Treinamento de pilotos eVTOL, Joby Aviation dá a largada com simuladores da CAE

Jota

10 de janeiro de 2026

Treinamento-de-pilotos-para-eVTOL_Imagem-Joby-Aviation

Treinamento de pilotos eVTOL virou um divisor de águas na corrida dos chamados táxis aéreos, nome dado a operações que usam aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical para transporte de passageiros em rotas curtas, normalmente sobre áreas urbanas, os chamados eVTOLs.

Treinamento-de-pilotos-para-eVTOL_Imagem-Joby-Aviation
Treinamento-de-pilotos-para-eVTOL_Imagem-Joby-Aviation

Diferentemente de helicópteros tradicionais, esses veículos foram pensados para voos frequentes, com menor ruído, operação elétrica e integração direta com o sistema de transporte das cidades, conectando aeroportos, centros financeiros e regiões metropolitanas.

Por isso, quando uma fabricante começa a estruturar treinamento, simuladores e padrão operacional, o tema deixa de ser conceitual e passa a entrar no campo da aviação certificada.

Agora, a Joby Aviation deu um passo concreto ao receber o primeiro simulador de voo fabricado pela CAE, empresa canadense cujo nome vem de Canadian Aviation Electronics, que atua como uma das maiores desenvolvedoras globais de simuladores e dispositivos de treinamento para aviação civil, militar e mercado de treinamento profissional.

Ou seja, neste caso, a CAE entra como fabricante e integradora do equipamento. Já a operação do treinamento e a formação dos pilotos ficam sob responsabilidade da própria Joby Aviaton, dentro do seu centro de treinamento, que fica em Marina, na Califórnia, nas instalações da empresa próximas ao Marina Municipal Airport.

Ainda existe muita promessa no mercado de eVTOL, porém nem tudo virou rotina operacional. Por isso, quando uma fabricante estrutura escola, simulador e padrão de treinamento, ela muda o patamar.

Além disso, o tema importa porque o setor precisa de escala. Assim, não basta certificar a aeronave, já que também será necessário formar gente pronta para voar.

A Joby Aviation é uma empresa dos Estados Unidos, da cidade de Santa Cruz, Califórnia, focada em eVTOL para transporte de passageiros. Em outras palavras, ela quer operar “air taxi” com aeronaves elétricas, levando pessoas em rotas curtas.

O projeto da Joby prevê uma aeronave com um piloto e quatro passageiros. Além disso, a empresa divulga desempenho na faixa de até 200 mph (aprox. 322 km/h) e alcance de até 150 milhas (aprox. 241 km) em condições específicas.

Enquanto isso, a Joby Aviation também reforçou sua estratégia industrial com apoio da Toyota. Assim, o plano inclui eficiência de produção e preparação para aumentar capacidade ao longo dos próximos anos.

Joby-Aviation-e-Toyota-em-parceria-com-eVTOL_Imagem-Joby-Aviation
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A CAE, tradicional fornecedora de simuladores para aviação comercial e militar, entregou o primeiro de dois simuladores para a Joby. Dessa forma, a empresa inicia um ciclo de treinamento com infraestrutura semelhante à de companhias aéreas.

O primeiro equipamento é do tipo fixed base – base fixa -, baseado na família CAE 3000 Series. Além disso, a Joby espera qualificar esse dispositivo junto à FAA como Level 7 Flight Training Device.

Já o segundo simulador deve chegar mais adiante, com movimento completo. Assim, a meta é obter qualificação como Level C Full Flight Simulator, reproduzindo o voo em múltiplos eixos.

Na aviação, simulador não serve apenas para “treinar bonito”. Pelo contrário, a qualificação do equipamento define o que conta como treinamento válido, especialmente quando o regulador exige padrão de segurança comparável ao da aviação comercial.

Além disso, a FAA avançou com regras para integração e certificação de powered lift, que é a categoria de aeronave definida pela FAA para veículos que dependem de potência do motor para gerar sustentação durante a decolagem e o pouso, mas que transitam para voo sustentado aerodinamicamente em cruzeiro, é a categoria onde muitos eVTOL se encaixam. Assim, o tema de simuladores ganhou peso, porque influencia diretamente a formação e a habilitação do piloto.

Em termos simples, quanto mais alto for o nível do simulador, mais ele pode substituir horas em voo real. Por isso, a combinação Level 7 e Level C ajuda a acelerar escala sem abrir mão de padronização.

Com os dois simuladores em operação, a Joby estima capacidade para treinar até 250 pilotos por ano. Isso é relevante porque o setor inteiro discute “entrada em serviço”, porém poucos mostram como vão colocar pilotos na linha.

Além disso, a lógica é clara: conforme a certificação avança, a empresa precisa de gente treinada antes do lançamento comercial. Assim, o simulador entra como ferramenta para reduzir gargalo de última hora.

Enquanto muitos concorrentes ainda vendem visão, a Joby Aviation tenta organizar processo. Por isso, esse anúncio chama atenção além do marketing.

O pacote sugere uma preparação mais próxima de “companhia aérea” do que de “startup em testes”. Além disso, diversas publicações do setor apontam que a entrega do simulador faz parte da prontidão para operações comerciais.

Ao mesmo tempo, a própria Joby vem comunicando expansão de capacidade industrial e ambições operacionais. Assim, o simulador se encaixa como peça de um tabuleiro maior, que inclui produção, certificação e treinamento.

No entanto, ainda existe um ponto decisivo: o cronograma final depende de marcos regulatórios. Por isso, o simulador ajuda, mas não substitui a etapa de certificação.

E o Brasil nisso tudo

Esse avanço da Joby interessa ao público brasileiro por um motivo simples: a discussão sobre eVTOL aqui não é teórica. Além disso, a parceria Embraer e CAE já apareceu em iniciativas de treinamento e suporte ligadas ao ecossistema de mobilidade aérea avançada.

Assim, quando a CAE entrega infraestrutura para a Joby Aviation, ela reforça um padrão que pode influenciar futuras operações globais. Em outras palavras, o “modelo de escola e simulador” tende a virar referência.

Com o avanço do treinamento de pilotos para os eVTOL, o setor de mobilidade aérea avançada começa a sair do campo conceitual e entra em uma fase mais próxima da aviação comercial, com simuladores certificados, regras claras e exigências operacionais definidas.

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