Gravador de voz encontrado no PP-MGR chama atenção por equipar um helicóptero particular de apenas oito lugares
A caixa-preta do Bell 430 acidentado na Serra Catarinense pode se tornar uma das peças mais importantes para entender os momentos anteriores à queda. O equipamento foi encontrado entre os destroços pelos investigadores, mas existe uma particularidade: não é comum encontrar um gravador desse tipo em um helicóptero particular desse porte.
O equipamento recuperado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) é um Cockpit Voice Recorder (CVR), o gravador responsável por registrar comunicações e sons captados dentro da cabine.

Caixa-preta do Bell 430 será analisada em Brasília
A chamada caixa-preta foi recolhida durante a Ação Inicial realizada pelos investigadores no local do acidente, em Urubici (SC).
Segundo as informações divulgadas pelo CENIPA, o equipamento será encaminhado ao Laboratório de Leitura e Análise de Dados de Gravadores de Voo (LABDATA), em Brasília. Lá serão realizados os procedimentos de preparação, extração e degravação das informações registradas.
O conteúdo poderá ajudar os investigadores a reconstruir o ambiente dentro da cabine antes do acidente. Conversas, comunicações pelo rádio, alertas sonoros e outros ruídos podem fornecer elementos importantes quando analisados em conjunto com as demais evidências.
Isso, entretanto, não significa que o CVR sozinho apontará a causa do acidente.
O CENIPA cruza essas informações com dados meteorológicos, trajetória da aeronave, condições operacionais, destroços, sistemas, componentes e fatores humanos antes de chegar às conclusões da investigação.
Por que encontrar um CVR nesse helicóptero chama atenção?
Gravadores de voo são imediatamente associados aos grandes aviões comerciais. Nos helicópteros, a realidade é diferente.
Equipamentos desse tipo aparecem com maior frequência em aeronaves maiores e em operações mais complexas, como helicópteros utilizados no transporte de trabalhadores para plataformas de petróleo, onde capacidade, configuração, certificação e regras operacionais podem determinar requisitos adicionais.
O Bell 430 PP-MGR estava em outro cenário.
De acordo com a consulta oficial ao Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da ANAC, a aeronave era de operação privada, configurada para o RBAC 91. Fabricado em 2001, o helicóptero possuía oito assentos, sendo sete destinados a passageiros, peso máximo de decolagem de 4.218 quilos e autorização para voos IFR noturnos.
Outro detalhe é importante: a tripulação mínima prevista na certificação era de um piloto.
A regulamentação brasileira estabelece critérios específicos para a obrigatoriedade do gravador. O RBAC 91.609 determina, entre outras situações, a utilização de CVR em aeronaves multimotoras a turbina com seis ou mais assentos de passageiros quando dois pilotos são exigidos pelos requisitos de certificação ou por regra operacional.
Por isso, a simples presença de sete assentos para passageiros no PP-MGR não permite concluir que o CVR era obrigatório naquele voo. A configuração efetivamente instalada e a documentação da aeronave serão elementos importantes para compreender por que aquele Bell 430 estava equipado com o gravador.

Investigação entra agora em outra fase
O Bell 430 havia decolado de um condomínio aeronáutico em Porto Belo (SC) com destino a São Joaquim (SC), quando desapareceu durante o voo pela região serrana de Urubici. Após várias horas de buscas, os destroços foram encontrados na serra. Os dois tripulantes e três passageiros morreram.
As imagens do local indicam um impacto contra o terreno enquanto a aeronave ainda estava em voo. Por que o helicóptero atingiu a serra é justamente uma das questões que a investigação deverá esclarecer.
A existência de uma gravação pode ajudar a reconstruir o que acontecia dentro da cabine nos minutos anteriores ao impacto. Transformar esses registros em uma explicação para o acidente, porém, será trabalho da investigação técnica do CENIPA.
Mas será necessário esperar.
A existência de uma gravação pode ajudar a esclarecer o que acontecia dentro da cabine. Transformar esses registros em uma explicação para o acidente, porém, será trabalho da investigação técnica do CENIPA.






