Sobrecarga no trabalho dos controladores de tráfego aéreo vira alerta em vídeo do SNTPV

Jota

19 de janeiro de 2026

Sobrecarga no trabalho dos controladores de tráfego aéreo_Imagem Ilustrativa

A discussão sobre sobrecarga dos controladores de tráfego aéreo voltou ao centro do debate após uma publicação do Sindicato Nacional dos Trabalhadores na Proteção ao Voo (SNTPV) no Instagram. O conteúdo foi apresentado pela controladora de voo Isabela Pinho, que também atua como diretora sindical e diretora de comunicação da entidade.

Na mensagem, Isabela contrasta os recordes do setor com a rotina de quem atua na navegação aérea. Ao mesmo tempo, ela provoca uma reflexão direta: crescimento real ou sobrecarga operacional.

Sobrecarga no trabalho dos controladores de tráfego aéreo_Imagem Ilustrativa
Sobrecarga no trabalho dos controladores de tráfego aéreo_Imagem Ilustrativa

No texto do post, o SNTPV reconhece que a aviação brasileira “bate recordes”, mas questiona “quem sustenta esse crescimento”. Em seguida, o sindicato descreve um cenário marcado por “sobrecarga, precarização e falta de condições mínimas de trabalho”. Além disso, afirma falar “a partir do ponto de vista do trabalhador”, com base na vivência de quem mantém o sistema funcionando no dia a dia.

A publicação termina com uma provocação: se o avanço do setor representa desenvolvimento, ou “exploração disfarçada de sucesso”.

Na explanação, Isabela Pinho levanta um ponto central para reflexão: os controladores atravessam uma fase de crescimento ou de sobrecarga. Em seguida, ela relaciona o avanço do setor a mais passageiros, investimentos anunciados e manchetes comemorando expansão e inclusão social.

No entanto, ela questiona quem sustenta esse avanço e se o trabalhador não é remunerado proporcionalmente ao aumento da operação. Depois disso, ela afirma que o crescimento não seria novidade, exceto no período da pandemia, e cita programas do governo, planejamento e políticas públicas voltadas para a expansão do setor.

Ao mesmo tempo, ela diz que o que “nunca muda” é a invisibilidade de quem está na base do sistema. Além disso, ela amplia o recorte e inclui, na fala, profissionais que sustentam a navegação aérea no dia a dia. Entre eles, aparecem controladoras e controladores de tráfego aéreo, meteorologistas, profissionais de AIS, operadores de estação aeronáutica e equipes de manutenção, entre outros.

Segundo o discurso, enquanto os números sobem, a realidade do trabalho se deteriora, sem valorização ou reconhecimento. Na sequência, ela cita equipamentos defasados, escalas mais apertadas e horas extras constantes. Além disso, ela lança outra pergunta: isso é crescimento ou sobrecarga.

Ela também menciona situações que, segundo o relato, evidenciam precariedade estrutural, como locais de trabalho sem banheiro próximo. A partir disso, ela questiona que tipo de desenvolvimento ignora condições mínimas de dignidade.

Por fim, ela conclui que o sucesso da aviação não pode ser comemorado sem falar da precarização de quem sustenta a operação. Na fala, ela afirma que, se a aviação brasileira cresce, é porque os profissionais seguem dando conta, mesmo “à custa da própria vida e saúde”. Ela encerra com o questionamento “até quando?” e defende que garantir condições dignas não é favor, mas responsabilidade.

O SNTPV reforça o ponto de vista do trabalhador

Na mesma publicação, o sindicato exibe chamadas de matérias para ilustrar, segundo sua leitura, a relação entre recordes do setor e pressão sobre quem atua na linha de frente. Entre os exemplos citados, aparecem referências a conteúdo institucional e a reportagens da imprensa.

O post menciona uma publicação do Ministério de Portos e Aeroportos sobre recorde histórico de passageiros e investimentos em 2025. Além disso, cita números divulgados pelo governo federal, com valores atribuídos a obras em aeroportos e a recursos privados, recursos públicos diretos e crédito via FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil).

Também aparecem referências a reportagens sobre temas operacionais e condições de trabalho. Entre os exemplos, o sindicato cita uma matéria sobre falta de radar e uso de site não autorizado para orientar pilotos. Além disso, cita outra sobre controladores complementando renda com atividades paralelas, como motoristas de aplicativo e ministrando aulas, em vez de estarem em folga com suas famílias.

Em seguida, a publicação retoma a pergunta “quem sustenta esse crescimento” e reafirma que a rotina de quem mantém o sistema funcionando segue marcada por sobrecarga, precarização e falta de condições mínimas de trabalho.

Por que o tema aparece agora

O conteúdo do sindicato se conecta a um contexto em que órgãos e entidades vêm divulgando números fortes de movimentação. Em dezembro de 2025, por exemplo, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que o Brasil chegou a 130 milhões de passageiros no ano 2025, apontando a maior movimentação já registrada no país.

Além disso, a ANAC divulgou que a aviação internacional atingiu recorde histórico de passageiros antes do fim de 2025. No mesmo período, o mercado doméstico somou 92 milhões de passageiros entre janeiro e novembro.

Ou seja, a publicação do SNTPV entra numa mostragem que já vinha ganhando espaço. Afinal, quando a demanda cresce, a operação aumenta e a cobrança sobre a estrutura também cresce.