Novo reajuste do QAV reduz custos das companhias aéreas, mas efeito nas passagens pode demorar a chegar aos consumidores, se chegar!
A Petrobras anunciou uma nova redução no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras. O reajuste alivia um dos principais custos das companhias aéreas e reacende uma pergunta importante para quem pretende viajar: essa queda pode chegar ao preço das passagens?
Embora o corte seja relevante para o setor, o efeito no bolso do passageiro não costuma ser imediato. Afinal, as tarifas aéreas dependem de vários fatores, e o combustível é apenas uma parte dessa conta.

Novo corte amplia sequência de reduções
Este é o segundo reajuste consecutivo para baixo promovido pela Petrobras. Depois da queda registrada em junho, a estatal voltou a reduzir o preço do QAV, combustível utilizado por aviões comerciais, executivos e parte da aviação militar.
Com o novo reajuste, o litro do combustível nas refinarias da Petrobras passou a variar entre aproximadamente R$ 4,67 e R$ 4,93, dependendo da região de fornecimento. Entretanto, o valor final pago pelas empresas aéreas ainda sofre influência dos custos de distribuição, armazenamento, transporte e da tributação estadual.
O que provocou a queda do combustível?
A redução acompanha o recuo das cotações internacionais do petróleo e dos derivados utilizados na produção do querosene de aviação. Nas últimas semanas, o mercado registrou uma diminuição das tensões geopolíticas no Oriente Médio, cenário que havia provocado forte alta no preço do barril durante o primeiro semestre.
Além disso, a estabilização das expectativas sobre o abastecimento mundial contribuiu para reduzir os preços internacionais do combustível de aviação. Como consequência, a Petrobras ajustou os valores praticados no mercado brasileiro.
Combustível representa um dos maiores custos das companhias
O querosene de aviação está entre as principais despesas operacionais das empresas aéreas. Dependendo do perfil da operação, ele pode representar entre 30% e 40% do custo total de um voo.
Por isso, qualquer redução no preço do combustível melhora o equilíbrio financeiro das companhias. Além disso, o alívio nos custos pode favorecer investimentos, abertura de novas rotas e até mesmo campanhas promocionais em períodos de menor demanda.

Passagens aéreas podem ficar mais baratas?
Apesar da redução no preço do QAV, especialistas afirmam que não existe um repasse automático para o consumidor. Isso ocorre porque o valor das passagens depende de diversos fatores, como oferta e demanda, concorrência entre empresas, ocupação das aeronaves, câmbio, custos de manutenção e planejamento comercial.
Assim, a economia obtida pelas companhias tende a ser absorvida inicialmente pela operação. Somente em um cenário de maior competição ou de redução consistente dos custos ao longo dos próximos meses é que parte desse benefício poderá refletir nos preços das passagens.
Aviação acompanha cenário com expectativa
A nova redução do querosene de aviação traz uma notícia positiva para o setor aéreo brasileiro. Depois de um período marcado pela alta dos combustíveis e dos custos operacionais, o mercado passa a observar um ambiente mais favorável.
Ao mesmo tempo, passageiros e operadores acompanham os próximos reajustes do petróleo e do QAV. Caso a tendência de queda continue, as companhias poderão ganhar mais flexibilidade. Com isso, terão melhores condições para ampliar a oferta de voos e disputar passageiros com tarifas mais competitivas.
Mesmo sem efeito imediato no bolso do consumidor, a redução anunciada pela Petrobras ajuda a aliviar um dos maiores custos da aviação. Além disso, reforça a expectativa de um segundo semestre mais favorável para o transporte aéreo brasileiro.





