Passageiros brasileiros voltam a enfrentar incerteza sobre viagens já pagas
A Flybondi segue sem voar, apesar de ter anunciado uma tentativa de retomada das operações para setembro. A data chegou, passou, e passageiros que possuem bilhetes da companhia continuam sem uma resposta clara sobre suas viagens.
Nessa segunda-feira dia 14 de setembro de 2026, a empresa argentina completou 39 dias sem realizar voos comerciais, enquanto seu site oficial voltou a apresentar dificuldades de acesso no Brasil.
Para quem comprou uma passagem antecipadamente, o problema é direto: além de não haver retomada confirmada das operações, até consultar uma reserva pode se tornar difícil.
A crise não começou agora. Em julho, o site AeroJota já mostrava a paralisação da Flybondi em meio a dificuldades operacionais e financeiras.
A diferença é que, depois disso, a companhia chegou a voltar a vender passagens e indicar que retornaria aos céus em setembro.
Até agora, isso não aconteceu.

Retomada estava prevista para 10 de setembro
Depois de permanecer cerca de uma semana fora do ar em agosto, o site da Flybondi voltou a funcionar no dia 22 e passou novamente a oferecer voos.
Segundo o iProfesional, o primeiro serviço estava previsto para 10 de setembro, entre Buenos Aires e Mendoza, com duas frequências semanais. Bariloche aparecia a partir do dia 11 e Puerto Iguazú no dia 12.
Porém, no próprio dia 10, a companhia continuava sem voar.
O jornal argentino Página/12 informou naquela data que a Flybondi acumulava 35 dias sem operações. A publicação também relatou novos embargos e destacou a deterioração financeira da companhia.
Quatro dias depois, não há confirmação de retomada dos voos comerciais.
Passageiros brasileiros já estavam no centro da crise
No Brasil, a situação já havia provocado reação da Agência Nacional de Aviação Civil.
Entre 1º e 27 de julho, a Flybondi cancelou 79% dos voos registrados no país. Diante do quadro, a ANAC restringiu novas vendas de passagens.
A medida, porém, não cancelou automaticamente os bilhetes já emitidos.
A própria Agência deixou claro que a companhia continuava responsável pelos passageiros que já tinham viagens contratadas, incluindo alternativas como reacomodação ou reembolso em caso de cancelamento. A decisão foi detalhada pela Agência Brasil.
Em agosto, como mostrou o AeroJota, as restrições foram ampliadas e passaram a atingir também novas vendas para a ligação com o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão.

Site fora do ar já havia preocupado passageiros
A dificuldade para acessar o portal da companhia também não é novidade.
Em 19 de agosto, o AeroJota mostrou que a Flybondi estava sem voar havia 12 dias e que seu site oficial havia saído do ar.
Naquela ocasião, nossa principal preocupação já eram os passageiros brasileiros que possuíam viagens futuras.
Depois, o portal retornou e voltou a vender bilhetes.
Agora, novamente há dificuldades de acesso no Brasil, enquanto a empresa permanece sem operação comercial confirmada.
Para quem possui uma viagem marcada, a pergunta deixou de ser apenas quando a Flybondi voltará a voar.
A questão é mais simples e urgente:
o que acontecerá com a passagem que já foi paga?
O que o passageiro brasileiro pode fazer
A ausência de voos não elimina as obrigações relacionadas às passagens comercializadas no Brasil.
Quem possui bilhete da Flybondi deve guardar localizador da reserva, comprovante de pagamento, e-mails, mensagens recebidas e registros das tentativas de contato com a empresa.
Caso não consiga atendimento, o passageiro pode utilizar o ANAC Passageiro, sistema oficial destinado à orientação e registro de demandas relacionadas ao transporte aéreo.
Outro caminho é o Consumidor.gov.br, plataforma pública de solução de conflitos entre consumidores e empresas participantes.

A Flybondi acabou?
Ainda não é possível afirmar isso.
Uma companhia permanecer várias semanas sem realizar voos é diferente de ter seu certificado cancelado, declarar falência ou anunciar oficialmente o encerramento das atividades.
O que se pode afirmar é que a Flybondi não realiza voos comerciais desde 6 de agosto de 2026, não concretizou até esta terça-feira dia 15 setembro 2026 a retomada indicada para setembro e continua enfrentando problemas financeiros e judiciais na Argentina.
Quando o AeroJota publicou a matéria de 19 de agosto, a pergunta era quando a companhia voltaria a voar.
Quase um mês depois, a resposta ainda não apareceu.
Para o passageiro brasileiro que já pagou pela viagem, porém, existe uma preocupação ainda mais imediata:
o que acontecerá com a sua passagem?






