Aeroclube de Tatuí leva disputa dos hangares à Câmara e pede audiência pública

Aeroclube de Tatuí pede audiência pública sobre concessão do aeródromo.
Jota A
10 de setembro de 2026

A concessão do Aeródromo de Tatuí entrou em uma nova fase de discussão depois que o Aeroclube levou diretamente à Câmara Municipal a disputa envolvendo a desocupação de parte dos hangares. Na 30ª Sessão Ordinária, realizada na terça-feira (8), a entidade pediu apoio dos vereadores, suspensão da notificação expedida pela Prefeitura e maior transparência sobre o futuro do aeródromo.

Mas a manifestação não ficou restrita à área que o Aeroclube poderá perder.

Na Tribuna Livre, a entidade também defendeu que os estudos que sustentam a futura concessão sejam apresentados e discutidos em uma audiência pública.

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O diretor de Instrução do Aeroclube de Tatuí, Alexandre Simões, utilizou a Tribuna Livre no início da Sessão Ordinária para apresentar aos vereadores a situação provocada pela Notificação nº 004/2026.

Segundo a Câmara de Tatuí, o documento foi enviado em 20 de agosto e estabelece prazo de 30 dias para a desocupação de mais da metade dos hangares atualmente utilizados pela entidade.

O assunto já havia sido mostrado pelo site AeroJota em 3 de setembro, quando revelamos que o Aeroclube recebeu 30 dias para deixar parte dos hangares.

No dia seguinte, mostramos também as possíveis consequências da redução da área antes da concessão.

Desta vez, porém, o fato novo é outro: a discussão chegou formalmente ao Legislativo municipal.

Durante a manifestação, Alexandre Simões lembrou aos vereadores que a própria Câmara participou da aprovação da Lei Municipal nº 6.055/2025.

A legislação autorizou a concessão do aeródromo e estabeleceu que, durante sua vigência, deverá ser assegurado ao Aeroclube o uso das instalações e hangares atualmente utilizados pela entidade para suas atividades.

Foi justamente essa diferença entre o que determina a lei e a atual ordem de desocupação que o representante do Aeroclube levou aos vereadores.

Segundo a Câmara, Simões afirmou que a notificação causou “muito espanto” aos dirigentes da entidade.

A fala mais contundente da noite veio quando Alexandre Simões descreveu a reação do Aeroclube diante da medida.

“É triste dizer, mas é um sentimento de traição.”

Segundo ele, o sentimento também estaria relacionado ao fato de a lei ter tramitado por mais de um ano na Câmara, passado por comissões e estabelecido proteção específica às instalações utilizadas pelo Aeroclube.

A manifestação colocou, portanto, os próprios vereadores diante de uma questão que agora ultrapassa a relação administrativa entre Prefeitura e Aeroclube.

A lei aprovada pelo Legislativo passou a fazer parte central da discussão apresentada dentro da própria Câmara.

Na Tribuna Livre, o Aeroclube também apresentou uma pergunta que até agora permanece sem resposta pública clara: qual será a destinação dos hangares que deverão ser desocupados?

Alexandre Simões afirmou que a notificação não apresentou justificativa específica sobre o uso futuro dessas estruturas.

Ele mencionou ainda informações sobre uma possível Escola de Mecatrônica no aeródromo e questionou se decisões desse tipo não deveriam ser discutidas com a sociedade.

A colocação não foi apresentada como oposição à instalação de uma escola, mas como cobrança por transparência sobre o planejamento da área.

concessão do Aeródromo de Tatuí
concessão do Aeródromo de Tatuí

Foi nesse ponto que a discussão ganhou uma dimensão maior.

Alexandre Simões defendeu que os estudos de viabilidade econômica relacionados à concessão do Aeródromo de Tatuí sejam analisados também em audiência pública.

A proposta levaria para uma discussão aberta questões que até agora aparecem principalmente em procedimentos administrativos: modelo de concessão, exploração das áreas, investimentos previstos e convivência da futura concessionária com as atividades aeronáuticas já existentes.

A Prefeitura já realizou o Procedimento de Manifestação de Interesse destinado aos estudos que poderão estruturar a futura operação, manutenção e expansão do aeródromo.

O pedido do Aeroclube é que o conteúdo e as consequências desse planejamento sejam debatidos publicamente antes das próximas etapas.

Apesar da discussão sobre o futuro da concessão, existe uma questão imediata.

O prazo de 30 dias determinado pela Prefeitura continua correndo.

Por isso, Alexandre Simões pediu aos vereadores que atuem inicialmente pela suspensão da Notificação nº 004/2026 e, depois, façam a mediação entre o Aeroclube e a Administração Municipal.

A entidade deixou claro durante a Sessão que não pretende impedir a concessão.

Ao contrário, Alexandre resumiu a posição defendida pelo Aeroclube ao afirmar que a instituição “não é um impedimento à concessão” e pode atuar como “parceiro estratégico”.

A ida do Aeroclube à Tribuna Livre muda o estágio dessa discussão.

Até então, o conflito estava concentrado principalmente entre notificações, legislação municipal e decisões administrativas relacionadas à reorganização do aeródromo.

Agora os vereadores foram chamados diretamente a participar.

O primeiro pedido é urgente: tentar suspender uma notificação cujo prazo já está em andamento.

O segundo pode ter alcance maior: abrir publicamente os estudos e discutir como a concessão do Aeródromo de Tatuí será conduzida e qual será o espaço reservado ao Aeroclube nesse futuro.

Depois de mais de oito décadas de presença da entidade no aeródromo, essa passou a ser também uma discussão dentro da Câmara Municipal.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.