Voos da FAB servindo à agenda política em 2025 viraram um número difícil de defender
Voos da FAB servindo à agenda política em 2025 deixaram de ser provocação e viraram cobrança. O número é grande demais para deixar passar batido. Quando você coloca 1.286 voos em 365 dias, o cálculo é direto. Dá mais de três voos por dia, sem pausa. A partir daí, não adianta chamar de “normal”. Esse tipo de repetição cria um padrão. E, numa Força Aérea, padrão tem nome: prioridade.
A R7 Planalto, em reportagem assinada por Edis Henrique Peres, publicou que a FAB realizou 1.286 voos de apoio para autoridades em 2025, levando 9.977 passageiros. Já o jornalista Lúcio Vaz, em material divulgado na Gazeta do Povo, citava 1.145 missões no mesmo período. Os recortes podem variar, porém o espanto não muda: é um volume grande demais para virar rotina.

O espanto não é o voo existir, é o volume virar rotina
É óbvio que parte desses deslocamentos tem justificativa institucional. Segurança existe. Agenda oficial existe. Ainda assim, o problema aparece quando o sistema começa a parecer automático.
Em vez de exceção, vira padrão. Em vez de “quando precisa”, vira “porque sempre foi assim”. E, quando o padrão é esse, o contribuinte faz a pergunta que Brasília odeia: quantos trechos realmente exigiam avião militar e quantos eram conveniência?
O R7 ainda afirma que a FAB não divulga os custos operacionais, classificados como dados reservados por cinco anos. Isso piora tudo, porque o público vê privilégio e não consegue ver a conta.
Se 1286 voos são reais, a pergunta muda para o custo de oportunidade
Agora vem a parte que incomoda, porque é simples. Toda hora de avião custa. Toda tripulação tem limite. E toda manutenção tem fila. Logo, quando um avião militar voa como se fosse agenda aérea, alguém perde.
E é aqui que entram as perguntas que o contribuinte faz, do jeito certo, sem floreio:
- Quantas demonstrações a Esquadrilha da Fumaça fez em 2025?
- Quantas interceptações e missões de combate ao narcotráfico ocorreram no ano?
- Quantas evacuações aeromédicas e missões críticas realmente saíram no tempo certo?
- Quantos voos de transporte de órgãos entraram nessa conta?
Se você somar tudo isso, chega a 500 missões? Talvez. Porém, o fato de a dúvida existir já revela o tamanho do ruído: a sociedade está enxergando agenda, não prontidão.
Quando a sociedade compara com a atividade-fim, a crítica vira indignação
O debate cresce porque parte da população associa esses deslocamentos a “bate e volta” nos finais de semana. Além disso, surgem relatos de passageiros sem relação clara com a missão de Estado. Mesmo quando há explicação, a percepção de privilégio já colou.
E, quando cola, a FAB vira refém da imagem de “serviço VIP”. Isso é péssimo para a instituição e injusto com quem cumpre a missão real. A indignação não mira o piloto. Ela mira o sistema inteiro: quem pede, quem aprova e quem opera, sem um critério duro que pareça proporcional ao custo e ao impacto na prontidão.
A comparação com a atividade-fim, então, vira um constrangimento público. Afinal, o Brasil não está em guerra. Mesmo assim, o volume de deslocamentos de autoridades parece maior do que o conjunto de missões que o cidadão reconhece como “função militar”.
O fechamento é direto: ou há filtro duro ou a prontidão segue pagando a conta
Não dá para tratar 1.286 deslocamentos como detalhe administrativo. O número virou um problema de confiança. O Estado precisa de transporte, sim. Contudo, precisa também de critério público, filtro duro e transparência compatível com a democracia, como determina a nossa Constituição.
Caso contrário, o recado é devastador: a agenda política manda e a prontidão se adapta. E prontidão não é elástica. Ela quebra.
➡️ Leia a Parte 2: Prontidão da FAB em 2025 e 2026: frota apertada, formação pressionada e pilotos saindo






