Câmara dos Deputados nega acesso à lista de passageiros de voo da FAB para Angra

Jota

24 de janeiro de 2026

Lista de passageiros de voo da FAB para Angra dos Reis é mantida sob sigilo pela Câmara dos Deputados_Imagem ilustrativa

A lista de passageiros de voo da FAB para Angra dos Reis virou alvo de sigilo na Câmara dos Deputados, mesmo após pedido feito pela Lei de Acesso à Informação. Além disso, o caso envolve um voo no período do réveillon, usado em uma viagem particular de lazer. Ainda assim, a Câmara protegeu detalhes sob o argumento de “segurança institucional”.

Lista de passageiros de voo da FAB para Angra dos Reis é mantida sob sigilo pela Câmara dos Deputados_Imagem ilustrativa
Lista de passageiros de voo da FAB para Angra dos Reis é mantida sob sigilo pela Câmara dos Deputados_Imagem ilustrativa

Antes do debate sobre sigilo, vale relembrar o contexto da lista de passageiros de voo da FAB para Angra dos Reis. O site AeroJota já havia mostrado que a Força Aérea Brasileira realizou o deslocamento no fim de ano. No entanto, nenhum compromisso oficial apareceu publicamente na ocasião.

O voo partiu de João Pessoa e pousou no Rio de Janeiro, no Aeroporto Santos Dumont. Em seguida, o grupo seguiu para Angra dos Reis, onde passou o réveillon em um condomínio de alto padrão. Por isso, o tema ganhou repercussão e abriu espaço para questionamentos sobre transparência.

A discussão sobre a lista de passageiros de voo da FAB para Angra dos Reis começou após um pedido formal feito pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo. O requerimento foi apresentado com base na Lei de Acesso à Informação e solicitava a divulgação dos nomes das pessoas transportadas na aeronave militar durante o período do réveillon.

A resposta da Câmara dos Deputados, no entanto, foi a negativa de acesso, com a alegação de que a divulgação poderia afetar a segurança institucional. A partir dessa recusa, o tema ganhou repercussão nacional, levantou questionamentos sobre transparência no uso de recursos públicos e abriu espaço para a atuação de órgãos de controle.

Ao justificar o sigilo, a Câmara dos Deputados citou “segurança institucional” para negar a lista de passageiros de voo da FAB para Angra. Contudo, a justificativa soa desconectada quando se aplica a uma viagem privada de réveillon. Afinal, o destino tem perfil turístico e não se relaciona, por si só, a uma missão sensível do Estado.

Proteger informações realmente estratégicas é legítimo e necessário. Ainda assim, esconder nomes de passageiros em uma aeronave militar, em deslocamento particular, levanta dúvidas inevitáveis. Portanto, a pergunta se impõe: a Câmara protege a segurança institucional ou tenta evitar constrangimento público?

O debate público destacou a ida para o réveillon, mas quase ninguém comenta a volta. Até aqui, não há informação pública clara sobre como ocorreu o retorno do grupo. Além disso, não se sabe se a aeronave da Força Aérea Brasileira realizou novo trecho, nem qual foi o destino final divulgado.

Esse silêncio incomoda porque transparência não pode funcionar só quando convém. Se o argumento é “segurança institucional”, então a Câmara precisa explicar por que isso também impede um dado básico. Ou seja, o contribuinte paga a conta, mas não consegue saber quem viajou e como se deu o deslocamento completo.

Por isso, fica uma pergunta no ar: por qual motivo a Câmara mantém essa cortina fechada em um episódio que envolve recursos públicos? Quando um órgão se recusa a esclarecer o mínimo, ele alimenta suspeitas e aumenta a crise. Além disso, ele amplia a sensação de impunidade.

Aqui é essencial separar responsabilidades. A Força Aérea Brasileira cumpre sua missão constitucional e executa voos conforme solicitações formalmente autorizadas pelo Ministério da Defesa. Além disso, a FAB não escolhe passageiros e não define o caráter político de cada deslocamento.

Ainda assim, episódios como esse acabam colando na imagem da instituição. Afinal, a opinião pública enxerga a aeronave militar e associa a viagem à Força, mesmo quando ela apenas cumpre o procedimento. Portanto, o desgaste recai na FAB, embora ele nasça na esfera política.

A negativa da lista de passageiros de voo da FAB para Angra não surge em um vácuo. O AeroJota já mostrou que o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal abriram apuração. Eles analisam o uso recorrente de aeronaves da FAB em deslocamentos particulares do presidente da Câmara, o deputado federal Hugo Motta, do Republicanos, da Paraíba.

As apurações buscam esclarecer possível desvio de finalidade e avaliar impactos sobre legalidade e moralidade administrativa. Além disso, elas colocam o tema no campo institucional, e não apenas no debate político. Por isso, o sigilo agora imposto gera ainda mais incômodo.

Diante desse histórico, a pergunta final vira inevitável: Hugo Motta sofrerá algum tipo de consequência se as apurações confirmarem irregularidades? Afinal, não se trata de um episódio isolado. Quando a autoridade repete o padrão, e a Câmara se recusa a explicar, a confiança pública se deteriora.