Revo prepara primeiras rotas do eVTOL da Eve para 2028 em São Paulo

REVO prepara rotas para os eVTOL em 2028_Imagem ilustrativa
Jota A
17 de agosto de 2026

As primeiras rotas do eVTOL da Revo em São Paulo começam a sair do campo das projeções para entrar no planejamento das futuras operações dos chamados “carros voadores”.

Em São Paulo, a Revo, empresa especializada em mobilidade aérea que oferece atualmente voos de helicóptero, prepara uma nova etapa de sua operação. A companhia trabalha com o eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, controlada da Embraer, e já analisa onde a aeronave elétrica poderá voar.

No entanto, nem todos os destinos atualmente atendidos por helicópteros deverão receber o novo modelo.

REVO prepara rotas para os eVTOL em 2028_Imagem ilustrativa 1
REVO prepara rotas para os eVTOL em 2028_Imagem ilustrativa 1

A expectativa da Revo é iniciar as operações comerciais com o eVTOL em 2028, desde que o desenvolvimento da aeronave e a certificação avancem conforme o planejado.

Entre os pontos considerados estão Faria Lima, Alphaville e o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista, também aparece entre os destinos avaliados.

Além disso, Campos do Jordão poderá receber voos privados.

A escolha mostra como a empresa pretende utilizar a nova aeronave: principalmente em deslocamentos urbanos e regionais mais curtos.

Inicialmente, destinos do litoral paulista chegaram a aparecer entre as possibilidades de operação do eVTOL.

Entretanto, após uma análise interna, a Revo informou que essas rotas não deverão utilizar a aeronave elétrica.

Destinos como Fazenda Boa Vista, Angra dos Reis e Paraty também devem permanecer, ao menos inicialmente, com os helicópteros.

Um dos principais fatores é a autonomia.

O eVTOL da Eve está sendo desenvolvido com alcance de aproximadamente 100 quilômetros. Contudo, muitas das rotas consideradas mais adequadas para o equipamento devem ficar na faixa de 30 a 40 quilômetros.

Por isso, nem todo destino atualmente atendido por helicópteros será automaticamente transferido para o eVTOL.

A chegada da nova aeronave também não representa o abandono dos helicópteros.

Atualmente, a Revo utiliza modelos como os Airbus H135 e H155. Essas aeronaves continuam oferecendo vantagens em trajetos mais longos ou operações que exigem maior capacidade de bagagem e flexibilidade.

Assim, a tendência é de uma operação complementar.

Os eVTOLs poderão atender parte das rotas urbanas e regionais mais curtas. Enquanto isso, os helicópteros continuarão presentes nos destinos que exigem maior alcance.

REVO prepara rotas para os eVTOL em 2028_Imagem ilustrativa 2
REVO prepara rotas para os eVTOL em 2028_Imagem ilustrativa 2

O projeto ganhou força em junho de 2025, quando Eve Air Mobility, Revo e Omni Helicopters International anunciaram um acordo envolvendo até 50 eVTOLs.

Na ocasião, a previsão apontava a primeira entrega para o quarto trimestre de 2027.

Desde então, o programa avançou. Em dezembro de 2025, a Eve realizou, em Gavião Peixoto (SP), o primeiro voo de seu protótipo em escala real.

A campanha de testes continuou em 2026 e faz parte do processo necessário para o desenvolvimento e a certificação da aeronave.

Apesar dos planos da Revo, existe uma diferença importante entre planejar a operação para 2028 e garantir que os voos começarão naquele ano.

A certificação brasileira está sob responsabilidade da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).

Representantes da própria agência já demonstraram cautela em relação ao calendário. Afinal, o processo depende dos ensaios, da demonstração dos requisitos de segurança e das demais etapas regulatórias.

Portanto, 2028 deve ser tratado como previsão da operadora, e não como uma data confirmada para o início dos voos comerciais.

Outro ponto ainda sem definição é o preço.

A Revo trabalha com a possibilidade de oferecer viagens no eVTOL por valores inferiores aos praticados atualmente em seus serviços de helicóptero.

A estimativa apresentada pela empresa aponta para uma redução entre 20% e 30%. Contudo, as tarifas ainda não foram definidas.

Se o cronograma avançar, São Paulo poderá se tornar um dos primeiros mercados brasileiros a testar, na prática, a convivência entre helicópteros e eVTOLs no transporte aéreo urbano.

Até lá, os helicópteros continuarão atendendo várias das rotas que, por enquanto, permanecem além do perfil operacional previsto para os novos elétricos.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.