Esquadrilha canadense encerra uma era na aviação militar e prepara a transição para novas aeronaves, com retorno previsto para 2030
A Esquadrilha do Canadá, conhecida mundialmente como Snowbirds, está encerrando um dos capítulos mais importantes da aviação militar canadense. Depois de 55 anos utilizando os jatos Canadair CT-114 Tutor, a equipe realizou suas últimas apresentações acrobáticas em outubro de 2026 e prepara a despedida definitiva das aeronaves que se tornaram um símbolo nacional.
A mudança vai além da substituição de aviões antigos. Pela primeira vez em décadas, o público ficará um período prolongado sem acompanhar as demonstrações dos Snowbirds, enquanto a Força Aérea Real Canadense prepara uma nova geração de aeronaves.

Última apresentação dos Snowbirds aconteceu em outubro
A despedida das apresentações públicas ocorreu nos dias 10 e 11 de outubro, durante o California Capital Airshow, em Sacramento, nos Estados Unidos, evento que também reuniu os Thunderbirds, da Força Aérea norte-americana.
Em 16 de outubro, os pilotos realizaram uma última demonstração acrobática na Base Aérea de Moose Jaw, na província canadense de Saskatchewan, sede do 431º Esquadrão de Demonstração Aérea.
A apresentação foi reservada a convidados, familiares e militares, mas também foi transmitida pela internet.
Canadair CT-114 Tutor voa desde 1963
O Canadair CT-114 Tutor entrou em serviço na Força Aérea Real Canadense em 1963, inicialmente como aeronave destinada à formação de pilotos militares.
Em 1971, passou a equipar os Snowbirds, tornando-se um dos aviões mais reconhecidos pelo público canadense. Durante décadas, seus jatos brancos, vermelhos e azuis participaram de demonstrações aéreas pela América do Norte.
Diferentemente de equipes que utilizam caças de alto desempenho, os Snowbirds ficaram conhecidos pela precisão de suas formações, especialmente aquelas realizadas com nove aeronaves.
Embora tenha deixado a função principal de treinamento militar em 2000, o Tutor permaneceu com a esquadrilha por mais de duas décadas.
No Brasil, a Esquadrilha da Fumaça também é reconhecida internacionalmente pela precisão de suas apresentações. Entre seus feitos históricos está o recorde mundial de voo invertido em formação com 12 aeronaves, realizado em Pirassununga, no interior de São Paulo.
As características da aeronave estão disponíveis na ficha oficial do CT-114 Tutor.

Por que o Canadá decidiu aposentar os Tutor?
A idade avançada das aeronaves e as dificuldades crescentes para manter sua aeronavegabilidade foram determinantes para a decisão.
Documentos oficiais do Ministério da Defesa canadense apontam que prolongar a vida operacional da frota deixou de ser considerado tecnicamente viável ou prático.
Embora os Tutor estivessem anteriormente previstos para permanecer em serviço até 2030, o governo antecipou sua retirada, estabelecendo 2026 como a última temporada de apresentações.
Snowbirds trocarão jatos por aeronaves turboélice
O futuro da esquadrilha já começou a ser definido.
Em 19 de maio de 2026, o Ministério da Defesa do Canadá anunciou a escolha do CT-157 Siskin II, versão baseada no turboélice suíço Pilatus PC-21, para substituir os Tutor.
A nova aeronave deverá cumprir funções de treinamento e demonstração aérea, permitindo maior integração com os programas de formação de pilotos militares.
Segundo o comunicado oficial do governo canadense, a equipe continuará sediada em Moose Jaw e deverá recuperar gradualmente sua tradicional formação de nove aeronaves.
A previsão é que a nova capacidade de demonstração aérea esteja operacional no início da década de 2030.
Último voo dos Tutor está previsto para novembro
Apesar do encerramento das apresentações acrobáticas, ainda existe uma despedida programada.
O calendário oficial dos Snowbirds prevê a participação da equipe em 15 de novembro de 2026, durante a Grey Cup, final do campeonato de futebol canadense, em Calgary.
A participação será um sobrevoo, não uma apresentação acrobática completa. Após esse compromisso, a frota deverá ser retirada de serviço.
Para os admiradores da aviação, a despedida representa o encerramento de uma história que atravessou gerações.
Os Snowbirds não serão extintos, mas sua ausência temporária deixará uma lacuna no calendário de demonstrações aéreas da América do Norte.
Quando retornarem com os CT-157 Siskin II, terão o desafio de preservar uma tradição iniciada em 1971, agora com aeronaves de uma geração completamente diferente.





