A visão estratégica da COMARA na Amazônia já antecipava desafios atuais
A história dos 70 anos da COMARA na Amazônia ganha mais profundidade quando um texto histórico revela a dimensão estratégica da unidade na região. O material, publicado em uma revista institucional, traz uma leitura direta sobre soberania, logística, aeródromos e presença do poder aéreo na Amazônia.
Nilson Soilet CARMINATI, ex-Piloto de Caça, então Coronel-Aviador e Vice-Presidente da COMARA, assinou o artigo. Atualmente, ele é Major-Brigadeiro-do-Ar. Agora, o texto funciona como registro de memória sobre uma organização criada em 12 de dezembro de 1956, pelo Decreto nº 40.551, para estudar, projetar, construir e equipar aeroportos na região amazônica. A seguir, apresentamos o conteúdo com adaptação de leitura, preservando o texto original.

O papel da COMARA 70 anos antes de completar sete décadas
No texto, Carminati afirma que a COMARA, então sob a égide do COMGAR, fazia parte direta da aplicação do poder aéreo. Segundo ele, cabia registrar os feitos de uma organização que, ao longo dos anos, edificou a infraestrutura aeroportuária da Amazônia.
À época, o autor destacava mais de 150 aeroportos construídos e os quatro primeiros sítios de radares do SIVAM. Além disso, lembrava que a unidade enfrentava a grande hostilidade ambiental da área para cumprir sua missão de desenvolvimento regional.
Carminati também apontava a importância da COMARA no desenvolvimento, na integração e na manutenção da soberania na região amazônica. Nesse sentido, a unidade funcionava como elo da filosofia do Correio Aéreo Nacional, dentro do Comando da Aeronáutica.
Uma organização de engenharia moldada pela Amazônia
O texto lembrava que, havia 47 anos, que a COMARA perseverava na missão de planejar, construir e equipar aeroportos na região amazônica. Por esse motivo, a organização já era vista como a maior empresa do Norte brasileiro nesse ramo de engenharia.
Segundo Carminati, os exemplos de diferenciação não faltavam. Afinal, a experiência acumulada, a qualidade dos serviços e a capacidade do corpo técnico davam à COMARA uma posição singular.
A Amazônia, no entanto, aparecia no texto como algo maior do que um território de obras. O autor descrevia a região como a maior reserva de água doce do mundo, com grande biodiversidade e fonte de riquezas naturais.
Por isso, ele alertava que essa riqueza despertava cobiça internacional. Na avaliação registrada no artigo, o Brasil não poderia descartar a possibilidade de ingerência externa sob argumentos variados.

Soberania, integridade territorial e emprego das Forças Armadas
A premissa apresentada no documento evidenciava a possibilidade de emprego das Forças Armadas brasileiras na região. O objetivo seria defender a soberania nacional e manter a integridade territorial.
Em consonância com o Planejamento Estratégico do EMAER, Carminati afirmava que os empreendimentos realizados pela COMARA em tempo de paz eram exemplos práticos de aplicação estratégica.
Dessa forma, o adestramento contínuo capacitava técnicos, automatizava habilidades e proporcionava conhecimento pleno do Teatro de Operações. Assim, a organização se preparava para o pronto atendimento quando fosse acionada.
Transporte fluvial e capacidade de produção na Amazônia
Para que a COMARA continuasse a evoluir, o texto defendia o cumprimento de seu Plano Estratégico interno. A meta era alcançar, no futuro, uma situação desejável de eficácia nas ações.
Carminati também destacava a necessidade de manter equilíbrio entre produtividade e capacidade de produção. Ao mesmo tempo, reconhecia que ainda havia muito a ser feito.
O primeiro ponto citado era conquistar a autossuficiência do transporte fluvial. Isso permitiria economia de recursos e maior autonomia no cumprimento das missões na Amazônia.
Além disso, o autor defendia a continuidade da renovação da frota fluvial. Também apontava a recomposição das patrulhas de terraplenagem e asfalto como alicerces da capacidade de produção da COMARA.

Reparo rápido de aeródromos e preparação para a guerra
O segundo ponto era usar a COMARA na plenitude de sua capacidade operacional. Para isso, Carminati defendia a criação de um Núcleo de Unidade de Reparo Rápido de Aeródromos, a chamada URRA.
A finalidade seria desenvolver metodologias para restauração rápida de aeródromos danificados por artefatos bélicos. Esse aprimoramento, segundo o texto, seria vital para manter ou sustentar o esforço de guerra planejado.
Além disso, a capacidade garantiria apoio às demais forças e contribuiria para a superioridade aérea durante as operações.
Carminati lembrava que a execução de reparos de danos em aeródromos já fazia parte das atividades da COMARA. Esses danos podiam surgir por operações contínuas de aeronaves ou pela ação do tempo.
No entanto, como visão estratégica, o autor defendia acelerar tais providências. Segundo ele, o amadurecimento da organização criava condições favoráveis para desenvolver técnicas e meios em tempo de paz, preparando a unidade para a guerra.
Mão de obra especializada e autossuficiência fardada
O terceiro passo seria preparar militares de diversas unidades, graduações e especialidades. A intenção era aprimorar doutrinas e reduzir a vulnerabilidade causada pela escassa qualificação de mão de obra especializada.
Nesse ponto, Carminati usava uma expressão forte: conquistar a autossuficiência “fardada”. Ou seja, a própria Força deveria ampliar sua capacidade técnica interna.
Dessa forma, a COMARA fortaleceria a capacidade de operação e manutenção de equipamentos de terraplenagem e asfalto. Esses meios seguem essenciais para a execução dos serviços em regiões isoladas.

A logística militar como sustentação das operações aéreas
Segundo o texto, esse conjunto de atividades expressava características próprias da logística militar. Em uma situação real de conflito, elas garantiriam os meios necessários para sustentar as atividades aéreas.
No entanto, o desafio seria ainda maior diante do tempo exíguo imposto pelo fogo inimigo. Mesmo assim, essa preparação poderia conduzir ao sucesso das operações.
Carminati também lembrava que a região amazônica reúne grande hostilidade ambiental e infraestrutura de transporte precária. Por isso, a atuação da COMARA ganhava dimensão ainda mais estratégica.
Além disso, em condições de normalidade, a sistematização de procedimentos promoveria o adestramento necessário da tropa. Com isso, a Engenharia de Campanha da Força Aérea Brasileira ganharia mais mobilidade e flexibilidade.
COMARA 70 anos e uma missão que atravessa gerações
Sete décadas depois de sua criação, a COMARA segue enfrentando desafios que o texto histórico já identificava com clareza. Ainda hoje, a Amazônia exige logística própria, presença permanente, engenharia especializada e conhecimento real do território.
Além disso, o registro assinado por Nilson Soilet Carminati não funciona apenas como memória institucional. Na prática, ele ajuda a explicar por que a COMARA se tornou uma das estruturas mais singulares da Força Aérea Brasileira.
Dessa forma, a COMARA 70 anos mostra que algumas missões evoluem em tecnologia, mas mantêm a mesma essência estratégica. Assim, integrar, sustentar, operar e garantir presença continuam sendo pilares onde o Brasil mais precisa chegar.





