Como funciona a segurança em helicópteros offshore em pousos de emergência no mar
Entenda a segurança em helicópteros offshore e os equipamentos usados após pouso no mar
Imagens que circularam recentemente nas redes sociais mostraram passageiros em botes salva-vidas e um helicóptero flutuando após um pouso de emergência no mar. Por isso, o episódio reacendeu uma dúvida comum: como helicópteros offshore conseguem pousar na água e manter todos em segurança?

A resposta envolve engenharia específica, procedimentos rigorosos e uma série de equipamentos obrigatórios, projetados justamente para cenários como esse.
Por que helicópteros offshore são preparados para pousos no mar
Helicópteros utilizados em operações offshore, como transporte para plataformas de petróleo e gás, não seguem o mesmo padrão de uma operação convencional. Em vez disso, eles operam com requisitos adicionais de certificação e segurança, porque voam longos trechos sobre o oceano.
Além disso, essas aeronaves enfrentam condições meteorológicas mais exigentes e operam longe de áreas de pouso alternativo. Portanto, o pouso de emergência no mar, conhecido como ditching – é o termo técnico usado na aviação para pouso forçado ou de emergência na água, quando a aeronave não foi projetada para operar regularmente nesse ambiente -, não é tratado como algo remoto. Pelo contrário, ele entra como um cenário previsto em projeto e treinamento.
Sistema de flutuação de emergência
Um dos principais recursos de segurança é o sistema de flutuação de emergência, instalado na parte inferior da fuselagem. Esse conjunto inclui bolsas infláveis alojadas em compartimentos externos e prontas para uso em caso de necessidade.
Quando ocorre um pouso forçado no mar, a tripulação pode acionar o sistema de forma manual e, em alguns modelos, o acionamento também pode ocorrer automaticamente. Em seguida, as bolsas se inflam em poucos segundos e ajudam a manter o helicóptero estável e flutuando.
Esse sistema não evita o pouso, mas aumenta o tempo disponível para evacuação segura. Assim, ele reduz o risco de afundamento rápido e melhora a previsibilidade da saída, principalmente em mar agitado.
Botes salva-vidas a bordo
Outro ponto que chamou atenção nas imagens foi a presença de botes salva-vidas, algo comum em operações offshore. Em geral, esses botes ficam armazenados em compartimentos dedicados e com acesso rápido.
Após o pouso na água, o bote pode ser lançado manualmente e, dependendo da configuração, também pode inflar automaticamente. Além disso, ele costuma ter capacidade compatível com o número de ocupantes e inclui kit básico de sobrevivência.
Muitas operações reforçam essa etapa no briefing antes do voo. Desse modo, os passageiros entendem como embarcar no bote, como manter o grupo junto e como aguardar o resgate com segurança.

Coletes salva-vidas e equipamentos individuais
Antes da decolagem, passageiros de helicópteros offshore normalmente recebem coletes salva-vidas homologados. Junto disso, a tripulação orienta sobre o uso correto e explica como funciona a inflagem manual e, quando existe, a inflagem automática.
No entanto, há um ponto crucial. Os coletes não devem ser inflados dentro da cabine, porque isso pode bloquear saídas e dificultar a evacuação. Por essa razão, o procedimento é manter o colete pronto, mas inflar apenas após sair da aeronave.

Outros equipamentos de segurança comuns em helicópteros offshore
Além dos sistemas mais visíveis, helicópteros offshore podem operar com outros recursos de segurança que ajudam na sobrevivência e no resgate. Entre eles, estão localizadores de emergência com capacidade de transmissão por satélite, luzes e strobes para localização noturna e equipamentos de sinalização para o mar.
Em algumas operações, também existe o uso de respiradores de emergência, conhecidos como EBS – Emergency Breathing System -, para situações em que ocorre capotagem e a evacuação exige alguns segundos extras de respiração. Além disso, muitos modelos contam com assentos com absorção de impacto, o que reduz lesões em pousos duros.
Esses itens funcionam como um conjunto. Ou seja, eles não substituem treinamento, porém aumentam as margens de segurança quando o cenário se deteriora.
Treinamento como fator decisivo
Apesar de toda a tecnologia embarcada, o treinamento costuma definir o resultado real em uma emergência. Por isso, em operações offshore, é comum a exigência de cursos como o HUET – Helicopter Underwater Escape Training -, que treina a fuga de helicóptero em ambiente aquático.
Esse tipo de preparação inclui simulações de evacuação, procedimentos em caso de cabine submersa e práticas de saída com baixa visibilidade. Assim, mesmo em situações extremas, a evacuação tende a ocorrer de forma mais rápida, organizada e segura.
Segurança offshore não é improviso
O caso recente envolvendo um helicóptero com pouso de emergência no mar mostra que o evento pode ser grave, mas ainda assim faz parte dos cenários previstos em operações offshore. Portanto, o objetivo dos sistemas embarcados é ganhar tempo, reduzir riscos e manter o grupo vivo até o resgate.
A combinação entre engenharia, equipamentos certificados, procedimentos padronizados e treinamento constante sustenta a lógica desse tipo de operação. Com isso, a evacuação pode ocorrer com mais controle, mesmo em um ambiente hostil como o oceano.

Nota do AeroJota
O AeroJota agradece ao leitor Carlos Alberto de Andrade Cava, @caacavalcante2020, pela sugestão dessa matéria, na parte de comentários do Instagram e pela curiosidade em saber como é a segurança em helicópteros offshore.

A história da aviação também mora nos detalhes.
Por isso, o AeroJota reúne nos Classificados Aeronáuticos colecionáveis, souvenirs e peças decorativas para quem quer levar esse universo para casa. Veja no site.







