AT-26 Xavante de Maringá volta ao pedestal depois de queda, vandalismo e uma recuperação realizada em tempo recorde
A recuperação do AT-26 Xavante de Maringá começou depois de um episódio que mudou a paisagem de uma das praças mais conhecidas da cidade, no Paraná.
No dia 1º de agosto de 2026, fortes ventos derrubaram parcialmente a aeronave do monumento. Equipes da Defesa Civil precisaram utilizar guindastes para retirar o antigo jato da estrutura e colocá-lo no chão, apoiado sobre pneus. Em seguida, a área foi isolada.
Parecia ser apenas o começo do trabalho necessário para devolver o Xavante ao lugar.
Mas houve outro problema.
Dois dias depois da queda, a aeronave amanheceu coberta por pichações feitas com tinta branca. O vandalismo atingiu diferentes partes da fuselagem enquanto o avião permanecia no solo aguardando uma definição sobre sua recuperação.
A Prefeitura informou que analisaria imagens de câmeras de monitoramento para tentar identificar os responsáveis e também passou a estudar formas de reforçar a proteção do monumento.
Poucas semanas depois, entretanto, ferramentas, peças, chapas metálicas e um trabalho minucioso começaram a mudar novamente a cena.
A recuperação do AT-26 Xavante de Maringá colocaria em ação um nome conhecido pela preservação de antigas aeronaves militares brasileiras: Luciano Schneider.

Menos de 30 horas para devolver o AT 26-Xavante à praça
O trabalho começou em 21 de agosto, dentro de uma parceria envolvendo a Prefeitura de Maringá, iniciativa privada e apoio da Força Aérea Brasileira.
A expectativa inicial era de que a recuperação pudesse levar cerca de uma semana.
Não levou.
Em menos de 30 horas, foram realizados reparos estruturais, recuperação visual e pintura. O Xavante foi novamente colocado sobre o monumento no fim de semana, com os últimos ajustes sendo realizados no domingo, dia 23.
Até as pichações desapareceram.
O trabalho, porém, ainda pode ganhar novos detalhes.
A Prefeitura informou que pretende instalar réplicas de armamentos nas asas da aeronave. Luciano também trabalha na produção dessas peças cenográficas, enquanto o município prepara um projeto mais amplo de revitalização da Praça do Avião.
Mas por que chamar um profissional de outro estado para recuperar justamente aquele avião?
A resposta começa muito antes de Maringá.
Quando antigos aviões da FAB ganham uma segunda história
Luciano Schneider passou anos adquirindo em leilões aeronaves militares que já haviam encerrado definitivamente sua vida operacional.
Muitas chegam descaracterizadas, incompletas e classificadas como material inservível.
É nesse ponto que entra uma combinação pouco comum de conhecimento histórico, trabalho artesanal e domínio de metais e estruturas.
Luciano recupera partes danificadas, reconstrói componentes, refaz pinturas e devolve a antigos aviões militares uma aparência próxima daquela apresentada durante sua vida na Força Aérea.
Não significa fazê-los voltar a voar.
Significa permitir que continuem existindo.
AT-26 Xavante, T-25, Learjet U-35, F-5, Bandeirante, Bandeirulha e helicópteros UH-1H estão entre os modelos ligados à sua trajetória.
E existe um número que ajuda a dimensionar esse trabalho.

Quinze AMX A-1 fazem parte do acervo
Luciano reuniu 15 exemplares do AMX A-1, além de peças e componentes provenientes de diferentes aeronaves.
Seu acervo reúne dezenas de aviões e helicópteros.
É difícil estabelecer um ranking para uma atividade tão específica. Ainda assim, encontrar no Brasil alguém que tenha reunido tantas aeronaves militares e participado diretamente da recuperação de tantos modelos diferentes não parece tarefa simples.
Por isso, Luciano tornou-se um dos principais nomes brasileiros na revitalização e preservação desse tipo de aeronave.
Esse conhecimento também passou a ser procurado por proprietários particulares.
Algumas aeronaves precisam apenas recuperar a pintura. Outras apresentam danos, peças deterioradas ou configurações visuais que precisam ser refeitas.
Em todos esses casos, conhecer a história do avião importa tanto quanto saber trabalhar o metal.

Trabalho reconhecido pela própria FAB
A relação com a preservação de aeronaves também levou Luciano a colaborar com a própria Força Aérea Brasileira.
Em 2024, a FAB destacou oficialmente seu trabalho voluntário na recuperação de aeronaves históricas mantidas na Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul.
É um reconhecimento importante.
Uma aeronave pode perder definitivamente seu valor operacional, mas isso não significa que tenha perdido seu valor histórico.
Preservá-la significa manter acessível uma parte da trajetória da aviação militar brasileira.
No caso de Luciano, essa relação com aviões acabou ultrapassando até os limites da oficina.
Até o carro tem manche, manete e peças de avião
O automóvel utilizado por Luciano Schneider também carrega elementos da aviação.
Um Volkswagen Gol foi transformado com diferentes componentes aeronáuticos reais.
Dentro dele há manche de F-5, manete de potência de AT-26 Xavante e instrumentos provenientes de um UH-1. Até um tubo de pitot de AMX foi incorporado ao projeto.
O processo de partida também ganhou uma sequência de acionamentos que lembra, de forma proposital, um checklist de aeronave.
E o carro não fica parado em exposição.
Luciano o utiliza normalmente, inclusive em atividades relacionadas ao próprio trabalho.
Talvez seja a demonstração mais curiosa de até onde chegou sua ligação com a aviação.
Maringá ganhou de volta mais do que um avião
O AT-26 Xavante da Praça do Avião já não pode cumprir a missão para a qual foi construído.
Hoje, sua função é outra.
Ele ajuda a contar a história da Força Aérea Brasileira e permite que diferentes gerações tenham contato próximo com uma aeronave militar que marcou época no país.
Em agosto, entretanto, o monumento enfrentou uma sequência incomum: caiu parcialmente do pedestal, precisou ser retirado com guindastes, foi colocado sobre pneus e acabou vandalizado. Poucas semanas depois, a recuperação do AT-26 Xavante de Maringá devolveu a aeronave ao lugar que ocupa há décadas.
Agora está novamente no alto da praça.
E talvez seja justamente essa sequência que melhor resume o trabalho de Luciano Schneider:
quando uma antiga aeronave militar parece ter chegado ao fim de sua história, ele procura uma maneira de fazê-la continuar sendo contada.
Quem quiser conhecer de perto o trabalho e o acervo de Luciano Schneider, em Porto Alegre, ou buscar informações sobre peças e componentes de aeronaves disponíveis, pode entrar em contato diretamente com o restaurador pelo Whats +55 51 9 9299-2000.






