Como a Colômbia se prepara para operar os caças Gripen antes da chegada das aeronaves

Jota

22 de julho de 2026

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Como a Colômbia se prepara para operar os caças Gripen antes da chegada das aeronaves já começa a ficar claro. Embora os primeiros aviões ainda estejam em produção, o país participa de exercícios internacionais, amplia o contato com outros operadores e prepara pilotos, técnicos e toda a estrutura necessária para receber os novos caças.

A novidade chama atenção porque aconteceu poucos dias depois de militares colombianos participarem do exercício multinacional SALITRE 2026, realizado no Chile. Na mesma operação, os caças F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira realizaram sua primeira participação internacional, voando ao lado de aeronaves de diversos países da região.

Embora os Gripen colombianos ainda estejam em fase de fabricação, a integração demonstra que a transição para a nova aeronave começou muito antes da entrega dos primeiros exemplares.

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A aquisição de um caça de última geração não começa quando a aeronave chega à base aérea. Na prática, pilotos, mecânicos, engenheiros e equipes de apoio iniciam anos antes um processo de adaptação que envolve treinamento, novos procedimentos operacionais e preparação logística.

Foi justamente pensando nessa fase que a Colômbia assinou, em Londres, durante a World Air Chiefs Conference, o Memorando de Entendimento que oficializou sua entrada no Gripen Users Group.(Grupo de Usuários do Gripen)

O encontro ocorreu na Embaixada da Tailândia e reuniu representantes dos países que já operam o Gripen ou estão em processo de incorporação da aeronave.

Com isso, a Força Aeroespacial Colombiana passa a compartilhar experiências com Brasil, Suécia, Hungria, República Tcheca, Tailândia e África do Sul.

Apesar do nome sugerir apenas uma associação de operadores, o Gripen Users Group funciona como uma plataforma permanente de cooperação entre as forças aéreas.

Durante as reuniões, especialistas discutem disponibilidade das aeronaves, manutenção, logística, atualização de softwares, treinamento, emprego operacional e soluções para problemas encontrados no dia a dia.

Além disso, os participantes compartilham experiências acumuladas ao longo dos anos de operação do caça.

Na prática, isso reduz a curva de aprendizado dos novos operadores e permite que boas soluções adotadas por um país sejam aproveitadas pelos demais.

A entrada da Colômbia no grupo ocorreu poucos dias após a realização do exercício multinacional SALITRE 2026, promovido pela Força Aérea do Chile.

Durante o treinamento, o Brasil participou pela primeira vez de uma operação internacional utilizando os caças F-39E Gripen.

Os aviões brasileiros cumpriram missões de defesa aérea, escolta e patrulhamento, acumulando mais de uma centena de horas de voo ao lado de forças aéreas de diversos países, incluindo a Colômbia.

Embora os militares colombianos ainda não operem o Gripen, a convivência durante o exercício reforçou o processo de aproximação entre futuros usuários da aeronave.

Em novembro de 2025, a Colômbia assinou contrato com a Saab para adquirir 17 caças Gripen, sendo quinze monopostos Gripen E e dois bipostos Gripen F.

O programa substituirá os veteranos caças Kfir, utilizados pela Força Aeroespacial Colombiana há várias décadas.

Além das aeronaves, o contrato inclui treinamento, armamentos, suporte logístico, serviços técnicos e um amplo pacote de cooperação entre Suécia e Colômbia nas áreas de tecnologia, segurança cibernética, desenvolvimento industrial, energia sustentável e projetos sociais.

As entregas estão previstas para ocorrer entre 2026 e 2032.

Embora cada país mantenha sua própria doutrina de emprego e seus sistemas de armamento, a presença de dois operadores sul-americanos fortalece a comunidade regional do Gripen.

O Brasil já acumula experiência com o F-39E. Além disso, participa diretamente do desenvolvimento da versão biposto Gripen F.

Enquanto isso, a Colômbia passa a acompanhar esse processo antes mesmo de receber seus primeiros aviões.

Essa integração poderá facilitar futuras trocas de conhecimento entre pilotos, técnicos e especialistas dos dois países. Da mesma forma, poderá ampliar a cooperação durante exercícios multinacionais.

Para quem acompanha apenas a chegada de novos caças, pode parecer que a história começa quando a aeronave toca a pista pela primeira vez.

Na realidade, essa é apenas uma das últimas etapas.

Muito antes disso, pilotos precisam aprender novos conceitos. Ao mesmo tempo, as equipes de manutenção passam por meses de treinamento. Além disso, as forças aéreas precisam construir toda a estrutura necessária para manter a frota disponível.

Ao ingressar oficialmente no Grupo de Usuários do Gripen antes mesmo de receber seus primeiros caças, a Colômbia mostra que essa transformação já está em andamento. Por fim, a adesão reforça a presença do Gripen como uma plataforma cada vez mais integrada entre os operadores da América do Sul.