Primeiras rotas do eVTOL da Revo em São Paulo começam a ser definidas
As primeiras rotas do eVTOL da Revo em São Paulo começam a sair do campo das projeções para entrar no planejamento das futuras operações dos chamados “carros voadores”.
Em São Paulo, a Revo, empresa especializada em mobilidade aérea que oferece atualmente voos de helicóptero, prepara uma nova etapa de sua operação. A companhia trabalha com o eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, controlada da Embraer, e já analisa onde a aeronave elétrica poderá voar.
No entanto, nem todos os destinos atualmente atendidos por helicópteros deverão receber o novo modelo.

Revo planeja primeiras rotas do eVTOL da Eve em São Paulo
A expectativa da Revo é iniciar as operações comerciais com o eVTOL em 2028, desde que o desenvolvimento da aeronave e a certificação avancem conforme o planejado.
Entre os pontos considerados estão Faria Lima, Alphaville e o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A Quinta da Baroneza, em Bragança Paulista, também aparece entre os destinos avaliados.
Além disso, Campos do Jordão poderá receber voos privados.
A escolha mostra como a empresa pretende utilizar a nova aeronave: principalmente em deslocamentos urbanos e regionais mais curtos.
Autonomia muda os planos para o litoral
Inicialmente, destinos do litoral paulista chegaram a aparecer entre as possibilidades de operação do eVTOL.
Entretanto, após uma análise interna, a Revo informou que essas rotas não deverão utilizar a aeronave elétrica.
Destinos como Fazenda Boa Vista, Angra dos Reis e Paraty também devem permanecer, ao menos inicialmente, com os helicópteros.
Um dos principais fatores é a autonomia.
O eVTOL da Eve está sendo desenvolvido com alcance de aproximadamente 100 quilômetros. Contudo, muitas das rotas consideradas mais adequadas para o equipamento devem ficar na faixa de 30 a 40 quilômetros.
Por isso, nem todo destino atualmente atendido por helicópteros será automaticamente transferido para o eVTOL.
Helicópteros devem continuar na operação
A chegada da nova aeronave também não representa o abandono dos helicópteros.
Atualmente, a Revo utiliza modelos como os Airbus H135 e H155. Essas aeronaves continuam oferecendo vantagens em trajetos mais longos ou operações que exigem maior capacidade de bagagem e flexibilidade.
Assim, a tendência é de uma operação complementar.
Os eVTOLs poderão atender parte das rotas urbanas e regionais mais curtas. Enquanto isso, os helicópteros continuarão presentes nos destinos que exigem maior alcance.

Acordo prevê até 50 eVTOLs
O projeto ganhou força em junho de 2025, quando Eve Air Mobility, Revo e Omni Helicopters International anunciaram um acordo envolvendo até 50 eVTOLs.
Na ocasião, a previsão apontava a primeira entrega para o quarto trimestre de 2027.
Desde então, o programa avançou. Em dezembro de 2025, a Eve realizou, em Gavião Peixoto (SP), o primeiro voo de seu protótipo em escala real.
A campanha de testes continuou em 2026 e faz parte do processo necessário para o desenvolvimento e a certificação da aeronave.
2028 ainda depende da certificação
Apesar dos planos da Revo, existe uma diferença importante entre planejar a operação para 2028 e garantir que os voos começarão naquele ano.
A certificação brasileira está sob responsabilidade da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC).
Representantes da própria agência já demonstraram cautela em relação ao calendário. Afinal, o processo depende dos ensaios, da demonstração dos requisitos de segurança e das demais etapas regulatórias.
Portanto, 2028 deve ser tratado como previsão da operadora, e não como uma data confirmada para o início dos voos comerciais.
Quanto poderá custar uma viagem?
Outro ponto ainda sem definição é o preço.
A Revo trabalha com a possibilidade de oferecer viagens no eVTOL por valores inferiores aos praticados atualmente em seus serviços de helicóptero.
A estimativa apresentada pela empresa aponta para uma redução entre 20% e 30%. Contudo, as tarifas ainda não foram definidas.
Se o cronograma avançar, São Paulo poderá se tornar um dos primeiros mercados brasileiros a testar, na prática, a convivência entre helicópteros e eVTOLs no transporte aéreo urbano.
Até lá, os helicópteros continuarão atendendo várias das rotas que, por enquanto, permanecem além do perfil operacional previsto para os novos elétricos.






