Caças e C-17 em baixa altura viram atração no Riverfire, em Brisbane
Um enorme avião militar surge acompanhando as curvas do rio, passa diante dos prédios e parece ocupar boa parte da paisagem. Pouco depois, o som de um caça toma conta do centro da cidade. É assim que o Riverfire em Brisbane transforma a aviação militar em uma das atrações mais impressionantes do evento australiano.
Em muitos lugares, cenas assim provocariam surpresa. Em Brisbane, na Austrália, as pessoas já sabem quando elas vão acontecer — e procuram os melhores lugares para assistir.
É o Riverfire, evento realizado dentro do Brisbane Festival que transformou também a aviação militar em parte do espetáculo.
Neste sábado, 5 de setembro, a programação de 2026 voltou a reunir a Royal Australian Air Force (RAAF) e milhares de espectadores ao longo do Brisbane River.
A expectativa das autoridades australianas era de que até meio milhão de pessoas ocupassem diferentes pontos da cidade para acompanhar a programação, que termina com um grande espetáculo de fogos de artifício.

Os ensaios já atraem público
Uma das particularidades do Riverfire é que a movimentação começa antes do evento.
Em 2026, a Força Aérea Australiana programou ensaios nos dias 3 e 4 de setembro. Dois F/A-18F Super Hornet e um C-17A Globemaster III participaram das atividades preparatórias sobre a região central de Brisbane.
E os ensaios deixaram de ser apenas preparação.
Imagens feitas nos últimos dias mostram moradores, turistas e fotógrafos esperando pelas aeronaves em prédios, mirantes e nas margens do rio.
O próprio portal oficial de turismo de Brisbane promove o Riverfire aos visitantes e apresenta diferentes lugares para acompanhar o espetáculo, incluindo parques, restaurantes em coberturas e áreas às margens do rio.
No sábado, a apresentação principal previa a passagem do C-17A Globemaster III por volta das 16h52 e do F/A-18F Super Hornet aproximadamente às 17h20, antes dos fogos programados para as 19h.

Um gigante de 265 toneladas sobre Brisbane
A dimensão do C-17 ajuda a explicar o impacto das imagens.
O Globemaster III tem 53 metros de comprimento e quase 52 metros de envergadura. Seu peso máximo de decolagem chega a aproximadamente 265 toneladas, e a aeronave pode transportar mais de 70 toneladas de carga.
A Austrália possui oito C-17A, todos operados pelo No. 36 Squadron, na RAAF Base Amberley, cerca de 40 quilômetros a sudoeste de Brisbane.
No mesmo local estão os 24 F/A-18F Super Hornet, operados pelo No. 1 Squadron. O caça pode alcançar Mach 1.6, embora evidentemente as apresentações sobre Brisbane sejam realizadas dentro de parâmetros específicos estabelecidos para o evento.
A Força Aérea Australiana afirma que os voos em baixa altura seguem rígidas normas operacionais e de segurança e podem ser modificados ou cancelados devido ao tráfego aéreo, condições meteorológicas ou disponibilidade operacional.
Drones também são proibidos nas áreas envolvidas durante os ensaios e o Riverfire. Segundo a RAAF, uma aeronave não tripulada poderia causar interrupção ou até o cancelamento das apresentações.

Não é simplesmente voar baixo
Por trás das imagens que impressionam moradores e turistas existe uma preparação muito mais complexa do que simplesmente conduzir um caça entre os prédios.
Em uma apresentação anterior do Riverfire, um piloto de F/A-18F Super Hornet explicou à ABC Australia que a preparação envolvia semanas de estudo do percurso e treinamento em simulador antes de levar a aeronave para o centro de Brisbane.
Durante a apresentação, o Super Hornet chegava a aproximadamente 600 km/h na região de South Bank e alcançava cerca de 900 km/h em outro trecho do percurso. Em 2026, a imprensa australiana destacou outro número que ajuda a dimensionar as imagens: em determinados pontos, o caça passa a cerca de 70 metros dos edifícios.
Diferentemente de uma apresentação realizada sobre uma área aberta, o percurso em Brisbane coloca o piloto diante de referências visuais muito próximas. Prédios, pontes e as curvas do Brisbane River passam a fazer parte do cenário usado para executar a rota, o que ajuda a explicar a preparação antecipada e as sessões realizadas em simulador.
Durante os ensaios e no dia do Riverfire, drones são proibidos na área das apresentações, justamente para evitar riscos às aeronaves e à operação.
Essa combinação de planejamento, treinamento e precisão ajuda a explicar por que aquilo que parece quase impossível nas imagens se repete há anos diante de milhares de pessoas em Brisbane.
Uma tradição que começou com o F-111
A ligação entre Riverfire e aviação militar não nasceu com o Super Hornet.
Durante anos, uma das imagens mais famosas do evento foi produzida pelos F-111 da Força Aérea Australiana, que realizavam o chamado “dump and burn”.
O combustível era liberado pela parte traseira da aeronave e inflamado pelos gases quentes dos motores, produzindo uma enorme chama no céu de Brisbane.
A tradição começou em 1998 e terminou em 2010, ano da última participação do F-111 no Riverfire antes da retirada definitiva do modelo do serviço australiano.
Naquele último espetáculo, aproximadamente 500 mil pessoas estiveram às margens do rio.
Os F-111 desapareceram, mas a aviação permaneceu.
Ao longo dos anos, Riverfire recebeu Super Hornet, EA-18G Growler, C-17 Globemaster, helicópteros do Exército e até os Roulettes, equipe de demonstração da Força Aérea Australiana.

Riverfire em Brisbane transforma aviação em turismo
Talvez seja justamente isso que torne o caso de Brisbane interessante.
O Riverfire não é um show aéreo tradicional e tampouco uma atividade realizada dentro de uma base militar. É um grande evento urbano, gratuito, no qual as apresentações da Australian Defence Force foram incorporadas à programação da cidade.
Em 2026, além das aeronaves da RAAF, a programação inclui exposição do Exército Australiano e apresentações da banda da Royal Australian Navy.
A capacidade de uma apresentação aérea de mobilizar grandes públicos também encontra exemplos no Brasil. Em maio, o AeroJota mostrou que o MUSAL Air Show 2026 bateu recorde de público, reunindo mais de 322 mil visitantes durante dois dias no Campo dos Afonsos.
Depois, entram em cena os fogos, lançados de balsas, pontes e edifícios ao redor do Brisbane River.
Mas, horas antes das primeiras explosões de fogos de artificio iluminarem a noite, milhares de celulares já estão apontados para o céu.
Para muita gente em Brisbane, o Riverfire começa quando o som dos motores aparecem sobre o rio.
Quem acompanha esse tipo de programação no Brasil também pode consultar o Calendário de Eventos Aéreos do AeroJota, atualizado com demonstrações, encontros e eventos civis e militares previstos pelo país.






