocupar papel central na regulação aeroportuária. A experiência do passageiro se tornou um parâmetro mensurável, acompanhado de perto pela agência reguladora.
Esse cenário reforça que a concessão exige desempenho constante e monitoramento permanente. Avaliações periódicas, como as realizadas pela Anac, ajudam a dimensionar desafios operacionais e a orientar correções necessárias no curto e médio prazo.





