AMX da FAB em Pedras Grandes ganha nova missão após trajetória inesperada

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Jota A
8 de setembro de 2026

Conseguir uma aeronave militar desativada para exposição pública não é tão simples quanto pode parecer. O AMX da FAB em Pedras Grandes, Santa Catarina, chegou ao município depois de uma trajetória bem diferente de uma simples transferência da Força Aérea.

Durante cerca de três anos, o município tentou receber um avião diretamente da Força Aérea Brasileira.

Não conseguiu.

A solução apareceu depois, por um caminho diferente: o município encontrou em Porto Alegre um A-1 AMX que havia pertencido à própria FAB e iniciou a negociação para levá-lo ao Parque Casa dos Arcos.

Era o antigo FAB 5541, número de série BX-042.

Hoje ele está restaurado e aberto à visitação. Mas, pouco tempo antes, seu destino previsto era bem diferente.


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O FAB 5541 apareceu em um leilão da Aeronáutica

Em novembro de 2024, o Centro Logístico da Aeronáutica publicou no Diário Oficial da União um aviso de leilão que incluía materiais aeronáuticos e cinco aeronaves desativadas.

Entre elas estavam quatro AMX: FAB 5658, FAB 5541, FAB 5544 e FAB 5536.

No lote individual, o avião que posteriormente chegaria a Pedras Grandes aparece identificado como A-1 AMX FAB 5541, série BX-042, indisponível para voo e localizado no PAMASP, em São Paulo.

Naquele momento, não havia qualquer relação conhecida entre o AMX e uma futura exposição pública em Santa Catarina.

A história mudou em março de 2026.

O prefeito de Pedras Grandes, Agnaldo Filippi, afirmou que já buscava uma aeronave havia aproximadamente três anos e que havia tentado negociar diretamente com a FAB, sem sucesso.

Foi então que identificou em Porto Alegre um AMX que havia sido comprado em leilão por uma empresa privada e iniciou as tratativas para adquiri-lo.

É justamente esse ponto que torna o caso diferente de uma simples doação de aeronave militar.

Pedras Grandes não recebeu o AMX da FAB. O avião já havia deixado o patrimônio da Força Aérea quando o município decidiu comprá-lo.

Em 8 de abril de 2026, o município publicou o processo de contratação para aquisição e instalação da aeronave no Parque Casa dos Arcos.

O valor estimado foi de R$ 325 mil, mas o montante não correspondia apenas à compra do avião.

O objeto incluía o fornecimento da aeronave, preparação técnica para exposição estática, montagem, instalação e adequações estruturais necessárias para segurança e visitação pública. O processo pode ser consultado no registro da contratação publicado a partir dos dados do Portal Nacional de Contratações Públicas.

Na inauguração, em 5 de setembro, informações divulgadas pelo prefeito indicaram investimento próximo de R$ 350 mil entre aquisição e recuperação.

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O AMX atualmente exposto em Pedras Grandes ostenta o número FAB 5522.

Mas essa não é sua matrícula histórica.

A célula instalada no município é a BX-042, que serviu à Força Aérea Brasileira como FAB 5541. O verdadeiro FAB 5522 corresponde a outra célula do AMX, que se encontra estocada no PAMA SP.

O número atualmente pintado, portanto, faz parte da caracterização adotada durante a recuperação da aeronave.

O caso também chama atenção porque antigos aviões militares nem sempre chegam a museus ou monumentos por cessão direta das Forças Armadas.

Muitos são alienados como materiais inservíveis e acabam nas mãos de empresas ou colecionadores especializados em recuperação.

Um desses nomes é Luciano Schneider, de Porto Alegre, que já apareceu recentemente no site AeroJota na recuperação do AT-26 Xavante de Maringá.

Schneider mantém dezenas de aeronaves e, segundo reportagem publicada neste ano, reuniu 15 exemplares do AMX adquiridos em leilões da FAB. A própria Força Aérea já destacou oficialmente seu trabalho voluntário de recuperação de aeronaves históricas na Base Aérea de Canoas.

Não há, porém, documentação localizada pelo AeroJota que permita afirmar que o FAB 5541 de Pedras Grandes tenha sido adquirido diretamente dele.

O antigo FAB 5541 não voltará a voar, mas sua trajetória não terminou com a retirada do serviço militar.

Depois de deixar o patrimônio da FAB, passar pela iniciativa privada e ser adquirido pelo município, o AMX está agora preservado no Parque Casa dos Arcos.

Para Pedras Grandes, a aeronave representa também o resultado de uma busca que levou cerca de três anos até encontrar uma alternativa fora da transferência direta pela Força Aérea.

O antigo avião de combate começa, assim, uma fase bem diferente daquela para a qual foi construído: permanecer em exposição pública e ajudar a contar a história da aviação brasileira.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.