Vídeo de Boeing 737 impressiona, mas o que aconteceu foi diferente
As imagens impressionam. Passageiros tentam se segurar enquanto um Boeing 737 com vibração na decolagem é sacudido violentamente durante a corrida pela pista. O vídeo rapidamente ganhou as redes sociais e, junto com ele, surgiram diferentes explicações para o que teria acontecido.
Algumas publicações falaram em falha de motor e até indicaram que o problema teria ocorrido após a decolagem. Mas havia um detalhe importante naquela cena que mudava completamente a história.
O Boeing 737-300 da Sepehran Airlines, matrícula EP-FSU, sequer chegou a sair do chão.

Forte vibração começou durante a corrida de decolagem
A ocorrência aconteceu em 14 de setembro de 2026, no Aeroporto Internacional de Mashhad, no Irã. A aeronave realizaria o voo SHI-4358, com destino a Kermanshah.
Durante a aceleração pela pista 31L, o Boeing começou a apresentar vibrações severas. O movimento foi tão intenso que componentes internos da cabine chegaram a se soltar.
A tripulação então rejeitou a decolagem e parou a aeronave ainda na pista. Ninguém ficou ferido.
E a explicação divulgada posteriormente também afastou a hipótese de falha de motor.
Problema estava relacionado ao trem de pouso principal
Segundo informações atribuídas à Organização de Aviação Civil do Irã, ocorreu uma vibração anormal conhecida como shimmy no trem de pouso principal.
A origem foi relacionada ao shimmy damper, componente responsável por controlar e amortecer esse tipo de oscilação. A inspeção apontou vazamentos, desgaste e corrosão.
A vibração também provocou danos no conjunto do trem de pouso, incluindo o lower torsion link, além dos pneus. A autoridade iraniana não apontou a condição dos pneus nem a atuação dos pilotos como responsáveis pela ocorrência.
Em outro caso acompanhado pelo site AeroJota, um Boeing 737 da WestJet teve o trem de pouso comprometido durante um pouso em Saint Maarten.
O que é o shimmy?
O fenômeno pode ser comparado, de maneira simplificada, a uma oscilação rápida e repetitiva de uma roda ou de componentes ligados ao trem de pouso.
Quando essa oscilação deixa de ser adequadamente amortecida, pode transmitir vibrações de grande intensidade para a estrutura da aeronave.
No caso do Boeing da Sepehran Airlines, as imagens gravadas pelos passageiros mostram justamente como essa energia chegou à cabine, provocando movimentos violentos e o desprendimento de componentes internos.
Apesar da aparência das imagens, não se tratava de turbulência. A aeronave permanecia no solo.
Cmte. Tati chama atenção para informações incorretas
Ao comentar o vídeo que circulou nas redes sociais, a Cmte. Tati chamou atenção justamente para algumas das informações que acompanharam as primeiras publicações.
Ela explica que o Boeing não chegou a decolar e que não houve uma falha de motor. A forte vibração ocorreu durante a corrida de decolagem e levou os pilotos à decisão de interromper a manobra.
A explicação ajuda a colocar as imagens em seu contexto correto e mostra também a importância de aguardar informações técnicas antes de atribuir uma causa a uma ocorrência aeronáutica apenas pela observação de um vídeo.

Decisão aconteceu ainda antes de o Boeing deixar o solo
Após a decolagem rejeitada, a pista 13R/31L chegou a ter restrições temporárias devido à aeronave imobilizada.
O voo para Kermanshah seria concluído posteriormente com outro Boeing 737-300 da companhia, o EP-FST, chegando ao destino com atraso de aproximadamente nove horas.
O episódio terminou sem feridos, embora as imagens registradas dentro da cabine mostrem uma situação de grande tensão.
Mais do que o impacto visual do vídeo, o caso também evidencia um princípio fundamental da operação aérea: diante de uma anormalidade durante a corrida de decolagem, existem procedimentos e critérios para interromper a manobra enquanto a aeronave ainda está no solo.
E, neste caso, foi exatamente o que aconteceu.






