Aeroclube de Canela sofre nova derrota na Justiça e enfrenta risco de encerrar 76 anos de história

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Jota A
16 de outubro de 2026

Uma nova decisão judicial Aeroclube de Canela voltou a colocar em risco a permanência da instituição no aeroporto da Serra Gaúcha. Depois de meses de disputas, negociações frustradas e mobilizações, a entidade enfrenta outro capítulo de uma história que ultrapassa os limites da cidade.

O episódio reacende uma discussão que ultrapassa os limites da Serra Gaúcha. Afinal, qual deve ser o espaço reservado aos aeroclubes históricos dentro dos aeroportos públicos brasileiros?

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Conforme reportagem publicada pelo jornalista Jocimar Farina, na GaúchaZH, em 15 de outubro, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região acompanhou a decisão do desembargador Luís Alberto D’Azevedo Aurvalle.

O magistrado considerou que a permanência da entidade, sem título válido de ocupação, prejudica a administração aeroportuária e o andamento da contratação de uma nova empresa para utilizar o espaço.

A decisão modifica o cenário de agosto, quando o próprio tribunal havia suspendido temporariamente a desocupação até a análise do recurso.

Entretanto, a saída não será necessariamente imediata. A Justiça Federal ainda deverá estabelecer quando e como ocorrerá a desocupação.

O presidente do Aeroclube de Canela, Marcelo Sulzbach, informou à que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Segundo o dirigente, a retirada das instalações poderá representar o encerramento das atividades da instituição, fundada em 1950.

O espaço disputado possui aproximadamente 2.400 metros quadrados e inclui hangar, pátio, prédio administrativo e posto de abastecimento.

A entidade utiliza o hangar há 33 anos, período durante o qual desenvolveu atividades ligadas à formação aeronáutica.

A Infraero assumiu a administração do Aeroporto de Canela em setembro de 2024.

Segundo a estatal, o contrato anterior de ocupação venceu em 2023. Por isso, a empresa considera necessária a regularização das instalações aeroportuárias.

A área também foi objeto de licitação, vencida pela Helisul Táxi Aéreo, com proposta mensal de aproximadamente R$ 8,65 mil.

Até a reportagem de 15 de outubro, o contrato com a empresa vencedora ainda não havia sido assinado.

A decisão judicial também menciona que o Aeroclube aceitou posteriormente pagar R$ 8.937,77 mensais, valor anteriormente proposto pela Infraero.

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A Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO) já havia manifestado publicamente sua preocupação com o caso.

Em nota divulgada em junho, a Federação defendeu que os aeroclubes não devem ser tratados exclusivamente como ocupantes comerciais de áreas aeroportuárias.

A entidade também destacou o Decreto-Lei nº 205/1967, apontando a importância histórica, educacional e social dessas instituições.

A manifestação da FEBRAERO reforça que o problema não está restrito a Canela, podendo alcançar outros aeroclubes brasileiros.

Existe um aspecto humano que dificilmente aparece nas decisões administrativas.

Para muitos jovens, o aeroclube representa o primeiro contato com uma aeronave, o primeiro voo de instrução e a possibilidade de transformar um sonho em profissão.

Quando uma instituição encerra suas atividades, não desaparece apenas uma estrutura física. Também podem ser interrompidas trajetórias de alunos, instrutores e profissionais ligados à aviação.

O site AeroJota já abordou essa preocupação ao questionar se os voos comerciais em Canela justificariam o desaparecimento de uma instituição histórica.

Também acompanhamos a mobilização da FEBRAERO e suas iniciativas em defesa dos aeroclubes brasileiros.

Um detalhe chama a atenção na disputa envolvendo o Aeroclube de Canela: a dimensão da área questionada judicialmente.

Segundo levantamento realizado pelo AeroJota, com base nas coordenadas oficiais publicadas pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o sítio aeroportuário delimitado possui aproximadamente 254,8 mil metros quadrados.

Já os 2.400 metros quadrados em disputa representam cerca de 0,94% dessa superfície.

Embora proporcionalmente pequena, a área abriga estruturas importantes para o funcionamento da escola de aviação, incluindo hangar, pátio e instalações administrativas.

O percentual não resolve a questão contratual ou jurídica, mas acrescenta uma dimensão relevante ao debate sobre a possibilidade de conciliar a atividade comercial do aeroporto com a preservação de uma instituição histórica.

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A modernização da infraestrutura aeroportuária é necessária. Entretanto, o desenvolvimento da aviação também depende de instituições capazes de formar seus futuros profissionais.

O caso de Canela coloca essas duas necessidades diante de uma mesma pergunta.

É possível ampliar a utilização comercial de um aeroporto e, simultaneamente, preservar uma escola de aviação com mais de sete décadas de história?

Enquanto a disputa judicial continua, o Aeroclube de Canela permanece diante de um futuro incerto.

Para o AeroJota Notícias de Aviação, a questão merece acompanhamento porque seu resultado poderá influenciar discussões semelhantes em outros aeroportos brasileiros.