Instalação de alambrados nas proximidades dos hangares provoca novo conflito e aumenta a preocupação com a continuidade das atividades de aviões e planadores.
O Aeroclube de Marília enfrenta mais um capítulo de sua disputa com a Rede VOA, concessionária responsável pelo Aeroporto Estadual Frank Miloye Milenkovich, no interior paulista. A instalação de alambrados próximos aos hangares provocou uma reação imediata da instituição, que teme perder o acesso às áreas operacionais do aeroporto.
A situação ganhou novos desdobramentos entre os dias 8 e 10 de outubro de 2026. O conflito chegou à Polícia Civil e voltou à Justiça, levantando uma questão que ultrapassa os limites do aeroporto: como garantir a modernização da infraestrutura aeroportuária sem comprometer instituições históricas de formação aeronáutica?

Instalação de cercas provoca reação do Aeroclube de Marília
Segundo a direção do Aeroclube, a Rede VOA iniciou, em 8 de outubro, a instalação de alambrados nos acessos utilizados por aviões e planadores.
A instituição afirma que não recebeu comunicação prévia e considera a medida incompatível com decisões judiciais anteriores que asseguraram sua permanência na área.
Diante da situação, representantes do Aeroclube registraram um boletim de ocorrência na Polícia Civil. O episódio foi amplamente divulgado pela imprensa local
Justiça determina acesso livre às pistas do aeroporto
A 3ª Vara Cível de Marília concedeu uma nova liminar determinando que a concessionária mantenha o acesso permanente e desimpedido de pessoas e aeronaves às áreas operacionais.
O juiz Luís César Bertoncini reconheceu o risco de paralisação das atividades de instrução caso os hangares fossem isolados.
A decisão permite a instalação de cercas, desde que existam passagens adequadas para as aeronaves. Eventuais obstáculos deverão ser removidos em até 24 horas após a intimação.
O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 5 mil, limitada inicialmente a R$ 200 mil. A medida não representa decisão definitiva sobre a posse do terreno.
Federação Brasileira dos Aeroclubes se manifesta
A Federação Brasileira dos Aeroclubes (FEBRAERO) também se manifestou sobre o episódio.
Em posicionamento divulgado em 9 de outubro, a entidade criticou a instalação dos alambrados e defendeu a preservação das atividades aeronáuticas em aeroportos públicos concedidos à iniciativa privada.
A federação sustenta que a administração de um aeroporto por uma concessionária não elimina os direitos dos usuários nem as obrigações relacionadas ao serviço público.
A AOPA Brasil já havia divulgado, em abril de 2026, uma nota oficial criticando restrições às operações de planadores em Marília.
Na ocasião, a associação defendeu a continuidade do voo à vela e solicitou atenção das autoridades aeronáuticas para o conflito.

Uma instituição com 86 anos de história
Fundado em 1940, o Aeroclube de Marília participou da formação de gerações de aviadores e mantém uma relação histórica com a aviação brasileira.
Entretanto, o conflito com a concessionária tem afetado suas atividades.
O presidente da instituição, Braucílio Foganholo Júnior, conhecido como Brau, relatou ao Visão Notícias que o Aeroclube depende atualmente de campanhas de arrecadação.
Segundo o dirigente, a escola já formou duas turmas teóricas e iniciou uma terceira, mas parte dos alunos precisa procurar outros aeroclubes para realizar os voos práticos.
Disputa envolve ampliação do aeroporto
O conflito também envolve os projetos de modernização do Aeroporto de Marília.
A Rede VOA defende a utilização de áreas atualmente ocupadas pelo Aeroclube para ampliar a infraestrutura aeroportuária.
Por outro lado, a instituição sustenta que existem alternativas para executar as melhorias sem comprometer sua permanência.
Em fevereiro de 2026, o Aeroclube divulgou uma manifestação afirmando que uma área desocupada de aproximadamente sete hectares poderia receber estruturas de expansão.
A disputa sobre a ocupação e as benfeitorias permanece em análise judicial.
O que diz a Rede VOA
Procurada pela imprensa regional, a concessionária informou, em 10 de outubro, que não se manifestaria naquele momento sobre a nova decisão judicial.
A empresa indicou que apresentaria esclarecimentos na semana seguinte. Até a apuração desta reportagem, não foi localizada manifestação oficial posterior sobre a liminar.
O site AeroJota Notícias de Aviação considera essencial acompanhar os desdobramentos do caso, especialmente seus efeitos sobre a formação de pilotos e o acesso à infraestrutura aeronáutica.
A modernização dos aeroportos e a preservação das atividades dos aeroclubes são questões que precisam ser tratadas com segurança operacional, transparência e respeito às decisões judiciais.






