TCU arquiva investigação sobre voo da FAB e muda o eixo do debate
O TCU arquiva investigação sobre voo da FAB que trouxe Nadine Heredia ao Brasil em 16 de abril de 2025. O pedido pedia auditoria sobre legalidade, necessidade e economicidade do gasto público. Ainda assim, o tribunal apontou limite de atuação no caso.
A cobertura registra que o transporte custou cerca de R$ 345 mil aos cofres públicos. Além disso, os questionamentos partiram de uma solicitação do Congresso. Com isso, o tema voltou ao centro do noticiário nesta semana.

TCU arquiva investigação sobre voo da FAB e cita falta de competência
No despacho citado na imprensa, o TCU afirmou que não pode atuar “nos termos solicitados” porque a matéria “refoge à competência” da Corte de Contas. Ou seja, o tribunal não aceitou examinar o mérito da operação do jeito que o pedido formulou.
Na prática, o TCU comunicou a impossibilidade de fazer a auditoria ampla pedida. Ao mesmo tempo, o caso seguiu no debate público por envolver gasto, logística e decisão de Estado.
Relembra o que ocorreu em abril de 2025
Nadine Heredia foi primeira-dama do Peru entre 2011 e 2016. Em abril de 2025, a Justiça peruana condenou Nadine e Ollanta Humala a 15 anos de prisão, segundo registros jornalísticos e repercussão internacional do caso.
Depois da condenação, Nadine buscou abrigo na Embaixada do Brasil em Lima. Em seguida, o governo brasileiro concedeu asilo diplomático, que é a proteção dada dentro de uma missão diplomática. Logo após, o Peru concedeu salvo-conduto, que é a autorização formal para a saída do território.
O Itamaraty publicou nota em 16 de abril de 2025. Nela, o ministério informou que Nadine e o filho chegaram ao Brasil naquela manhã. Além disso, citou a Convenção de Asilo Diplomático de 1954, assinada em Caracas, como base jurídica.
O pano de fundo da condenação que levou Nadine Heredia ao asilo
A condenação de Nadine Heredia no Peru não ocorreu de forma isolada nem por fatos genéricos. A Justiça peruana responsabilizou a ex-primeira-dama e o ex-presidente Ollanta Humala por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro ligados ao financiamento irregular de campanhas eleitorais.
Segundo decisões judiciais e investigações conduzidas no Peru, o casal recebeu recursos ilícitos de grandes construtoras brasileiras, que atuaram no país andino de forma semelhante ao que já havia sido apurado no Brasil. Entre elas, aparecem empresas como a Odebrecht — hoje rebatizada como Novonor — e a OAS.
As investigações apontaram que esses grupos empresariais utilizaram pagamentos ilegais, doações ocultas e estruturas de corrupção transnacional para interferir em processos eleitorais, comprar influência política e viabilizar contratos públicos, tanto no Peru quanto em outros países da América Latina.
Esse mesmo modus operandi já havia sido amplamente documentado no Brasil no âmbito da Operação Lava Jato, o que reforçou o caráter internacional do esquema. No caso peruano, a Justiça entendeu que os recursos ilícitos foram decisivos para campanhas presidenciais, configurando crimes eleitorais e patrimoniais.
É esse histórico que explica por que a condenação de Nadine Heredia gerou repercussão imediata fora do Peru e por que a concessão de asilo pelo Brasil, seguida do uso de aeronave da Força Aérea Brasileira, passou a ser questionada por parlamentares, órgãos de controle e pelo Judiciário.
O custo vira ponto sensível
A imprensa registrou o valor aproximado de R$ 345 mil para a operação. Por isso, parte do debate passou a tratar de transparência e detalhamento dos registros de despesa.
Em 2025, reportagens também relataram a imposição de sigilo por cinco anos sobre informações do voo e seus custos. Esse ponto alimentou pedidos de apuração e pressão por documentos.
Justiça Federal cobra documentos e reforça o pedido por registros oficiais
Embora o eixo desta matéria seja o TCU, um capítulo paralelo ganhou força. A Justiça Federal determinou prazo para a União apresentar documentos ligados ao asilo e ao deslocamento. A decisão saiu na 5ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, conforme registro já publicado no AeroJota.
O despacho cobra explicações formais sobre o uso de aeronave da FAB e pede que a União junte registros do procedimento. Assim, o processo busca lastro documental, não versões políticas.
Até agora, a Justiça Federal não julgou o mérito do asilo. Ela apenas organizou a fase inicial, fixou prazo e exigiu documentação para análise objetiva.





