ANAC suspende todos os voos da Total Linhas Aéreas por tempo indeterminado

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Jota A
3 de setembro de 2026

A suspensão da Total Linhas Aéreas impede a companhia de realizar operações aéreas desde 1º de setembro. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e não tem, até o momento, prazo definido para terminar.

A medida alcança integralmente as operações vinculadas ao Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa e atinge uma companhia que atua exclusivamente no transporte de cargas, inclusive em serviços contratados pelos Correios.

A decisão foi formalizada pela Diretoria Colegiada da ANAC por meio da Decisão nº 755/2026.

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Para voltar a operar, a Total terá de cumprir uma série de exigências estabelecidas pela agência.

Entre elas está a necessidade de superar condições de risco e não conformidades identificadas pela fiscalização, incluindo ocorrências classificadas nos níveis crítico e alto.

A ANAC também relaciona exigências envolvendo aeronavegabilidade continuada, segurança operacional, segurança da aviação civil, estrutura administrativa e funcionamento dos sistemas internos de gerenciamento e supervisão.

A companhia ainda terá de regularizar controles de aeronavegabilidade e demonstrar a efetividade de processos voltados à identificação, comunicação e tratamento de riscos operacionais.

A decisão pública, porém, não detalha individualmente quais ocorrências foram classificadas como críticas ou de alto risco.

Por isso, não é possível relacionar essas classificações a uma aeronave, voo ou episódio específico apenas com base no documento divulgado pela agência.

Mesmo depois das correções, a retomada dos voos dependerá de novas ações de fiscalização da ANAC.

A Total terá de apresentar resultados considerados satisfatórios pela agência antes de recuperar a autorização para operar.

Na prática, isso significa que a empresa permanece sem previsão pública para voltar ao ar.

A companhia informou à imprensa que trabalha junto à ANAC para regularizar a situação e afirmou que, até o momento, não houve cancelamento de contratos com clientes em razão da suspensão.

A decisão de setembro não foi o primeiro ato recente da ANAC envolvendo as operações da Total.

Em 6 de agosto de 2026, a agência já havia expedido a Portaria nº 19.750/SIA, adotando uma providência administrativa acautelatória relacionada às operações da companhia.

O documento foi publicado no Diário Oficial da União em 11 de agosto, semanas antes da suspensão integral do COA.

Há ainda um antecedente de 2025, quando a ANAC suspendeu o Certificado de Organização de Manutenção da Total. A medida foi posteriormente revogada após o cumprimento das condições determinadas pela agência.

As duas situações, porém, envolvem certificados e processos diferentes.

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A paralisação da Total também alcança uma parte da operação aérea contratada pelos Correios.

Em janeiro de 2025, a estatal informou oficialmente à Câmara dos Deputados que três aeronaves da Total eram utilizadas na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas.

No mesmo ano, a companhia venceu uma contratação dos Correios relacionada à Rede Postal Aérea Noturna.

Os Correios informaram que acionaram um plano de contingência após a suspensão e que os volumes anteriormente transportados pela Total estão sendo redistribuídos entre outros operadores logísticos contratados.

O tamanho dessa operação é relevante. Segundo o Relatório Integrado 2024 dos próprios Correios, a malha aérea da estatal movimentava mais de 315 toneladas de carga por dia, distribuídas por nove linhas aéreas.

Esse volume, entretanto, corresponde à rede aérea dos Correios como um todo e não exclusivamente à Total.

A operação da Total para os Correios também esteve no centro das atenções após o incêndio ocorrido em novembro de 2024 em uma aeronave cargueira da companhia que pousou em emergência em Guarulhos.

Depois daquele episódio, os Correios informaram à Câmara que passaram a trabalhar com a ANAC em um plano emergencial voltado à identificação de objetos postais contendo artigos perigosos destinados ao transporte aéreo.

Não há, porém, indicação na Decisão nº 755 de que aquele incêndio seja a causa direta da atual suspensão.

Agora, a retomada das operações da Total dependerá do cumprimento das exigências estabelecidas pela ANAC e da aprovação da agência após novas fiscalizações.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.