FAB restringe voos de autoridades e prioriza caças em meio à crise orçamentária

Jota

7 de janeiro de 2026

AB restringe voos de autoridades e prioriza caças _Imagem Ilustrativa

A Força Aérea Brasileira voltou ao centro do debate por um motivo que irrita qualquer contribuinte: o uso de aeronaves militares como se fossem um serviço paralelo particular de transporte VIP, gratuito para políticos e amigos. No entanto, desta vez, a notícia aponta para um freio.

AB restringe voos de autoridades e prioriza caças _Imagem Ilustrativa
AB restringe voos de autoridades e prioriza caças _Imagem Ilustrativa

De acordo com publicações recentes, a FAB passou a restringir o transporte de autoridades e a priorizar a prontidão, com foco em manter caças e missões operacionais em condições de emprego.

Segundo os textos publicados pelo site Defesa em Foco e repercutidos pelo site Sociedade Militar, a Aeronáutica teria endurecido o filtro a partir do fim de 2025. Assim, voos com justificativa frágil, baixa ocupação ou agenda sem aderência institucional teriam enfrentado mais negativas.

As matérias também associam a mudança a um cenário de crise orçamentária, com tentativa de redirecionar recursos para manter manutenção, treinamento e disponibilidade operacional.

Quando falta dinheiro, todo órgão público precisa escolher prioridades. Mesmo assim, a escolha mais óbvia deveria vir primeiro: missão operacional acima de conforto político.

Além disso, quando uma autoridade pede um jato militar para agenda nebulosa, o prejuízo não fica só no combustível, taxas aeroportuárias, alimentação e bebidas a bordo, aeronave fora do serviço oficial e tripulação dedicada a disposição do político. Ele vira desgaste público, vira descrédito e vira mais munição para quem diz que “tudo é privilégio”. Por isso, a FAB precisava reagir.

Era tempo da FAB tomar uma atitude para não ficar mais desmoralizada do que já está.

As reportagens citam redução de missões e cifras anuais, porém não apresentam, no corpo do texto, uma planilha oficial detalhada que permita checar cada número. Então, por prudência, esses valores e comparativos devem ser tratados como informação reportada pela imprensa, e não como dado oficialmente consolidado.

Ainda assim, o pano de fundo é simples: se a FAB fecha a torneira do voo “questionável”, ela protege caixa e protege reputação.

O escândalo mais recente que ajuda a entender o tamanho do problema

Se alguém ainda duvida da necessidade de endurecer regras, basta olhar o episódio mais recente que explodiu no noticiário, dentre tantos que não chega no conhecimento público.

Reportagens apontam que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria utilizado uma aeronave da FAB para viajar, com amigos, a lazer e de graça, de João Pessoa (PB) ao Rio de Janeiro (RJ) em 26 de dezembro de 2025, levando 11 passageiros, segundo a reportagem citada pelas publicações.

O problema não para aí. Segundo as mesmas informações, não havia compromisso oficial público registrado para justificar aquele deslocamento no período, e o grupo teria seguido para passar o Réveillon em Angra dos Reis.

E aqui entra o detalhe que fere o cidadão comum: o passeio custa caro, mas a conta não chega para quem embarca. Ela chega para quem paga imposto.

Apesar de não houver confirmação pública, até aqui, de que a aeronave tenha voltado para buscar os passageiros em Angra, o fato de ter ido, já gera revolta. Portanto, esse ponto permanece não confirmado e exige prova objetiva antes de virar afirmação categórica, mas é quase certo que voltou.

Não é só uma discussão sobre logística. É uma discussão sobre moralidade administrativa e respeito ao contribuinte.

Quando um jato executivo da FAB entra na rotina de agendas privadas, o sinal para o país é péssimo: quem manda tem conforto garantido, enquanto a estrutura que deveria defender o território luta para manter o básico funcionando.

Não por acaso, notícias recentes também relatam movimentação do Ministério Público junto ao TCU pedindo apuração sobre o uso de aeronaves da FAB pelo presidente da Câmara, justamente por suspeita de desvio de finalidade em deslocamentos sem interesse público comprovado.

A FAB não existe para bancar turismo de luxo gratuito, nem para funcionar como “aplicativo de jatinho” quando convém. Ela existe para operar, treinar e manter prontidão.

Por isso, se a Aeronáutica apertou realmente o cerco, ela dá um recado importante. O Brasil precisa de Força Aérea operando com seriedade. Além disso, o contribuinte precisa ver que alguém, enfim, puxou o freio.

E se o resultado final for menos “voo de conveniência” e mais horas de missão, então a decisão chega atrasada. No entanto, ela chega necessária.

FAB restringe voos de autoridades e prioriza caças _Imagem Ilustrativa
FAB restringe voos de autoridades e prioriza caças _Imagem Ilustrativa

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