Último voo do C-2A Greyhound ao MAPA foi comandado por uma aviadora da US Navy
O último voo do C-2A Greyhound ao MAPA marcou o encerramento da carreira operacional de um dos mais importantes aviões de transporte da Marinha dos Estados Unidos. Uma aviadora da US Navy comandou a missão entre a Base Aérea do Galeão na cidade do Rio de Janeiro e o Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo.
Durante quase seis décadas, o Grumman C-2A Greyhound BuNo 162167 e número tático 54 transportou militares, peças e cargas entre bases terrestres e porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos. Porém, sua última missão teve um significado diferente. Agora, o avião integra o acervo do Museu Aeroespacial Paulista (MAPA).
O site AeroJota recebeu imagens da aproximação gravadas de dentro da cabine (imagens ao final desse texto). Além disso, reuniu novos detalhes sobre a tripulação que conduziu o veterano turboélice até seu destino definitivo.

A tripulação da última missão
Três militares da Marinha dos Estados Unidos participaram do traslado: a comandante da aeronave, o segundo piloto e o loadmaster.
A aviadora ocupava a função de Aircraft Commander. Portanto, coube a ela conduzir o Greyhound e tomar as principais decisões durante o voo.
Ao seu lado estava o segundo piloto, responsável por dividir as tarefas de pilotagem, navegação e acompanhamento dos sistemas. Já o loadmaster cuidava da configuração interna, do balanceamento e do apoio operacional.
A US Navy não divulgou os nomes dos três militares. Mesmo assim, o PAMA-SP e o MAPA homenagearam a tripulação após a chegada a São Paulo.

Uma pane mudou o destino do Greyhound
O avião possui matrícula militar BuNo 162167 e número tático 54. Antes da doação, ele operava no esquadrão VRC-40 “Rawhides”, da Marinha dos Estados Unidos.
O Greyhound chegou ao Brasil em maio de 2026 a bordo do porta-aviões nuclear USS Nimitz. Naquele período, o navio participava da operação multinacional Southern Seas 2026.
Durante uma missão de apoio logístico na costa brasileira, porém, o avião sofreu uma pane mecânica. Por isso, permaneceu na Base Aérea do Galeão à espera de manutenção.
Enquanto isso, a US Navy concluiu a aposentadoria de sua frota de C-2A Greyhound. Assim, o modelo deu lugar ao CMV-22B Osprey.
Com a retirada definitiva do tipo, o retorno de um único exemplar aos Estados Unidos perdeu sentido operacional. Além disso, a operação teria custos elevados.
Diante desse cenário, a Força Aérea Brasileira iniciou tratativas com autoridades norte-americanas. Como resultado, a aeronave permaneceu no Brasil e passou a integrar o acervo do MAPA.
Depois, técnicos americanos viajaram ao Galeão e devolveram ao avião as condições seguras de voo. Dessa forma, o Greyhound pôde cumprir sua última missão até São Paulo.
O “caminhão” dos porta-aviões
A Grumman desenvolveu o C-2A Greyhound para missões de Carrier Onboard Delivery, conhecidas pela sigla COD. Na prática, o avião fazia a ligação logística entre bases terrestres e porta-aviões em alto-mar.
Sua cabine transportava passageiros, correspondências, suprimentos médicos, equipamentos e até motores de aeronaves de caça.
Além disso, o modelo possuía asas dobráveis para ocupar menos espaço nos navios. Sua estrutura também suportava decolagens por catapulta e pousos com cabos de retenção.
Por esse motivo, o Greyhound se tornou uma das aeronaves mais importantes da logística embarcada norte-americana.

Um exemplar raro preservado no Brasil
A Grumman produziu apenas 58 unidades do C-2 Greyhound. O avião recebido pelo MAPA corresponde ao exemplar de número 47.
Essa produção limitada aumenta seu valor histórico. Afinal, poucas instituições fora dos Estados Unidos terão a oportunidade de preservar uma aeronave desse tipo.
Além disso, o exemplar brasileiro chegou ao museu após concluir um voo real. Ele não precisou viajar desmontado por navio ou em outra aeronave de transporte.
O último pouso em Campo de Marte
O C-2A Greyhound pousou no Aeroporto Campo de Marte em 22 de julho de 2026.
Antes do pouso definitivo, a tripulação realizou aproximações, toques na pista e arremetidas no Aeroporto Campo de Marte. Depois, concluiu o pouso e taxiou com o Greyhound até a área do PAMA-SP.
Ali, o avião recebeu a homenagem de chegada e encerrou sua vida operacional. A partir daquele momento, começou uma nova etapa como parte do acervo do Museu Aeroespacial Paulista.
O MAPA prepara a abertura gradual de suas exposições ao público ao longo de 2027. Quando isso acontecer, os visitantes poderão conhecer de perto uma aeronave que passou décadas ligando bases e porta-aviões.
O Greyhound encerrou sua carreira longe dos Estados Unidos. No entanto, encontrou no Brasil um destino capaz de preservar sua história.





