O tratamento aos veteranos no mundo: uma lição estratégica ao Brasil

Jota

25 de março de 2026

O tratamento aos veteranos no mundo_Imagem Ilustrativa

Ao observar como outras nações tratam seus veteranos, fica evidente que esse reconhecimento vai muito além de um gesto simbólico. Na prática, trata-se de uma política de Estado com efeitos diretos sobre a coesão nacional, a prontidão estratégica e a própria identidade do país. Quando uma nação valoriza quem serviu, ela preserva sua memória, fortalece seu senso de pertencimento e ainda amplia sua capacidade de responder a crises.

 O tratamento aos veteranos no mundo_Imagem Ilustrativa
O tratamento aos veteranos no mundo_Imagem Ilustrativa

A imagem representa diferentes modelos de valorização dos veteranos no mundo. Além disso, reforça a discussão sobre como o Brasil ainda trata esse tema de forma limitada.

Nos Estados Unidos, o veterano ocupa posição central na narrativa nacional. Após a Segunda Guerra Mundial, o país consolidou uma cultura de valorização institucional com políticas amplas e permanentes. O Department of Veterans Affairs ( Departamento de Assuntos dos Veteranos dos Estados Unidos), oferece atendimento em saúde, educação, apoio habitacional e assistência psicológica a milhares de ex-militares. Além disso, empresas valorizam esses profissionais por atributos como disciplina, resiliência, liderança sob pressão e tomada de decisão.

No Reino Unido, a valorização também se mostra profunda e consistente. Organizações como a Royal British Legion ( Legião Real Britânica), exercem papel importante no apoio aos veteranos e às suas famílias. Ao mesmo tempo, cerimônias e datas como o Remembrance Day (Dia da Lembrança), reforçam anualmente a memória coletiva e o respeito nacional por aqueles que serviram.

Já em Israel, o serviço militar integra a própria estrutura da sociedade. Nesse contexto, o veterano não é visto como alguém que apenas cumpriu uma etapa da vida. Pelo contrário, ele continua sendo percebido como um ativo estratégico da nação. Sua experiência é valorizada no setor privado, na política e no desenvolvimento tecnológico, o que cria uma ligação direta entre defesa, inovação e crescimento nacional.

Esses exemplos revelam um padrão claro: nações que valorizam seus veteranos constroem sociedades mais resilientes, com maior senso de pertencimento e melhor capacidade de resposta diante de desafios. O contraste com o Brasil, portanto, é inevitável. Apesar da atuação destacada na Segunda Guerra Mundial e da contribuição contínua de suas Forças Armadas em diferentes momentos da história, o país ainda não estruturou uma política consistente de valorização dos veteranos.

Quando o reconhecimento existe, ele costuma surgir de forma pontual, fragmentada e dependente de iniciativas isoladas. Esse cenário compromete não apenas a preservação da memória histórica, mas também a capacidade de transformar experiência militar em capital estratégico para o desenvolvimento nacional. Por isso, a discussão sobre o tratamento dado aos veteranos não diz respeito apenas ao passado. O que está em jogo também é o futuro do Brasil.

Wagner Tadeu Fratti
Veterano Associação dos Veteranos da Força Aérea Brasileira – AVFAB