Aviões escondidos na mata, combustível e pistas improvisadas revelam a estrutura aérea do garimpo ilegal em Roraima
O garimpo ilegal na Amazônia depende de uma estrutura aérea que vai muito além dos pequenos aviões utilizados em pistas improvisadas. Em regiões isoladas, onde o deslocamento terrestre pode levar vários dias, aeronaves e depósitos de combustível formam uma rede logística difícil de fiscalizar.
Na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, aeronaves escondidas sob a vegetação, pistas clandestinas e depósitos de combustível revelam uma estrutura aérea utilizada para abastecer áreas de extração mineral. As operações de fiscalização passaram a atingir não apenas os aviões, mas também a infraestrutura que permite sua utilização.

Garimpo ilegal na Amazônia perde dez aviões e 15 pistas clandestinas
Entre julho e outubro de 2026, seis aeronaves foram inutilizadas e outras quatro apreendidas durante operações contra o garimpo ilegal. No mesmo período, 15 pistas clandestinas foram inutilizadas.
Os números foram divulgados em 4 de novembro pela Casa Civil.
As ações atingiram oficinas, depósitos de combustível e pontos de apoio utilizados para manter as aeronaves operacionais em regiões afastadas dos aeroportos convencionais.
Cessna 182 escondido na mata e avião com 600 litros de combustível
Em 9 de julho, militares do Comando Conjunto Catrimani II localizaram um Cessna 182 escondido sob a vegetação na chamada Pista do Hélio, no Alto Catrimani. O monomotor passava por manutenção quando foi encontrado e inutilizado.
Em agosto, agentes da Força Nacional localizaram um Cessna 182F em uma estrada vicinal de Mucajaí. Pessoas preparavam o abastecimento da aeronave, mas fugiram com a aproximação das equipes.
O Ibama inutilizou o avião. No local foram encontrados aproximadamente 600 litros de combustível de aviação, equipamentos GPS, rádio de comunicação e uma antena Starlink Mini.
Em outubro, três Cessna 182 também foram apreendidos durante fiscalizações em instalações de manutenção em Boa Vista.

FAB, Exército e Marinha utilizam aeronaves militares nas operações
O combate à aviação clandestina depende de aeronaves capazes de transportar militares, equipamentos e equipes de fiscalização até regiões sem infraestrutura aeroportuária convencional.
Em ações da Operação Catrimani II, foram empregados o C-98 Caravan, da Força Aérea Brasileira (FAB), o helicóptero HM-1 Pantera, do Exército Brasileiro, e o UH-15 Super Cougar, da Marinha do Brasil.
Esses meios participaram do transporte de tropas e equipamentos durante a Operação Flecha Noturna VII, conforme comunicado do Ministério da Defesa.
O AeroJota também noticiou uma operação realizada em junho de 2025, quando a FAB utilizou um helicóptero H-60 Black Hawk e um drone RQ-900 para localizar e inutilizar um avião escondido em uma pista clandestina.
A reportagem anterior pode ser consultada aqui.
Pistas clandestinas sustentam a logística aérea do garimpo
A inutilização de 15 pistas clandestinas atingiu diretamente as rotas utilizadas para transportar pessoas, combustíveis e equipamentos.
Em setembro, a Operação Pouso Zero envolveu a ocupação de nove pistas na Terra Indígena Yanomami, buscando impedir a continuidade dos voos relacionados ao garimpo ilegal.
Pequenos monomotores conseguem operar em pistas rudimentares, mas essas condições também podem representar riscos adicionais pela irregularidade do terreno, ausência de infraestrutura e dificuldades de fiscalização.
A ANAC participa de ações de fiscalização aeronáutica relacionadas às investigações.
Fiscalizações também alcançam oficinas e hangares
As operações não ficaram restritas à floresta. Em Boa Vista e em áreas rurais de Roraima, equipes localizaram estruturas de manutenção, peças aeronáuticas, ferramentas e depósitos de combustível.
As ações envolveram diferentes órgãos, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Funai e Ibama.
Além das aeronaves e pistas, o balanço oficial contabilizou 67 acampamentos, 14 balsas e 15 embarcações inutilizados, além da apreensão de mercúrio e combustíveis.
Segundo os dados divulgados, o prejuízo estimado à atividade ilegal chegou a R$ 67 milhões entre julho e outubro.
Aviação permanece essencial nas operações na Amazônia
A retirada dos dez aviões de circulação e a inutilização das pistas clandestinas atingem uma das principais estruturas de transporte utilizadas pelo garimpo ilegal.
Ao mesmo tempo, aeronaves da FAB, do Exército e da Marinha continuam desempenhando funções importantes de reconhecimento, transporte e apoio às equipes que atuam em regiões isoladas.
A aviação, portanto, aparece nos dois lados dessas operações: como ferramenta logística explorada por atividades ilegais e como recurso fundamental para a fiscalização e o acesso às áreas remotas da Amazônia.
Fonte: Governo Federal





