Aeroporto de Marília terá obras de R$ 9,8 milhões, mas projeto levanta questionamentos

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Jota A
15 de outubro de 2026

As obras no Aeroporto de Marília, no interior de São Paulo, começaram com investimentos anunciados de aproximadamente R$ 9,8 milhões pela concessionária Rede VOA. O projeto prevê a reforma e ampliação do terminal de passageiros em três etapas, com conclusão programada para dezembro de 2028.

Entretanto, o planejamento levanta questionamentos sobre a capacidade futura do aeroporto e a necessidade de utilizar instalações do Aeroclube de Marília. A entidade aponta a existência de uma área alternativa de aproximadamente 70 mil metros quadrados, enquanto parte de suas instalações possui proteção por tombamento.

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A primeira etapa contempla a reforma de aproximadamente 973 metros quadrados do terminal existente, com investimento previsto de R$ 2,85 milhões. A conclusão está programada para dezembro de 2026.

Na segunda fase, prevista para 2027, o terminal deverá receber uma ampliação de 427 metros quadrados, ao custo estimado de R$ 2,31 milhões.

Por fim, a terceira etapa contempla outros 1.400 metros quadrados, com orçamento aproximado de R$ 4,71 milhões e entrega prevista para dezembro de 2028.

Somadas, as intervenções representam aproximadamente 2.800 metros quadrados entre áreas reformadas e ampliadas.

Apesar do anúncio do início das obras, a concessionária ainda não apresentou publicamente informações detalhadas sobre o percentual efetivamente executado, conforme reportagem do Marília Notícia

A deputada estadual Dani Alonso (PL-SP) — deputada estadual de São Paulo.e o deputado federal Capitão Augusto (PL-SP) — deputado federal por São Paulo, defendem uma ampliação mais abrangente do Aeroporto de Marília.

Os parlamentares consideram necessário reavaliar as dimensões do terminal, a capacidade do pátio de aeronaves e a infraestrutura de estacionamento.

Em junho de 2026, os parlamentares anunciaram que o Governo de São Paulo havia autorizado a revisão dos estudos técnicos para uma possível expansão maior

Entretanto, ainda não existe confirmação pública de alterações no projeto apresentado pela Rede VOA.

Um dos principais questionamentos envolve a existência de aproximadamente 70 mil metros quadrados que, segundo o Aeroclube de Marília, poderiam receber um novo terminal de passageiros.

A entidade afirma que essa área já havia sido considerada em estudos anteriores de expansão aeroportuária.

Em contrapartida, documentos relacionados ao tombamento do Aeroclube mencionam aproximadamente 3.200 metros quadrados de área protegida. Em julho de 2025, o site AeroJota noticiou que a Justiça manteve o tombamento após uma ação da Rede VOA

A diferença é expressiva: os 70 mil metros quadrados representam quase 22 vezes a superfície protegida pelo tombamento.

Embora essa comparação não comprove a viabilidade técnica da área alternativa, ela reforça a necessidade de a concessionária explicar por que o espaço utilizado pelo Aeroclube seria indispensável.

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Em janeiro de 2025, o Coronel Aviador Marcel Gomes Moure, da reserva da Força Aérea Brasileira (FAB) e CEO da Rede VOA, afirmou que a utilização do espaço do Aeroclube estaria relacionada a uma segunda fase de ampliação, condicionada ao crescimento da demanda de voos.

Posteriormente, a concessionária passou a relacionar dificuldades para o avanço das obras à situação das instalações protegidas por tombamento.

Diante dessas manifestações, permanece uma questão: se a etapa inicial poderia avançar sem utilizar a área do Aeroclube, o que mudou no planejamento?

A Rede VOA também precisa esclarecer quais alternativas de implantação foram analisadas e por que a área de 70 mil metros quadrados apontada pela entidade não foi escolhida.

Além das obras, a concessionária e o Aeroclube de Marília permanecem envolvidos em uma disputa judicial sobre cercamentos e condições de acesso às áreas operacionais.

A entidade busca preservar a movimentação de suas aeronaves e a continuidade das atividades de instrução de voo. Já a Rede VOA argumenta que as intervenções atendem às exigências de segurança aeroportuária.

A modernização do aeroporto é necessária, mas não elimina a obrigação de esclarecer as decisões técnicas que podem comprometer uma instituição histórica da formação aeronáutica brasileira.

A modernização do Aeroporto de Marília representa um investimento importante para a região. Entretanto, o desafio será conciliar a expansão da infraestrutura aeroportuária com a continuidade das atividades do Aeroclube, instituição que há décadas contribui para a formação de aviadores