Voos cancelados nos aeroportos do México após morte de El Mencho expõem o efeito dominó em Guadalajara e Puerto Vallarta

Jota

23 de fevereiro de 2026

Voos cancelados nos aeroportos do México_Imagem ilustrativa 1

Voos cancelados nos aeroportos do México após a morte de El Mencho (um narco-traficante local) viraram, em poucas horas, o sinal mais visível de um domingo tenso em Jalisco. Ao mesmo tempo, vídeos de correria circularam nas redes e alimentaram a dúvida: houve ataque dentro do aeroporto, ou foi pânico coletivo?

A resposta, por enquanto, exige separar o que autoridades e operadores confirmaram do que apareceu apenas em relatos e gravações. Por isso, a história ganha contorno de aviação real: pista aberta não significa operação “normal”.

Voos cancelados nos aeroportos do México_Imagem ilustrativa
Voos cancelados nos aeroportos do México_Imagem ilustrativa

Autoridades mexicanas confirmaram a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, apontado como líder do CJNG, sigla para Cartel de Jalisco Nova Geração. Em seguida, diversos estados registraram bloqueios e incêndios de veículos, enquanto turistas passaram a receber orientações para reduzir deslocamentos.

Nesse cenário, a aviação vira termômetro porque ela depende de três camadas ao mesmo tempo: acesso terrestre ao terminal, disponibilidade de tripulação e decisão operacional das companhias. Assim, um aeroporto pode manter pista e pátio ativos, mas ainda sofrer cortes na malha.

Em Guadalajara (GDL), o operador local informou que o terminal manteve operações regulares, sem cancelamentos e sem incidentes confirmados dentro das instalações. Ainda assim, a administração reconheceu que vídeos e postagens causaram “psicose” em parte do público, o que explica cenas de correria sem apontar um ataque interno como fato confirmado.

Ao mesmo tempo, forças federais reforçaram a segurança no entorno, o que elevou a percepção de risco e aumentou a tensão de quem já estava no saguão. Desse modo, a sensação de ameaça pode ter “empurrado” decisões preventivas, mesmo sem ocorrência formal registrada no interior do terminal.

Em Puerto Vallarta (PVR), a história seguiu outro caminho: companhias cancelaram voos e derrubaram a conectividade, apesar de comunicados indicarem que a infraestrutura seguia sob resguardo. Na prática, o passageiro enfrenta o pior dos mundos, porque ele vê o aeroporto “funcionar”, mas não encontra voo para embarcar.

Além disso, relatos de bloqueios em vias próximas ao aeroporto pesaram na decisão de companhias, que precisam transportar tripulações, organizar turnarounds, é organizar a virada do avião: tudo o que precisa acontecer entre o pouso e a próxima decolagem para aquela mesma aeronave voltar a operar no horário (ou com o menor atraso possível), e manter rotas de abastecimento.

Por isso, a disrupção em PVR aparece muito mais como efeito do ambiente de segurança do que como dano confirmado dentro do terminal.

A situação também apareceu em comunicados de empresas que citaram cancelamentos envolvendo Manzanillo e Tepic, o que amplia o quadro para além de um único aeroporto. Ainda assim, cada local pode ter gatilhos diferentes, então vale evitar generalizações quando a fonte não descreve o motivo específico.

Esse ponto importa porque “região” não significa um único padrão operacional. Em momentos assim, a malha pode mudar por janelas, e uma cidade volta a operar enquanto outra ainda vive bloqueios em rodovias.

A Embaixada dos EUA no México divulgou orientação para que servidores em áreas específicas ficassem abrigados e pediu que cidadãos adotassem postura semelhante onde houvesse bloqueios. O comunicado também indicou que, em outros estados citados em alertas anteriores, a situação já havia voltado ao normal, o que mostra como o mapa de risco muda rápido.

Na mesma linha, empresas aéreas publicaram alerta para que clientes não seguissem para o aeroporto sem confirmação da posição do voo. Ou seja, o recado mais prático, em aviação, continua sendo o mais simples: primeiro confirme pelo canal oficial, depois se mova.

Quem está em Jalisco ou tem viagem marcada para a região precisa checar três frentes antes de sair do hotel: status do voo, orientação do aeroporto e condições de acesso por rodovias. Para isso, vale usar o app da companhia, e-mail de reacomodação e canais oficiais de estrada, como a CAPUFE, órgão federal responsável por rodovias e pontes.

Além disso, em dias de operação instável, a companhia costuma liberar política de flexibilidade, o que permite remarcar sem multa e, em alguns casos, pedir reembolso. Mesmo assim, o passageiro deve registrar tudo por escrito, porque isso ajuda na reacomodação e em eventuais pedidos posteriores.

Voos cancelados nos aeroportos do México após a morte de El Mencho não descrevem apenas um episódio policial. Eles mostram como a aviação reage ao risco operacional. Enquanto Guadalajara divulgou nota negando incidente interno e atribuiu o pânico a vídeos, Puerto Vallarta sentiu o peso de cancelamentos e de acessos pressionados.

A partir daqui, a história depende de novas notas oficiais e de atualizações das empresas. Por isso, o site AeroJota segue monitorando o caso. Se surgirem confirmações adicionais sobre incidentes em terminais, o texto será atualizado.