CENIPA divulga relatório preliminar sobre colisão entre helicópteros no Rio de Janeiro

Jota

17 de julho de 2026

Colisão entre helicópteros no Rio de Janeiro investigada pelo CENIPA_Imagem Ilustrativa 1

O Relatório Preliminar do CENIPA sobre a colisão entre helicópteros no Rio de Janeiro trouxe novas informações sobre a tragédia ocorrida em 14 de junho de 2026. O acidente aconteceu no Recreio dos Bandeirantes e deixou seis pessoas mortas.

O documento mostra como os voos das duas aeronaves estavam planejados. Além disso, apresenta as condições operacionais no momento do acidente e as evidências analisadas pelos investigadores.

Ao mesmo tempo, o CENIPA reforça que o relatório preliminar não aponta causas nem responsabilidades. Nesta fase, o órgão apresenta apenas os fatos conhecidos durante a investigação.

Colisão entre helicópteros no Rio de Janeiro investigada pelo CENIPA_Imagem Ilustrativa
Colisão entre helicópteros no Rio de Janeiro investigada pelo CENIPA_Imagem Ilustrativa

Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), o acidente envolveu um Bell 206B, matrícula PP-MAC, e um Airbus Helicopters AS350 B2 Esquilo, matrícula PR-DJJ.

O Bell 206B havia decolado do Aeroporto de Jacarepaguá com destino ao heliponto Piratas Mall, em Angra dos Reis. Já o AS350 B2 decolou do Aeroporto Santos Dumont com destino à região de Guaratiba.

Os investigadores verificaram que os dois planos de voo previam a utilização das Rotas Especiais de Helicópteros (REH) denominadas Praia e Grota, em altitudes compatíveis para esse tipo de operação. A colisão ocorreu justamente na REH Grota, entre os pontos de referência conhecidos como Tachas e Piabas.

Pouco conhecidas pelo público em geral, as REH (Rotas Especiais de Helicópteros) fazem parte da organização do espaço aéreo brasileiro.

Esses corredores são utilizados principalmente em regiões de grande movimentação de helicópteros, como o Rio de Janeiro, permitindo que as aeronaves sigam trajetos previamente estabelecidos e níveis de voo compatíveis com a intensa operação da aviação de asa rotativa.

O objetivo é aumentar a previsibilidade das operações e contribuir para a segurança do tráfego aéreo. No entanto, a existência de uma rota comum, por si só, não permite concluir qualquer relação com a causa do acidente, aspecto que somente poderá ser determinado ao final da investigação.

O CENIPA também informou que os radares acompanharam apenas uma das aeronaves durante o voo.

O sistema monitorou o helicóptero PR-DJJ desde a decolagem no Aeroporto Santos Dumont. O acompanhamento continuou até momentos antes da colisão.

Por outro lado, os radares não detectaram o PP-MAC durante o percurso.

Apesar disso, o relatório preliminar não apresenta conclusões sobre esse dado. Nesta fase, o CENIPA apenas registrou a informação entre os elementos coletados durante a investigação.

As informações meteorológicas analisadas indicam que as condições eram favoráveis para operações sob regras de voo visual (VFR).

Até o momento, os investigadores não encontraram indícios de que fatores meteorológicos tenham dificultado a navegação das aeronaves no instante da colisão.

O reporte informa ainda que os helicópteros não possuíam gravador de dados de voo, conhecido como FDR. As aeronaves também não contavam com gravador de voz da cabine, o CVR.

No entanto, a regulamentação aplicável aos modelos envolvidos não exige esses equipamentos.

Durante os trabalhos periciais, os investigadores localizaram um equipamento GPS em uma das aeronaves. Assim, o CENIPA utilizou os dados disponíveis como fonte complementar para reconstruir parte do voo.

O CENIPA destaca que o Reporte Preliminar apresenta apenas as informações levantadas até o momento.

Portanto, o documento não estabelece causas, fatores contribuintes ou responsabilidades pelo acidente.

A investigação seguirá com exames periciais, análises técnicas e avaliação dos dados coletados. Além disso, os investigadores poderão incorporar novas informações ao processo.

Somente o Relatório Final poderá apresentar conclusões sobre os fatores que contribuíram para a colisão. O documento também poderá emitir recomendações de segurança destinadas a prevenir ocorrências semelhantes.

Até lá, qualquer tentativa de apontar culpados ou estabelecer causas seria prematura.