Seis caças cruzarão o Atlântico com apoio internacional
Os F-16 da Argentina no Brasil voltarão a chamar atenção em setembro. Um segundo grupo de seis caças adquiridos da Dinamarca prepara-se para cruzar o Atlântico, em uma operação que envolve diferentes países e uma estrutura de apoio que começa a ganhar forma.
A passagem pelo território brasileiro já foi confirmada pelo governo argentino. E os movimentos realizados nos últimos meses indicam que a operação poderá seguir uma rota bastante conhecida de quem acompanhou a primeira travessia — inclusive com uma nova passagem pela Base Aérea de Natal.

Seis F-16 passarão pela Espanha e pelo Brasil
A confirmação oficial veio da Casa Rosada.
Serão quatro caças F-16AM monopostos e dois F-16BM bipostos, que realizarão escalas na Espanha e no Brasil antes de seguirem para a Argentina. Aviões-tanque KC-135 Stratotanker da Força Aérea dos Estados Unidos participarão da travessia, permitindo o reabastecimento dos caças em voo.
Informações mais recentes publicadas na Argentina apontam para a chegada ao país entre 26 e 30 de setembro de 2026, no Área Material Río Cuarto, na província de Córdoba. A janela é mais específica que a previsão oficial da Casa Rosada, que estabeleceu a segunda quinzena do mês.
Com esse grupo, a Argentina chegará a 12 dos 24 caças F-16 adquiridos da Dinamarca.
Quais F-16 deverão fazer esta viagem?
Embora as matrículas ainda possam sofrer alterações antes da partida, informações disponíveis apontam para os monopostos E-005, E-006, E-018 e E-609, além de dois F-16BM.
E alguns desses aviões carregam histórias que começaram muito antes da compra argentina.
O E-005, número de série norte-americano 87-0005, foi entregue à Dinamarca em 1988. Posteriormente modernizado pelo programa MLU, participou do policiamento aéreo dos países bálticos e também aparece associado à Operação Inherent Resolve, em 2014.
O E-006, 87-0006, também chegou à Dinamarca em 1988 e posteriormente passou para o padrão F-16AM MLU.
O E-018, 88-0018, entregue em 1989, traz uma curiosidade histórica: registros da aeronave o apontam como o último F-16 entregue à Dinamarca.
Já o E-609, 80-3609, é o veterano desse grupo. Foi entregue em 1983 e posteriormente modernizado para o padrão MLU.
Isso significa que alguns dos aviões acumulam mais de quatro décadas desde sua fabricação. O programa Mid-Life Update, entretanto, incorporou atualizações de aviônicos e sistemas de missão, dando origem às designações F-16AM e F-16BM utilizadas atualmente.

KC-135 no combustível e Hercules na segurança da travessia
Os KC-135 norte-americanos terão uma função indispensável. O F-16 utiliza reabastecimento por lança rígida, o sistema boom, permitindo que os Stratotanker forneçam combustível aos caças durante os longos trechos da viagem.
Já a Força Aérea Argentina deverá assumir a coordenação logística e a cobertura SAR — Search and Rescue, ou busca e salvamento — da operação. Informações publicadas na Argentina apontam expressamente essa responsabilidade para o segundo traslado.
É nesse cenário que o Hercules argentino ganha importância.
O TC-69 já esteve envolvido nos preparativos do programa. Em julho, o Hercules deixou a Argentina rumo à Dinamarca, transportando pessoal ou equipamentos relacionados aos F-16. No retorno, no início de agosto, passou pelas Ilhas Canárias e fez escala justamente na Base Aérea de Natal.
Além do transporte logístico, uma aeronave desse tipo pode cumprir a cobertura SAR durante a travessia oceânica, oferecendo apoio em uma eventual emergência envolvendo um dos caças.
E o Boeing 737 da Força Aérea Argentina?
Outra aeronave que merece ser acompanhada é o Boeing 737-700 T-99 “Islas Malvinas” da Força Aérea Argentina.
No primeiro traslado dos F-16, o Boeing integrou a estrutura de apoio ao lado do Hercules e dos três KC-135R norte-americanos, transportando pessoal e oferecendo suporte logístico à missão.
Para este segundo traslado, porém, a participação do T-99 ainda não foi confirmada nas informações oficiais divulgadas até agora.
Isso não significa que o Boeing esteja fora da missão. A definição da composição completa do apoio argentino deverá ficar mais clara à medida que se aproximar a partida dos seis caças da Dinamarca.

Natal deverá voltar à rota
Embora a Casa Rosada tenha confirmado apenas que haverá uma escala no Brasil, a Base Aérea de Natal aparece como a candidata natural e é apontada por fontes aeronáuticas brasileiras como escala prevista para o segundo traslado.
Há razões operacionais para essa expectativa.
Natal foi utilizada na primeira travessia, em dezembro de 2025, depois que os F-16 deixaram as Ilhas Canárias e cruzaram o Atlântico. A rota daquele traslado foi Dinamarca, Zaragoza, Gando, Natal e finalmente Río Cuarto.
A provável passagem dos F-16 da Argentina no Brasil deverá ser um dos momentos mais acompanhados desta segunda travessia.
Agora faltam justamente as informações que transformarão a preparação em operação: a data da saída da Dinamarca, a identificação definitiva dos seis F-16, os KC-135 designados para a missão, a eventual participação do Boeing 737 T-99 e o horário previsto para a passagem pelo Brasil.
Se a janela atualmente apontada para a chegada à Argentina, entre 26 e 30 de setembro, for mantida, essas respostas não deverão demorar.






