Veteranos militares podem ser uma vantagem estratégica ignorada pelas empresas brasileiras

Jota

1 de abril de 2026

Veteranos militares no mercado corporativo_Imagem Ilustrativa

Veteranos militares no mercado corporativo ainda representam um ativo de alto valor pouco aproveitado no Brasil. Em um cenário global marcado por incertezas, riscos híbridos e alta competitividade, o ambiente corporativo passou a exigir competências que vão além da formação técnica tradicional. Ainda assim, o país continua subutilizando esse potencial, mesmo em áreas nas quais experiência, disciplina e resposta sob pressão fazem diferença real.

Veteranos militares no mercado corporativo_Imagem Ilustrativa
Veteranos militares no mercado corporativo_Imagem Ilustrativa

A formação militar desenvolve atributos críticos para o mundo corporativo. Entre eles, destacam-se a liderança em ambientes de pressão, a tomada de decisão com informações incompletas, a gestão de crises, a disciplina operacional e o forte senso de missão. Por isso, empresas podem aproveitar essas competências em áreas como segurança corporativa, gestão de riscos, compliance e continuidade de negócios.

No entanto, a cultura empresarial brasileira ainda não reconhece esse potencial de forma plena. Em países como Estados Unidos e Israel, por exemplo, empresas priorizam veteranos em processos seletivos estratégicos. Já no Brasil, ainda existe desconhecimento e, em alguns casos, preconceito em relação ao perfil do ex-militar. Assim, muitas organizações deixam de incorporar profissionais que poderiam agregar preparo, estabilidade e visão de missão.

Essa realidade representa uma perda concreta de vantagem competitiva. Veteranos são, por natureza, profissionais orientados a resultados, com elevada capacidade de trabalho em equipe, resiliência emocional e compromisso com objetivos institucionais. Além disso, em áreas sensíveis, como a segurança corporativa, sobretudo em um país com desafios estruturais como o Brasil, essas qualidades deixam de ser apenas desejáveis. Elas se tornam essenciais.

Além do desempenho técnico, a presença de veteranos no ambiente corporativo fortalece a cultura organizacional. Isso ocorre porque esses profissionais carregam valores sólidos, como ética, responsabilidade, disciplina e comprometimento. Dessa maneira, sua atuação não contribui apenas para a execução de tarefas. Ela também ajuda a construir ambientes mais coesos, confiáveis e preparados para lidar com pressão.

Para que esse potencial seja plenamente aproveitado, é necessário avançar em duas frentes. De um lado, as empresas precisam reconhecer de forma estratégica o valor do veterano. De outro, instituições públicas e privadas precisam criar programas de transição e capacitação voltados ao mercado civil. Sem esse movimento conjunto, o Brasil continuará desperdiçando talentos que já chegam prontos para enfrentar cenários complexos.

O veterano não deve ser visto como alguém em fim de trajetória. Ao contrário, veteranos militares no mercado corporativo, precisa ser reconhecido como um profissional em plena capacidade de gerar impacto, agregar estabilidade e contribuir para ambientes corporativos mais preparados diante de riscos e desafios contemporâneos.

Wagner Tadeu Fratti – Veterano da Força Aérea Brasileira e da AVFAB