O piloto que transformou a luta de um aeroclube em uma causa nacional

Jota

5 de junho de 2026

Piloto Jolando Gatto Presidente da FEBRAERO com o Gov do Estado de SP no Aeroclube de Marília_Imagem arquivo pessoal

Até poucos anos atrás, o empresário Jolando Gatto levava uma rotina parecida com a de milhares de apaixonados pela aviação. Entre os compromissos profissionais e a vida em família junto com o filho pequeno, ele encontrava tempo para frequentar o Aeroclube de Marília, no interior paulista, realizar seus voos e conviver com amigos que compartilhavam a mesma paixão pelos aviões e planadores

Nada indicava que aquele piloto se tornaria uma das vozes mais conhecidas na defesa dos aeroclubes brasileiros.

No entanto, uma notícia mudou completamente o rumo dessa história.

O Aeroclube de Marília recebeu a informação de que deveria deixar a área que ocupava no aeroporto. A justificativa apresentada envolvia projetos de expansão aeroportuária. A partir daquele momento, dirigentes, instrutores e frequentadores iniciaram uma série de reuniões e tentativas de negociação para evitar o despejo da instituição.

Piloto Jolando Gatto Presidente da FEBRAERO com o Gov do Estado de SP no Aeroclube de Marília_Imagem arquivo pessoal
Piloto Jolando Gatto Presidente da FEBRAERO com o Gov do Estado de SP no Aeroclube de Marília_Imagem arquivo pessoal
A disputa em Marília revelou um problema maior

Durante as tratativas, integrantes do aeroclube localizaram documentos antigos que apontavam para projetos de expansão capazes de coexistir com as atividades da entidade.

Mesmo assim, as negociações não avançaram como esperado.

O assunto chegou a autoridades municipais e estaduais. Em uma visita do governador de São Paulo ao aeroporto, representantes do aeroclube tentaram entregar documentos relatando a situação enfrentada pela instituição.

Pouco tempo depois, ocorreu um episódio que muitos envolvidos jamais esqueceram.

Pouco tempo depois, a situação ganhou um novo capítulo. Segundo relato de Piloto Jolando Gatto, os representantes do aeroclube que estiveram no encontro com o governador no Aeroporto de Marília, foram chamados pela Polícia Federal após uma acusação de invasão de pista, feita pela concessionária que administra o aeroporto de Marília

A acusação causou surpresa entre os envolvidos. Uma imagem de arquivo pessoal mostra Jolando Gatto e outros participantes reunidos em área do aeroporto durante a visita oficial, em contexto público e acompanhado. Para integrantes do aeroclube, aquele episódio marcou uma virada definitiva na forma de encarar a disputa.

Piloto-Jolando-Gatto-Presidente-da-FEBRAERO-com-o-Gov-do-Estado-de-SP-no-Aeroclube-de-Marilia_Imagem-arquivo-pessoal
Piloto-Jolando-Gatto-Presidente-da-FEBRAERO-com-o-Gov-do-Estado-de-SP-no-Aeroclube-de-Marilia_Imagem-arquivo-pessoal

Quem conhece Jolando costuma brincar que, apesar de carregar “Gatto” no sobrenome, foi naquele momento que ele passou a falar e agir como um leão.

Inconformado com a situação enfrentada pelo Aeroclube de Marília e como foi acusado pela concessionária, o piloto decidiu aprofundar sua pesquisa sobre o que estava acontecendo em outras regiões do país.

O que encontrou chamou sua atenção.

Casos semelhantes surgiam em diferentes estados. Aeroclubes tradicionais enfrentavam disputas envolvendo áreas aeroportuárias, ameaças de despejo, encerramento de atividades ou dificuldades para garantir sua permanência.

Aos poucos, ficou evidente que Marília não era um caso isolado.

Foi então que o empresário voltou a ocupar uma posição que não experimentava havia muitos anos: a de estudante.

Jolando passou a dedicar parte de seu tempo ao estudo da legislação aeronáutica, da estrutura regulatória da aviação brasileira e do funcionamento de órgãos ligados ao setor.

Nesse período, convidou para a missão seu amigo pessoal Dr. Cesar Mazzoni, advogado especializado em Direito Aeronáutico, professor universitário e piloto de planador há mais de três décadas.

A parceria permitiu unir conhecimento jurídico e experiência prática da aviação em uma mesma causa.

Inicialmente, o objetivo era defender o Aeroclube de Marília. Porém, a realidade mostraria que o desafio era muito maior.

O primeiro passo foi simples. Ele criou um grupo no WhatsApp e convidou presidentes de aeroclubes de todo o Brasil e começaram a trocar mensagens relatando suas dificuldades e problemas com concessionárias, prefeituras e Infraero

Com o passar do tempo, novos dirigentes foram convidados. Depois, vieram instrutores, empresários, escolas de aviação, entidades do setor, influenciadores, youtubers e profissionais que compartilhavam preocupações semelhantes.

Embora cada aeroclube tivesse sua própria história, os problemas eram parecidos. Muitos enfrentavam dificuldades relacionadas à permanência em áreas aeroportuárias. Outros lidavam com limitações operacionais ou disputas administrativas, com cobrança de aluguel abusivas.

Ainda assim, todos demonstravam preocupação com o futuro da formação aeronáutica brasileira. Por isso, naquele ambiente de troca de mensagens, relatos e informações, surgiu a percepção de que faltava uma representação nacional forte para reunir essas demandas.

Em 21 de janeiro de 2026, uma Assembleia Geral Extraordinária aprovou a transformação da antiga Federação dos Aeroclubes do Rio Grande do Sul em uma entidade de abrangência nacional.

Nascia oficialmente a FEBRAERO – Federação Brasileira dos Aeroclubes.

A iniciativa preservou o legado histórico da entidade gaúcha, fundada em 1950, mas ampliou sua atuação para representar aeroclubes de todo o país.

Jolando Gatto foi escolhido naturalmente para presidir a nova federação, após votação unânime.

A partir daquele momento, os aeroclubes passaram a contar com uma organização voltada exclusivamente para defender seus interesses em âmbito nacional.

Com a FEBRAERO estruturada, o movimento ganhou força. A partir daí, a entidade passou a participar de reuniões institucionais, encontros técnicos, eventos aeronáuticos e discussões sobre o futuro dos aeroclubes.

Além disso, o tema chegou ao meio político. Por isso, parlamentares como o senador Marcos Pontes, o deputado estadual Tenente Coimbra, o deputado federal Coronel Tadeu e o assessor parlamentar e candidato a deputado federal Juliano da Campestre passaram a acompanhar as discussões relacionadas ao setor.

Paralelamente, a mobilização resultou na realização da primeira audiência pública voltada especificamente à situação dos aeroclubes na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Desde então, novas reuniões, congressos e audiências continuam sendo organizados em diferentes regiões do Brasil. Dessa forma, o debate deixou de acontecer apenas dentro dos aeroclubes e passou a alcançar autoridades, órgãos públicos e representantes da aviação nacional.

A história começou com um piloto que queria continuar frequentando seu aeroclube.

Entretanto, o que surgiu a partir daquela disputa ultrapassou os limites de uma única cidade.

Atualmente, dezenas de aeroclubes acompanham as ações desenvolvidas pela FEBRAERO. Entidades, empresas, escolas de aviação e profissionais do setor também passaram a manifestar apoio à iniciativa.

Independentemente dos resultados das disputas em andamento, uma transformação já aconteceu.

Aeroclubes que antes enfrentavam seus problemas de forma isolada passaram a se enxergar como parte de uma mesma causa.

E foi justamente dessa união que nasceu um movimento que continua moldando o debate sobre o futuro dos aeroclubes brasileiros, sob o comando do piloto, empresário, marido e pai Jolando Gatto, o Leão.

Salvem os Aeroclubes_Imagem ilustrativa
Salvem os Aeroclubes_Imagem ilustrativa