Recorde de permanência no ar da FAB com o P-15 Netuno e por que não é o KC-30

Jota

21 de fevereiro de 2026

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Recorde de permanência no ar da FAB com o P-15 Netuno não apaga um marco recente da Aviação de Transporte. No último domingo, 15 de fevereiro de 2026, a Força Aérea Brasileira (FAB) realizou o voo mais longo desse segmento. Essa missão ficou com o Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte (2º/2º GT). A unidade atende pelo nome Esquadrão Corsário.

A equipe operou a aeronave C-30, já que ela não foi convertida, mas mesmo assim é conhecida como KC-30 (A330-243). Ela decolou de Nova Deli e seguiu para Brasília. O voo direto durou 18 horas e 45 minutos. Nesse período, a rota cruzou o Mar Arábico. Em seguida, passou pelo continente africano. Depois disso, seguiu sobre o Oceano Atlântico.

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Uma coisa não anula a outra. A Aviação de Patrulha guarda o recorde histórico de permanência no ar, e isso não diminui o feito do KC-30 ou C-30 (A330) na Aviação de Transporte. São missões diferentes e marcos de segmentos diferentes.

Esse marco na Aviação de Transporte é recente. Ainda assim, ele representa um feito inédito nesse segmento. Ao mesmo tempo, a Aviação de Patrulha guarda episódios históricos de grande permanência no ar. Esses casos mostram preparo, resistência e capacidade operacional para a época.

Além disso, as tripulações do Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV) bateram recordes. A unidade é o Esquadrão Orungan. Ela quebrou, por duas vezes, o recorde sul-americano de duração de voo.

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Em 8 e 9 de dezembro de 1961, o FAB 7013 voou de Porto Alegre (RS) a Belém (PA). A aeronave era um Lockheed P2V-5 Neptune. Na FAB, ela recebeu a designação P-15. Nesse voo, o avião permaneceu 24 horas e 35 minutos no ar.

Alguns anos depois, outro P-15 ampliou o recorde. Em 22 e 23 de julho de 1967, o FAB 7011 realizou missão entre Porto Alegre e Santa Cruz (RJ). A tripulação registrou 25 horas e 15 minutos de duração. Assim, o Esquadrão fixou uma nova marca.

Em 3 de setembro de 1976, o Netuno de matrícula FAB 7009 realizou o último voo dos P-15 no Brasil. A operação ocorreu na Base Aérea de Salvador (BASV). Após o pouso, a FAB destinou o FAB 7009 a se tornar um monumento na BASV. Desde então, ele permanece no local.

Com isso, o FAB 7009 virou símbolo da participação dos P-15. Ele também marca a história do 1º/7º GAV. Além do mais, o avião representa a Aviação de Patrulha no Brasil.

Durante a operação na Força Aérea Brasileira, os P-15 somaram 22.761 horas de voo. Nesse conjunto, o FAB 7009 liderou o uso. Ele acumulou 2.790 horas ao longo de 18 anos de serviço.

Por 18 meses, o 1º/7º GAV ficou sem material aéreo operacional. Diante disso, o então Comando Costeiro (COMCOS) tomou uma medida temporária. Ele determinou que o Segundo Esquadrão do Décimo Grupo de Aviação (2º/10º GAV) assumisse as atividades.

Essa unidade realizava Busca e Salvamento (SAR), ou seja, Search and Rescue. Na época, ela operava a partir da Base Aérea de Florianópolis (SC). Além disso, ela usava aeronaves Grumman SA-16A Albatroz. Assim, a FAB resolveu provisoriamente a falta de equipamento até a chegada de novas aeronaves.

Ainda em 1976, o Esquadrão recebeu dois C-95 executivos. As matrículas eram FAB 2187 e FAB 2188. A unidade usou esses aviões no adestramento. Ela também capacitou os aeronavegantes com esse material.

Em seguida, os primeiros P-95 entraram em voo em setembro de 1977. Depois, eles passaram a operar no 1º/7º GAV em abril de 1978. Com isso, o Esquadrão ganhou novo impulso. Ao mesmo tempo, a Aviação de Patrulha ampliou a capacidade operacional. Com isso, a FAB ganhou mais autonomia para tocar a aviação de patrulha com material próprio.

Atualmente, a FAB opera dois modelos nessa função. O primeiro é o P-95 Bandeirulha. O segundo é o P-3AM Orion. Ambos oferecem longo alcance e grande autonomia. Por isso, eles atendem missões de patrulha de longa duração.

Para monitorar a área de responsabilidade do Brasil no Oceano Atlântico, a FAB mantém três Esquadrões de Patrulha ao longo da costa. As aeronaves P-3AM Orion ficam com o Primeiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (1º/7º GAV). Essa unidade é o Esquadrão Orungan. Ela fica sediada no Rio de Janeiro.

Já as aeronaves P-95M Bandeirulha operam em duas unidades. O Segundo Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (2º/7º GAV) é o Esquadrão Phoenix. Ele fica em Canoas (RS). Enquanto isso, o Terceiro Esquadrão do Sétimo Grupo de Aviação (3º/7º GAV) é o Esquadrão Netuno. Ele está sediado em Belém (PA).

O Orungan é o mais antigo entre os Esquadrões de Patrulha. Ele executa Ações de Patrulha Marítima (PATMAR). Ele também realiza Busca e Salvamento (SAR). Além disso, cumpre Controle Aéreo Avançado (CAA). A unidade ainda atua como Posto de Comunicação Aeroespacial (P Com-Aepc). Somado a isso, ela faz Reconhecimento Aeroespacial (Rec Aepc). Por fim, ela executa missões Antissubmarino (AS).

Dentro desse conjunto, a Guerra Antissubmarino se destaca. Em inglês, o termo é Anti-submarine warfare (ASW). Essa missão busca submarinos inimigos. Depois, ela detecta e identifica o contato. Em seguida, ela acompanha o alvo. Quando necessário, ela neutraliza ou destrói o submarino.

Texto: Tenente Johny Lucas / Agência Força Aérea
Fotos: Arquivo FAB