O tratamento aos veteranos revela muito sobre a visão de Estado de cada país
Por Wagner Fratti
Ao observar como outras nações tratam seus veteranos, fica evidente que esse reconhecimento vai muito além de um gesto simbólico. Na prática, trata-se de uma política de Estado com efeitos diretos sobre a coesão nacional, a prontidão estratégica e a própria identidade do país. Quando uma nação valoriza quem serviu, ela preserva sua memória, fortalece seu senso de pertencimento e ainda amplia sua capacidade de responder a crises.

A imagem representa diferentes modelos de valorização dos veteranos no mundo. Além disso, reforça a discussão sobre como o Brasil ainda trata esse tema de forma limitada.
Estados Unidos, Reino Unido e Israel tratam veteranos como ativos nacionais
Nos Estados Unidos, o veterano ocupa posição central na narrativa nacional. Após a Segunda Guerra Mundial, o país consolidou uma cultura de valorização institucional com políticas amplas e permanentes. O Department of Veterans Affairs ( Departamento de Assuntos dos Veteranos dos Estados Unidos), oferece atendimento em saúde, educação, apoio habitacional e assistência psicológica a milhares de ex-militares. Além disso, empresas valorizam esses profissionais por atributos como disciplina, resiliência, liderança sob pressão e tomada de decisão.
No Reino Unido, a valorização também se mostra profunda e consistente. Organizações como a Royal British Legion ( Legião Real Britânica), exercem papel importante no apoio aos veteranos e às suas famílias. Ao mesmo tempo, cerimônias e datas como o Remembrance Day (Dia da Lembrança), reforçam anualmente a memória coletiva e o respeito nacional por aqueles que serviram.
Já em Israel, o serviço militar integra a própria estrutura da sociedade. Nesse contexto, o veterano não é visto como alguém que apenas cumpriu uma etapa da vida. Pelo contrário, ele continua sendo percebido como um ativo estratégico da nação. Sua experiência é valorizada no setor privado, na política e no desenvolvimento tecnológico, o que cria uma ligação direta entre defesa, inovação e crescimento nacional.
O Brasil ainda carece de uma política estruturada para seus veteranos
Esses exemplos revelam um padrão claro: nações que valorizam seus veteranos constroem sociedades mais resilientes, com maior senso de pertencimento e melhor capacidade de resposta diante de desafios. O contraste com o Brasil, portanto, é inevitável. Apesar da atuação destacada na Segunda Guerra Mundial e da contribuição contínua de suas Forças Armadas em diferentes momentos da história, o país ainda não estruturou uma política consistente de valorização dos veteranos.
Quando o reconhecimento existe, ele costuma surgir de forma pontual, fragmentada e dependente de iniciativas isoladas. Esse cenário compromete não apenas a preservação da memória histórica, mas também a capacidade de transformar experiência militar em capital estratégico para o desenvolvimento nacional. Por isso, a discussão sobre o tratamento dado aos veteranos não diz respeito apenas ao passado. O que está em jogo também é o futuro do Brasil.
Wagner Tadeu Fratti
Veterano Associação dos Veteranos da Força Aérea Brasileira – AVFAB





