Governo fala em reduzir impostos no combustível de aviação no Brasil, mas medida ainda não saiu do papel

Jota

27 de março de 2026

Governo fala em reduzir impostos no combustível de aviação _Imgem Ilustrativa

A redução de impostos no combustível de aviação no Brasil voltou ao centro do debate após o governo sinalizar medidas para conter o impacto da alta do petróleo no setor. No entanto, apesar do discurso emergencial, nenhuma mudança concreta foi publicada até o momento, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da proposta.

 Governo fala em reduzir impostos no combustível de aviação _Imgem Ilustrativa1
Governo fala em reduzir impostos no combustível de aviação _Imgem Ilustrativa1

Nos últimos dias, o Ministério de Portos e Aeroportos indicou que estuda reduzir tributos que impactam diretamente as companhias aéreas. Entre as possibilidades, aparecem cortes no PIS/Cofins sobre o querosene de aviação (QAV), além de ajustes no IOF e na tributação do leasing de aeronaves.

A proposta surgiu como resposta ao aumento do preço do petróleo, intensificado por tensões internacionais. Com isso, o governo tenta evitar que os custos sejam repassados integralmente ao passageiro.

Por outro lado, apesar da repercussão, o próprio governo confirmou que as medidas ainda dependem de avaliação da equipe econômica. Ou seja, até agora, não houve publicação de medida provisória ou decreto que coloque essas mudanças em prática.

Embora o discurso atual esteja ligado ao cenário internacional, a discussão sobre a redução de impostos na aviação brasileira não começou agora. O tema já aparece em políticas anteriores e, em alguns casos, chegou a ser parcialmente implementado.

No leasing de aeronaves, por exemplo, a legislação já reduziu o Imposto de Renda Retido na Fonte nos últimos anos. Inicialmente zerado, o imposto voltou gradualmente e atualmente está em 3%, com previsão de aumento nos próximos anos caso não haja nova intervenção.

Além disso, algumas operações internacionais já contam com isenções relevantes. Passagens internacionais e transporte de cargas, por exemplo, não sofrem incidência de determinados tributos federais, o que mostra que parte da desoneração já existe.

Mesmo com algumas isenções já aplicadas, o principal problema da aviação brasileira continua concentrado em dois pontos: o custo do combustível e o peso financeiro das operações.

O querosene de aviação utilizado em voos domésticos segue fortemente tributado, sendo um dos maiores custos das companhias aéreas no Brasil. Além disso, as empresas enfrentam pressão cambial, já que grande parte das despesas, como leasing e manutenção, é dolarizada.

Nesse cenário, o IOF também ganha destaque. Mudanças recentes aumentaram o custo financeiro das companhias, o que amplia ainda mais o impacto sobre a operação.

Embora o governo apresente a proposta como resposta direta à crise internacional, o setor aéreo já vinha alertando sobre esses problemas há anos. Portanto, a guerra funciona mais como catalisador político do que como causa isolada da discussão.

Além disso, o contraste entre discurso e prática chama atenção. A narrativa de urgência ganhou espaço rapidamente, mas, na prática, as medidas seguem em fase de estudo, sem aplicação concreta até agora.

Dessa forma, o mercado continua operando com os mesmos custos elevados, enquanto aguarda definições que possam realmente aliviar a pressão sobre as companhias.

A redução de impostos na aviação brasileira depende diretamente do aval do Ministério da Fazenda. Sem essa aprovação, qualquer proposta permanece apenas no campo das intenções.

Enquanto isso, o setor acompanha de perto os próximos movimentos do governo. Caso as medidas avancem, o impacto pode ser relevante para os preços das passagens e para a sustentabilidade das companhias aéreas.

Por outro lado, se nada for implementado, o episódio reforça um padrão já conhecido: anúncios que geram expectativa imediata, mas demoram para se transformar em mudanças reais.