Petrobras aumenta querosene de aviação em 7,2% e pressiona companhias aéreas

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Jota A
2 de novembro de 2026

O aumento do querosene de aviação volta a preocupar o setor aéreo brasileiro em um momento de discussões sobre o preço das passagens, a manutenção das rotas e os custos das operações. Para as companhias, qualquer alteração no valor do combustível representa uma pressão adicional sobre uma atividade que depende de planejamento financeiro e margens operacionais cuidadosamente administradas.

A preocupação ganhou força neste início de novembro, quando a Petrobras confirmou mais um reajuste no combustível utilizado pelos aviões comerciais. A decisão ocorre após outros aumentos registrados nos últimos meses e levanta questionamentos sobre os possíveis reflexos para empresas, passageiros e aeroportos regionais.

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A Petrobras anunciou um reajuste médio de 7,2% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, com vigência desde domingo, 1º de novembro de 2026.

O aumento representa aproximadamente R$ 0,45 por litro em relação a outubro, quando o combustível já havia registrado uma elevação de 11,76%.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a Petrobras responde por cerca de 85% da produção nacional desse combustível, embora o mercado brasileiro permita a atuação de outros produtores e importadores.

Em setembro, o site AeroJota já havia noticiado que o querosene acumulava alta de 53% em 2026, demonstrando a intensidade das oscilações registradas durante o ano.

De acordo com o comunicado da Petrobras, o novo reajuste está relacionado ao aumento das cotações internacionais do combustível, influenciado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

A estatal também mencionou a redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, consequência do conflito entre os dois países.

A companhia explicou que utiliza uma fórmula contratual para atualizar mensalmente os preços, buscando reduzir os efeitos das oscilações internacionais de curto prazo.

Nos principais mercados externos, essas alterações podem ocorrer diariamente. No Brasil, os reajustes da Petrobras são aplicados no início de cada mês.

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Um dos aspectos mais preocupantes envolve a participação do querosene de aviação nas despesas das companhias aéreas.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), divulgados pela Agência Brasil, o combustível passou de aproximadamente 30% para mais de 45% dos custos operacionais das empresas desde o agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

Esse crescimento reduz a margem disponível para absorver outras despesas, como manutenção, arrendamento de aeronaves, tarifas aeroportuárias e custos administrativos.

Para empresas que operam aeronaves de grande porte, o impacto financeiro pode ser expressivo, considerando o volume de combustível necessário para cada etapa de voo.

Embora o reajuste de 7,2% não seja aplicado diretamente aos passageiros, o aumento do combustível pode influenciar a formação das tarifas.

As companhias precisam considerar diversos fatores antes de definir o preço dos bilhetes, incluindo demanda, concorrência, ocupação das aeronaves e antecedência das reservas.

Dessa forma, não é possível afirmar que as passagens aumentarão automaticamente no mesmo percentual anunciado pela Petrobras.

Entretanto, a manutenção de custos elevados pode dificultar a oferta de tarifas promocionais e comprometer a rentabilidade de determinadas operações.

O aumento do querosene de aviação pode representar uma dificuldade adicional para rotas regionais, especialmente aquelas com menor demanda de passageiros.

Nessas operações, a quantidade de assentos disponíveis e a ocupação dos voos influenciam diretamente a capacidade de diluir os custos.

Consequentemente, aumentos sucessivos do combustível podem levar as companhias a reavaliar frequências, horários e a viabilidade econômica de determinadas ligações.

Isso não significa que novos cancelamentos estejam confirmados em decorrência do reajuste, mas evidencia um fator de pressão sobre o planejamento das empresas.

Apesar do aumento dos preços, a Petrobras informou, em seu relatório operacional do terceiro trimestre de 2026, crescimento de 9,9% nas vendas de querosene de aviação em comparação com o trimestre anterior.

O resultado demonstra maior comercialização do combustível naquele período, embora não permita concluir, isoladamente, que todas as companhias aéreas tenham ampliado suas operações ou melhorado seus resultados financeiros.

Com o novo reajuste em vigor, o setor aéreo acompanha a evolução das cotações internacionais e seus possíveis reflexos sobre os custos dos próximos meses.