Sangue raro viaja na cabine de avião comercial para salvar paciente em Minas Gerais

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Jota A
22 de outubro de 2026

Uma bolsa de sangue raro em avião comercial percorreu diferentes cidades brasileiras para atender um paciente que precisava urgentemente de uma transfusão.

A operação envolveu profissionais de saúde, logística terrestre e transporte aéreo, demonstrando como a aviação pode contribuir diretamente para salvar vidas.

O episódio ocorreu em 10 de outubro de 2026 e marcou um avanço na utilização de aeronaves comerciais em missões humanitárias no Brasil. Entretanto, o sucesso começou longe dos aeroportos, com a disponibilidade de uma pessoa que possuía uma característica sanguínea extremamente incomum.

Transporte-de-sangue-raro-por-aviao-comercial-conecta-doador-de-Santa-Catarina-a-paciente-em-Minas-Gerais.
Transporte-de-sangue-raro-por-aviao-comercial-conecta-doador-de-Santa-Catarina-a-paciente-em-Minas-Gerais.

O HEMOSC recebeu uma solicitação para atender um paciente de Juiz de Fora, em Minas Gerais, que precisava de sangue com fenótipo Js(b-), considerado extremamente raro.

Após consultar seus registros, o hemocentro identificou apenas um possível doador dessa tipagem em Santa Catarina.

O voluntário residia em Joinville e aceitou realizar a doação na manhã seguinte.

Profissionais do HEMOSC mobilizaram-se para coletar, analisar e liberar a bolsa no menor tempo possível.

O desafio seguinte seria fazer o sangue chegar ao paciente mineiro ainda naquele dia.

Após a coleta em Joinville, a bolsa seguiu por terra até Florianópolis, onde embarcou em um voo comercial com destino a Belo Horizonte.

Diferentemente do transporte convencional de cargas, o material viajou na cabine de passageiros, acondicionado em embalagem apropriada, com temperatura controlada entre 1°C e 10°C.

Depois de desembarcar em Belo Horizonte, o sangue seguiu até Juiz de Fora, chegando ao paciente em 10 de outubro.

Foi a primeira operação dessa modalidade realizada em Santa Catarina e a terceira registrada no Brasil.

Bolsa-de-sangue-raro-em-aviao-comercial-representa-operacao-humanitaria-realizada-entre-Santa-Catarina-e-Minas-Gerais.
Bolsa-de-sangue-raro-em-aviao-comercial-representa-operacao-humanitaria-realizada-entre-Santa-Catarina-e-Minas-Gerais.

A operação tornou-se possível após a atualização de um acordo de cooperação técnica utilizado no transporte aéreo de órgãos e tecidos destinados a transplantes.

A iniciativa passou a contemplar também o transporte emergencial de sangue raro para pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Com a participação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e das companhias aéreas, o material pode seguir gratuitamente na cabine de aeronaves comerciais.

Anteriormente, o envio como carga poderia envolver procedimentos mais demorados e atrasos logísticos.

O primeiro transporte brasileiro nessa modalidade ocorreu em 12 de setembro, entre São Paulo e Piauí. O segundo aconteceu em 9 de outubro, entre Ceará e Minas Gerais.

Embora os tipos A, B, AB e O sejam conhecidos, a compatibilidade sanguínea envolve características muito mais complexas.

Segundo a Sociedade Internacional de Transfusão de Sangue (ISBT), um perfil sanguíneo é considerado raro quando ocorre em menos de uma a cada mil pessoas testadas.

A entidade reconhece atualmente 49 sistemas sanguíneos, 400 antígenos e 2.031 variantes genéticas catalogadas como alelos.

Os antígenos são estruturas presentes na superfície das hemácias. Suas combinações determinam características sanguíneas que podem dificultar a identificação de doadores compatíveis.

O Cadastro Nacional de Sangue Raro, criado em 2013, reúne 2.032 doadores e já contribuiu para atender mais de 300 pacientes.

No caso mineiro, existiam dez possíveis doadores cadastrados, mas apenas quatro tinham a tipagem confirmada.

Como o site AeroJota mostrou na reportagem sobre o transporte aéreo de órgãos, companhias comerciais e a FAB participam de uma importante rede humanitária.

Em 2025, a Central Nacional de Transplantes intermediou 2.016 transportes: 1.716 em voos comerciais e 300 em aeronaves militares.

A aviação geral também contribui por meio de iniciativas como o TransplantAR, que mobiliza pilotos voluntários para transportar órgãos e equipes médicas.

Outra organização é o ASES Brasil, que realiza missões humanitárias envolvendo pacientes, medicamentos e apoio aéreo.

Essas iniciativas complementam o trabalho das instituições públicas, mostrando que a aviação brasileira também cumpre uma missão silenciosa: ajudar a salvar vidas.