Última fuselagem do Super Hornet é construída e Boeing se prepara para encerrar a produção do caça

Jota

30 de janeiro de 2026

Última fuselagem do Super Hornet é construída _Imgem Boeing

A indústria de defesa dos Estados Unidos se aproxima do fim de uma era na aviação embarcada. A última fuselagem, destinada à produção de novos caças Boeing F/A-18E/F Super Hornet, foi concluída oficialmente, sinalizando que a cadeia industrial do modelo já entrou na reta final.

O marco envolve a Northrop Grumman, empresa responsável por partes estruturais importantes do Super Hornet, como seções da fuselagem e componentes de cauda. A fuselagem é o “corpo” principal do avião, onde se conectam asas, trem de pouso, motores e cabine. Por isso, quando o último conjunto estrutural fica pronto, a linha passa a depender apenas das peças já produzidas anteriormente.

A conclusão dessas estruturas não significa que o último jato já saiu da fábrica. No entanto, indica que não haverá novas fuselagens além das aeronaves já contratadas e em diferentes estágios de montagem.

Última fuselagem do Super Hornet é construída _Imgem Boeing
Última fuselagem do Super Hornet é construída _Imgem Boeing
Encerramento da linha do Super Hornet até 2027

A Boeing planeja encerrar a montagem de novos Super Hornet de forma gradual, com horizonte até 2027. Esse prazo acompanha os últimos contratos da Marinha dos Estados Unidos, principal operadora do modelo. As unidades finais seguem o padrão Block III, a configuração mais atual da aeronave.

O Block III reúne melhorias pensadas para manter o caça relevante por mais tempo. Entre os pontos citados com frequência estão avanços em conectividade, melhorias de cabine e reforços para extensão de vida útil. Assim, mesmo com o fim da produção, a frota existente tende a permanecer ativa por décadas.

Por que a produção está terminando

O encerramento se relaciona principalmente à falta de novos pedidos. Nos últimos anos, a Boeing buscou clientes internacionais, mas não acumulou encomendas suficientes para manter a linha por prazo indefinido. Além disso, a Marinha dos EUA vem ampliando sua transição para o F 35C Lightning II, variante naval do programa F 35, e avalia o futuro F/A-XX, conceito de caça embarcado de próxima geração.

Enquanto isso, a versão de guerra eletrônica EA 18G Growler, derivada do Super Hornet, também caminha para depender apenas de suporte e modernizações, sem nova produção em ritmo elevado.

Com a redução do Super Hornet, a Boeing prepara a realocação de capacidade industrial para outros programas, como o F-15EX Eagle II e o treinador T-7A Red Hawk. Paralelamente, a empresa mantém o compromisso de suporte logístico, manutenção e atualizações para as aeronaves que continuarão operando.

Na prática, o fim da linha encerra um ciclo industrial, mas não retira o caça do convés. O Super Hornet seguirá cumprindo missões de defesa aérea, ataque ao solo e escolta a partir de porta-aviões, sustentado por modernizações e pela necessidade de manter disponibilidade operacional até a consolidação das próximas plataformas.