Novo reajuste do QAV chega a 13,9% em setembro
O querosene de aviação sobe 53% em 2026 e começou setembro com mais um reajuste, ampliando a pressão sobre um dos principais custos da operação aérea no Brasil.
O novo aumento entrou em vigor nesta terça-feira (1º), depois de um ano marcado por fortes oscilações no preço do QAV.
A dimensão do reajuste de setembro — e quanto ele acrescenta ao preço de cada litro — aparece quando se olha para os novos valores praticados pela Petrobras.

Novo reajuste do QAV chega a 13,9% em setembro
A Petrobras reajustou em 13,9% o preço médio do querosene de aviação vendido às distribuidoras. O aumento representa cerca de R$ 0,68 por litro e passou a valer em 1º de setembro.
Com a mudança, o preço do QAV nas refinarias da estatal passou para uma faixa entre R$ 5,44 e R$ 5,70 por litro.
O reajuste, porém, ganha outra dimensão quando comparado ao preço praticado no início do ano. É essa sequência de altas — intercalada por alguns recuos — que levou o combustível a acumular um avanço superior a 50% em 2026.
Querosene de aviação sobe 53% em 2026
O avanço acumulado não aconteceu de uma só vez.
Depois das oscilações registradas nos primeiros meses do ano, o QAV teve uma forte alta em abril, seguida por novo reajuste em maio. Houve algum alívio em junho e julho, mas o movimento mudou novamente em agosto.
Agora, com os 13,9% de setembro, o combustível chega ao nono mês do ano acumulando alta superior a 50%.
Segundo a Petrobras, os preços acompanham as cotações internacionais do produto. Neste momento, o mercado sofre influência das tensões geopolíticas no Oriente Médio e de seus efeitos sobre petróleo, derivados e logística internacional.

Alta do QAV aumenta pressão sobre a aviação
Para uma companhia aérea, combustível não é uma despesa secundária.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) apontam que ele responde por aproximadamente 30% dos custos operacionais das empresas aéreas brasileiras. Por isso, variações expressivas do QAV têm peso direto sobre as contas das companhias.
Isso não significa, porém, que um reajuste de 13,9% será simplesmente transferido para o preço das passagens. As tarifas dependem também da demanda, concorrência entre empresas, ocupação dos voos, antecedência da compra e estratégia comercial de cada companhia.
O preço anunciado pela Petrobras não corresponde necessariamente ao valor final pago no abastecimento da aeronave. O QAV é vendido às distribuidoras e, até chegar aos aeroportos, outros custos comerciais e logísticos entram nessa conta.
Por isso, o preço efetivamente pago por companhias aéreas, operadores da aviação executiva e táxis-aéreos pode variar conforme o aeroporto, o fornecedor e as condições comerciais de cada operação.
A pressão também não fica restrita às grandes empresas. O aumento alcança operações de táxi-aéreo, aviação executiva, aeroclubes e helicópteros, segmentos nos quais o combustível representa uma parcela importante do custo de cada hora voada.
Petrobras permite dividir o reajuste
Em setembro, a Petrobras retomou um mecanismo que permite às distribuidoras parcelar o aumento do QAV em três meses.
A medida reduz o impacto imediato do reajuste para quem compra diretamente da estatal, mas não altera o tamanho da alta acumulada durante o ano.
Os preços praticados pela Petrobras para as distribuidoras são atualizados mensalmente, no primeiro dia de cada mês.
Com setembro começando com mais um reajuste de dois dígitos, o número que passa a chamar atenção já não é apenas o aumento do mês: o querosene de aviação está 53,3% mais caro em 2026.






