DECEA modifica Rotas Especiais de Helicópteros e nova configuração entra em vigor em novembro
As mudanças nas rotas de helicópteros no Rio vão modificar uma estrutura que praticamente passa despercebida para quem observa essas aeronaves cruzando o céu da cidade.
Voar sobre o Rio de Janeiro oferece uma perspectiva difícil de encontrar em qualquer outro lugar. Entre montanhas, praias e áreas densamente urbanizadas, porém, existe uma complexa organização do espaço aéreo que orienta por onde parte desses helicópteros circula.
A partir de novembro, parte dessa estrutura será modificada. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), organização subordinada à Força Aérea Brasileira (FAB), definiu mudanças nas rotas de helicópteros no Rio de Janeiro, incluindo corredores utilizados também por operações de voos panorâmicos.

Duas Rotas Especiais de Helicópteros serão retiradas
As alterações atingem as chamadas Rotas Especiais de Helicópteros (REH), estruturas utilizadas para organizar a circulação das aeronaves que operam segundo as regras de voo visual.
Entre as mudanças está o cancelamento da REH Boa Vista, que atravessa uma região entre Barra da Tijuca, Alto da Boa Vista e áreas próximas ao Maracanã.
Também será cancelado o trecho da REH Cristo até a posição Caiçara, na região da Lagoa Rodrigo de Freitas. Esse corredor passa por referências próximas ao Jardim Botânico e ao Maciço da Tijuca e está diretamente relacionado à circulação de helicópteros em uma das regiões mais conhecidas da cidade.
Com isso, a configuração utilizada atualmente pelos pilotos será modificada e novas alternativas de circulação deverão ser consideradas conforme as regras aplicáveis a cada porção do espaço aéreo.
REH Praia ficará mais distante do continente
Outra mudança envolve a REH Praia, corredor que acompanha parte do litoral carioca.
O DECEA determinou seu afastamento em relação ao continente e a ampliação de suas dimensões laterais. Na prática, os helicópteros que utilizarem essa estrutura passarão a circular mais afastados da faixa costeira.
A alteração também interfere na perspectiva encontrada durante alguns voos panorâmicos. Com o reposicionamento da rota, a visualização de pontos turísticos a partir desse corredor ocorrerá de uma distância maior.
Isso não significa, entretanto, uma proibição geral de sobrevoo do Cristo Redentor.
A circulação de uma aeronave depende da classificação do espaço aéreo, das regras de voo aplicáveis, das altitudes, condições meteorológicas e, quando necessário, da coordenação e autorização dos órgãos de controle de tráfego aéreo.

O que são as REHs?
As Rotas Especiais de Helicópteros podem ser comparadas, de maneira simplificada, a corredores estabelecidos no espaço aéreo.
Elas utilizam referências visuais identificáveis pelos pilotos e possuem parâmetros definidos para organizar o fluxo das aeronaves.
A AIC-N 32/25, publicada pelo DECEA, estabelece a circulação VFR integrada nas áreas terminais de São Paulo e Rio de Janeiro e no Vale do Paraíba. O documento inclui as Rotas Especiais de Helicópteros utilizadas na região.
Segundo o próprio DECEA, essas estruturas contribuem para evitar interferências com tráfegos IFR, otimizar o uso do espaço aéreo e organizar a prestação dos serviços de tráfego aéreo.
Mudanças chegam após um ano marcado por ocorrências
A revisão acontece em um período de atenção sobre as operações de helicópteros no Rio de Janeiro.
Em 2026, acidentes envolvendo esse tipo de aeronave provocaram vítimas fatais na cidade. Um deles ocorreu em agosto, na região da Vista Chinesa, durante um voo panorâmico.
Depois do acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) também intensificou ações de fiscalização envolvendo empresas que atuavam nesse segmento.
Agora, as alterações promovidas pelo DECEA atuam em outra frente: a organização da circulação no espaço aéreo.
Para pilotos e operadores, novembro marcará uma nova configuração de algumas das rotas mais conhecidas do Rio — justamente sobre uma cidade onde helicópteros fazem parte da paisagem há décadas.





