Relatório da FAB aponta tentativa de manobra acrobática antes da queda do Air Tractor

Jota

4 de janeiro de 2026

Relatorio-do-Cenipa-sobre-queda-do-Air-Tractor-PR-JPY_Imagem-CENIPA

O Relatório do Cenipa sobre queda do Air Tractor PR-JPY aponta que o piloto Militão Dias de Macedo Neto morreu após perder o controle do avião em Chapadão do Sul–MT. A ocorrência aconteceu em 5 de fevereiro de 2022, conforme a identificação do próprio relatório (PR-JPY, 05FEV2022).

Relatorio-do-Cenipa-sobre-queda-do-Air-Tractor-PR-JPY_Imagem-CENIPA
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A aeronave era um Air Tractor 402B, usado em trabalho aeroagrícola. O acidente terminou com impacto quase vertical em uma plantação de milho. Além disso, a aeronave ficou destruída. O relatório final ficou disponível para consulta pública no fim de dezembro de 2025, quando a conclusão passou a circular na imprensa.

Segundo o relatório, testemunhas viram uma subida acentuada. Em seguida, elas relataram um giro para o dorso. Depois disso, a aeronave entrou em queda rápida até a colisão. Além disso, o documento registra que o avião cruzou a cabeceira em sentido contrário ao esperado. Logo depois, ele ganhou altura estimada entre 150 e 240 metros. Por fim, o piloto perdeu o controle.

Manobra intencional ou resposta aerodinâmica inesperada

O Cenipa avaliou que a dinâmica e as imagens indicam que o “giro de asas no topo da subida” pode ter ocorrido de forma intencional. Nesse cenário, o piloto teria tentado uma manobra acrobática. No entanto, o relatório também considera outra hipótese. O giro pode ter surgido de forma inadvertida. Ou seja, ele pode ter aparecido como resposta aerodinâmica a um estol não comandado.

Ainda assim, o piloto morreu no local. Por isso, os investigadores não conseguiram confirmar a intenção. Mesmo assim, eles relacionaram a sequência a uma manobra abrupta e perda de controle.

O documento reforça que o Air Tractor 402B atende à missão agrícola. Portanto, ele não se encaixa em manobras acrobáticas. Além disso, o relatório destaca que aeronaves desse perfil operam com envelope e finalidade diferentes.

O Cenipa também citou um caso semelhante na Bahia, em janeiro do mesmo ano. Segundo o material, a ocorrência envolveu o mesmo tipo de aeronave e uma causa correlata.

Por que aeronaves agrícolas não são certificadas para acrobacias

O Air Tractor 402B é robusto para pulverização e voos de baixa altura. Ainda assim, ele não foi projetado para acrobacias. Esse tipo de manobra exige certificação e margens estruturais específicas.

Além disso, subida íngreme, rolamento e inversão impõem cargas fora do perfil de missão. Por consequência, a margem para erro cai rapidamente. Portanto, o piloto precisa de mais altitude e energia para recuperar a aeronave. Na aviação agrícola, essa margem costuma ser pequena.

Na aviação agrícola, o risco aumenta quando o voo sai do padrão de missão. Isso acontece porque o piloto opera próximo ao solo. Assim, ele tem menos tempo e menos espaço para corrigir uma atitude indesejada.

Além disso, movimentos abruptos podem antecipar a perda de sustentação. Como resultado, a aeronave pode entrar em perda de controle com pouca chance de recuperação. Por outro lado, boas práticas reduzem esse cenário. Entre elas, entram planejamento, padronização e respeito aos limites. Também entra o fator humano, como decisão e gerenciamento de ameaça e erro.

O relatório afirma que não constatou falha ou mau funcionamento. Por isso, a investigação não gerou recomendações de segurança nem ações corretivas específicas. Ainda assim, o documento sustentou a conclusão com a dinâmica observada e os relatos.

Esse ponto conversa com o que foi noticiado na época do acidente. Naquele momento, as autoridades já indicavam documentação e condições operacionais em dia, enquanto aguardavam a apuração técnica.

Na cobertura inicial, houve registro de que o piloto reclamou do tempo pouco antes da queda. Mesmo assim, o relatório final concentrou a análise na dinâmica do voo e na perda de controle.

Além disso, um vídeo registrou o momento do acidente. Esse material ajudou a sustentar a reconstituição descrita no relatório e repercutida pela imprensa.

O Cenipa produz relatórios com foco em prevenção. Em seguida, o material pode subsidiar ações e análises de segurança operacional. Além disso, ele orienta discussões técnicas no setor, com reflexos para a cultura de segurança.

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