Entidade pede suspensão da ordem para desocupar hangares e quer que estudos da concessão do aeródromo sejam discutidos publicamente
A concessão do Aeródromo de Tatuí entrou em uma nova fase de discussão depois que o Aeroclube levou diretamente à Câmara Municipal a disputa envolvendo a desocupação de parte dos hangares. Na 30ª Sessão Ordinária, realizada na terça-feira (8), a entidade pediu apoio dos vereadores, suspensão da notificação expedida pela Prefeitura e maior transparência sobre o futuro do aeródromo.
Mas a manifestação não ficou restrita à área que o Aeroclube poderá perder.
Na Tribuna Livre, a entidade também defendeu que os estudos que sustentam a futura concessão sejam apresentados e discutidos em uma audiência pública.
Aeroclube leva discussão à Câmara
O diretor de Instrução do Aeroclube de Tatuí, Alexandre Simões, utilizou a Tribuna Livre no início da Sessão Ordinária para apresentar aos vereadores a situação provocada pela Notificação nº 004/2026.
Segundo a Câmara de Tatuí, o documento foi enviado em 20 de agosto e estabelece prazo de 30 dias para a desocupação de mais da metade dos hangares atualmente utilizados pela entidade.
O assunto já havia sido mostrado pelo site AeroJota em 3 de setembro, quando revelamos que o Aeroclube recebeu 30 dias para deixar parte dos hangares.
No dia seguinte, mostramos também as possíveis consequências da redução da área antes da concessão.
Desta vez, porém, o fato novo é outro: a discussão chegou formalmente ao Legislativo municipal.
Lei aprovada pela própria Câmara entra no debate
Durante a manifestação, Alexandre Simões lembrou aos vereadores que a própria Câmara participou da aprovação da Lei Municipal nº 6.055/2025.
A legislação autorizou a concessão do aeródromo e estabeleceu que, durante sua vigência, deverá ser assegurado ao Aeroclube o uso das instalações e hangares atualmente utilizados pela entidade para suas atividades.
Foi justamente essa diferença entre o que determina a lei e a atual ordem de desocupação que o representante do Aeroclube levou aos vereadores.
Segundo a Câmara, Simões afirmou que a notificação causou “muito espanto” aos dirigentes da entidade.
“Sentimento de traição”
A fala mais contundente da noite veio quando Alexandre Simões descreveu a reação do Aeroclube diante da medida.
“É triste dizer, mas é um sentimento de traição.”
Segundo ele, o sentimento também estaria relacionado ao fato de a lei ter tramitado por mais de um ano na Câmara, passado por comissões e estabelecido proteção específica às instalações utilizadas pelo Aeroclube.
A manifestação colocou, portanto, os próprios vereadores diante de uma questão que agora ultrapassa a relação administrativa entre Prefeitura e Aeroclube.
A lei aprovada pelo Legislativo passou a fazer parte central da discussão apresentada dentro da própria Câmara.
O que acontecerá com os hangares?
Na Tribuna Livre, o Aeroclube também apresentou uma pergunta que até agora permanece sem resposta pública clara: qual será a destinação dos hangares que deverão ser desocupados?
Alexandre Simões afirmou que a notificação não apresentou justificativa específica sobre o uso futuro dessas estruturas.
Ele mencionou ainda informações sobre uma possível Escola de Mecatrônica no aeródromo e questionou se decisões desse tipo não deveriam ser discutidas com a sociedade.
A colocação não foi apresentada como oposição à instalação de uma escola, mas como cobrança por transparência sobre o planejamento da área.
Aeroclube pede audiência pública
Foi nesse ponto que a discussão ganhou uma dimensão maior.
Alexandre Simões defendeu que os estudos de viabilidade econômica relacionados à concessão do Aeródromo de Tatuí sejam analisados também em audiência pública.
A proposta levaria para uma discussão aberta questões que até agora aparecem principalmente em procedimentos administrativos: modelo de concessão, exploração das áreas, investimentos previstos e convivência da futura concessionária com as atividades aeronáuticas já existentes.
A Prefeitura já realizou o Procedimento de Manifestação de Interesse destinado aos estudos que poderão estruturar a futura operação, manutenção e expansão do aeródromo.
O pedido do Aeroclube é que o conteúdo e as consequências desse planejamento sejam debatidos publicamente antes das próximas etapas.
Primeiro pedido é suspender a notificação
Apesar da discussão sobre o futuro da concessão, existe uma questão imediata.
O prazo de 30 dias determinado pela Prefeitura continua correndo.
Por isso, Alexandre Simões pediu aos vereadores que atuem inicialmente pela suspensão da Notificação nº 004/2026 e, depois, façam a mediação entre o Aeroclube e a Administração Municipal.
A entidade deixou claro durante a Sessão que não pretende impedir a concessão.
Ao contrário, Alexandre resumiu a posição defendida pelo Aeroclube ao afirmar que a instituição “não é um impedimento à concessão” e pode atuar como “parceiro estratégico”.
Discussão agora está também nas mãos da Câmara
A ida do Aeroclube à Tribuna Livre muda o estágio dessa discussão.
Até então, o conflito estava concentrado principalmente entre notificações, legislação municipal e decisões administrativas relacionadas à reorganização do aeródromo.
Agora os vereadores foram chamados diretamente a participar.
O primeiro pedido é urgente: tentar suspender uma notificação cujo prazo já está em andamento.
O segundo pode ter alcance maior: abrir publicamente os estudos e discutir como a concessão do Aeródromo de Tatuí será conduzida e qual será o espaço reservado ao Aeroclube nesse futuro.
Depois de mais de oito décadas de presença da entidade no aeródromo, essa passou a ser também uma discussão dentro da Câmara Municipal.