Companhias aéreas querem operar em Congonhas após as 23h00 após crise que afetou milhares de passageiros
Companhias aéreas querem operar em Congonhas após as 23h em situações excepcionais e abriram um novo debate sobre o funcionamento do aeroporto mais movimentado da aviação doméstica brasileira. O pedido foi apresentado pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e prevê autorização apenas para casos específicos, como mau tempo, panes técnicas ou falhas no controle de tráfego aéreo.
A proposta não prevê ampliação permanente do horário de funcionamento do Aeroporto de Congonhas. Atualmente, o terminal opera entre 06h00 e 23h00 devido às restrições de ruído em uma das áreas mais densamente povoadas da cidade de São Paulo. Ainda assim, as companhias argumentam que situações críticas acabam provocando cancelamentos em massa, atrasos em cadeia e prejuízos milionários.
Crise operacional em abril aumentou pressão sobre a ANAC
O debate ganhou força após a crise operacional registrada em 9 de abril de 2026, quando falhas relacionadas ao sistema de controle de tráfego aéreo afetaram diretamente as operações em Congonhas. Na ocasião, o aeroporto recebeu autorização excepcional para funcionar até a meia-noite.
Segundo informações divulgadas pelas empresas aéreas, aproximadamente 39 mil passageiros foram impactados naquele episódio. Além disso, dezenas de voos precisaram ser cancelados ou alterados, gerando efeitos em diversos aeroportos do país.
O setor aéreo passou a defender que operações excepcionais após as 23h poderiam reduzir significativamente os impactos dessas crises. Na prática, uma única interrupção em Congonhas costuma afetar toda a malha aérea nacional devido à importância estratégica do aeroporto.
Pedido prevê apenas situações excepcionais
As companhias aéreas afirmam que não pretendem transformar Congonhas em um aeroporto com operação regular durante a madrugada. O pedido apresentado à ANAC trata exclusivamente de contingências operacionais consideradas fora da normalidade.
Entre os cenários mencionados estão tempestades severas, panes técnicas, congestionamentos no espaço aéreo e falhas nos sistemas de controle de tráfego. Nesses casos, voos já em andamento poderiam concluir a operação no próprio aeroporto, evitando desvios, cancelamentos e passageiros presos em terminais.
O tema também envolve o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), responsável pela gestão do tráfego aéreo brasileiro. Até o momento, os órgãos ainda analisam a solicitação apresentada pelas empresas.
Congonhas já teve rotina mais ampla antes das restrições atuais
Antes das restrições atuais, Congonhas tinha uma rotina operacional mais ampla. O aeroporto surgiu em uma área menos adensada, porém São Paulo cresceu rapidamente ao redor da pista. Com isso, o ruído das aeronaves passou a gerar reclamações frequentes de moradores da zona sul.
Em 1976, o antigo Departamento de Aviação Civil limitou o funcionamento do aeroporto ao período entre 06h00 e 23h00. A medida buscou reduzir o impacto sonoro na vizinhança e, ao mesmo tempo, reorganizou a rotina operacional do terminal.
Depois disso, a ANAC consolidou a regra em 2008. Desde então, Congonhas não recebe operações civis regulares após as 23h00 e antes das 06h00. Ainda assim, a norma prevê exceções específicas, como transporte médico, órgãos para transplante e situações relacionadas à segurança operacional.
Por isso, o pedido atual das companhias aéreas retoma uma discussão antiga em São Paulo. De um lado, moradores defendem a manutenção do limite noturno. Do outro, empresas argumentam que uma flexibilização pontual poderia reduzir cancelamentos em massa, atrasos em cadeia e impactos na malha aérea nacional.
Restrição noturna existe desde 2008 em Congonhas
O Aeroporto de Congonhas possui restrições operacionais noturnas há quase duas décadas. Apesar disso, operações excepcionais já ocorreram em casos específicos relacionados à segurança operacional, transporte médico ou crises relevantes no sistema aéreo nacional.
A discussão atual reacende um tema historicamente sensível em São Paulo. De um lado, moradores defendem a manutenção das restrições noturnas. Do outro, companhias aéreas argumentam que uma flexibilização limitada poderia evitar colapsos operacionais em situações críticas.
Debate pode impactar passageiros em todo o Brasil
Embora a proposta trate diretamente de Congonhas, o impacto vai muito além da capital paulista. O aeroporto funciona como um dos principais centros de conexão da aviação doméstica brasileira e influencia operações em praticamente todo o país.
Quando Congonhas enfrenta paralisações, atrasos ou fechamento temporário, companhias aéreas frequentemente precisam reorganizar aeronaves, tripulações e conexões em diversos estados. Por isso, o setor defende mecanismos que permitam maior flexibilidade operacional em momentos críticos.
Até agora, porém, a ANAC ainda não divulgou decisão oficial sobre o pedido apresentado pelas empresas aéreas.





