Greve na Argentina afeta voos entre os dois países e o efeito dominó começa no “invisível” do aeroporto

Jota

20 de fevereiro de 2026

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Voos cancelados por greve na Argentina viraram a primeira notícia para quem chegou cedo ao aeroporto e encontrou o painel tomado por um aviso seco: “cancelado”. No entanto, o gatilho não nasceu no ar, e sim no chão. Quando uma paralisação atinge a operação de bastidores, o voo pode até estar escalado, porém não consegue completar o ciclo básico de solo. Em outras palavras, sem rampa (aqueles que fazem a aeronave “acontecer” no solo: bagagem, pushback, abastecimento/apoio, coordenação no pátio), a aeronave não “gira” com segurança e o efeito dominó começa rápido.

Por isso, em rotas como Brasil–Buenos Aires, uma falha de poucos minutos no aeroporto pode se transformar em horas de reacomodação, conexões perdidas e remarcações em cadeia. É assim que voos cancelados por greve na Argentina acabam aparecendo também do lado brasileiro.

Greve na Argentina afeta voos entre os dois países_Imagem Ilustrativa
Greve na Argentina afeta voos entre os dois países_Imagem Ilustrativa

A greve geral na Argentina ocorreu em 18 e 19 de fevereiro de 2026 e foi ligada ao debate de uma reforma trabalhista no Congresso. Na prática, companhias e aeroportos reportaram cancelamentos e reprogramações, com reflexo direto em voos internacionais.

No caso da LATAM, a própria empresa citou a adesão de sindicatos ligados à Intercargo, que presta serviços de rampa em aeroportos do país. Quando a rampa e o apoio travam, o avião até pode estar “pronto”, mas não consegue cumprir o ciclo normal de solo.

Na Argentina, a Aerolíneas Argentinas anunciou o cancelamento de 255 voos no dia 19, em meio à paralisação.

Do lado brasileiro, houve impacto relevante em aeroportos com muitas rotas para Buenos Aires. Levantamentos publicados na imprensa apontaram mais de 80 voos cancelados entre os dois países e indicaram terminais como Galeão, Guarulhos e Florianópolis entre os mais afetados.

O passageiro costuma imaginar que o voo é cancelado por aeronave quebrada ou tempo ruim. Só que, em greve, o gargalo pode ser outro: sem equipe e serviços no solo, o avião não gira. E quando um trecho cai, ele derruba conexões, tripulações e a posição da aeronave para o próximo voo.

Por isso, o efeito dominó aparece assim: um cancelamento em Buenos Aires pode virar atraso no Brasil, e um atraso aqui pode virar cancelamento lá, porque o avião “não está onde deveria estar” no horário certo.

Relatos na imprensa indicaram que GOL e LATAM tiveram voos afetados com reprogramações e alguns cancelamentos, com orientação para checar posição e possibilidades de remarcação.

Checklist rápido (salva tempo e fila):

  • Cheque o status no aplicativo/site da companhia antes de ir ao aeroporto.
  • Se estiver em conexão, veja se o trecho anterior mudou (isso costuma “quebrar” o resto do itinerário).
  • Guarde prints do status, horário e mensagens recebidas.

Pela Resolução 400 da ANAC, em casos de atraso/cancelamento, a companhia deve garantir informação, assistência material conforme o tempo de espera e opções como reacomodação e reembolso, de acordo com o caso. A ANAC também resume esses direitos em orientação ao passageiro.

Além disso, existe um ponto importante no radar: em 6 de fevereiro de 2026, a ANAC publicou conteúdo sobre proposta de atualização das regras ligadas a atrasos e cancelamentos, o que mostra como o tema segue em debate regulatório.

O que esperar agora

Mesmo quando uma greve termina, a malha aérea costuma levar um tempo para “se reencaixar”, porque aeronaves e tripulações precisam voltar às posições originais. Então, o mais provável é ver reprogramações e ajustes ainda por um curto período, especialmente nas rotas mais densas com Buenos Aires.