Decisão cita riscos críticos e altos e exige novas fiscalizações antes da retomada das operações
A suspensão da Total Linhas Aéreas impede a companhia de realizar operações aéreas desde 1º de setembro. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e não tem, até o momento, prazo definido para terminar.
A medida alcança integralmente as operações vinculadas ao Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa e atinge uma companhia que atua exclusivamente no transporte de cargas, inclusive em serviços contratados pelos Correios.
A decisão foi formalizada pela Diretoria Colegiada da ANAC por meio da Decisão nº 755/2026.

ANAC cita riscos críticos e altos
Para voltar a operar, a Total terá de cumprir uma série de exigências estabelecidas pela agência.
Entre elas está a necessidade de superar condições de risco e não conformidades identificadas pela fiscalização, incluindo ocorrências classificadas nos níveis crítico e alto.
A ANAC também relaciona exigências envolvendo aeronavegabilidade continuada, segurança operacional, segurança da aviação civil, estrutura administrativa e funcionamento dos sistemas internos de gerenciamento e supervisão.
A companhia ainda terá de regularizar controles de aeronavegabilidade e demonstrar a efetividade de processos voltados à identificação, comunicação e tratamento de riscos operacionais.
A decisão pública, porém, não detalha individualmente quais ocorrências foram classificadas como críticas ou de alto risco.
Por isso, não é possível relacionar essas classificações a uma aeronave, voo ou episódio específico apenas com base no documento divulgado pela agência.
Retorno não será automático
Mesmo depois das correções, a retomada dos voos dependerá de novas ações de fiscalização da ANAC.
A Total terá de apresentar resultados considerados satisfatórios pela agência antes de recuperar a autorização para operar.
Na prática, isso significa que a empresa permanece sem previsão pública para voltar ao ar.
A companhia informou à imprensa que trabalha junto à ANAC para regularizar a situação e afirmou que, até o momento, não houve cancelamento de contratos com clientes em razão da suspensão.
Fiscalização já havia avançado em agosto
A decisão de setembro não foi o primeiro ato recente da ANAC envolvendo as operações da Total.
Em 6 de agosto de 2026, a agência já havia expedido a Portaria nº 19.750/SIA, adotando uma providência administrativa acautelatória relacionada às operações da companhia.
O documento foi publicado no Diário Oficial da União em 11 de agosto, semanas antes da suspensão integral do COA.
Há ainda um antecedente de 2025, quando a ANAC suspendeu o Certificado de Organização de Manutenção da Total. A medida foi posteriormente revogada após o cumprimento das condições determinadas pela agência.
As duas situações, porém, envolvem certificados e processos diferentes.

Suspensão afeta operação dos Correios
A paralisação da Total também alcança uma parte da operação aérea contratada pelos Correios.
Em janeiro de 2025, a estatal informou oficialmente à Câmara dos Deputados que três aeronaves da Total eram utilizadas na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas.
No mesmo ano, a companhia venceu uma contratação dos Correios relacionada à Rede Postal Aérea Noturna.
Os Correios informaram que acionaram um plano de contingência após a suspensão e que os volumes anteriormente transportados pela Total estão sendo redistribuídos entre outros operadores logísticos contratados.
O tamanho dessa operação é relevante. Segundo o Relatório Integrado 2024 dos próprios Correios, a malha aérea da estatal movimentava mais de 315 toneladas de carga por dia, distribuídas por nove linhas aéreas.
Esse volume, entretanto, corresponde à rede aérea dos Correios como um todo e não exclusivamente à Total.
Relação já havia chamado atenção após incêndio
A operação da Total para os Correios também esteve no centro das atenções após o incêndio ocorrido em novembro de 2024 em uma aeronave cargueira da companhia que pousou em emergência em Guarulhos.
Depois daquele episódio, os Correios informaram à Câmara que passaram a trabalhar com a ANAC em um plano emergencial voltado à identificação de objetos postais contendo artigos perigosos destinados ao transporte aéreo.
Não há, porém, indicação na Decisão nº 755 de que aquele incêndio seja a causa direta da atual suspensão.
Agora, a retomada das operações da Total dependerá do cumprimento das exigências estabelecidas pela ANAC e da aprovação da agência após novas fiscalizações.






