Nova área teria espaço menor para pousos, obstáculos próximos e pendências para autorização das operações, segundo parecer técnico e FAB.
O paraquedismo de Boituva, no interior de São Paulo, enfrenta incertezas diante da proposta da Prefeitura de transferir o Centro Nacional de Paraquedismo para outra área. Um parecer técnico aponta espaço menor para pousos e obstáculos próximos, enquanto a FAB esclarece que o novo local ainda não pode ser utilizado. A mudança também está relacionada à proposta de construção de um hospital federal.
A proposta envolve muito mais do que mudar uma pista de lugar. Boituva construiu sua identidade em torno do paraquedismo, atividade que atrai turistas, movimenta empresas e gera empregos ligados à aviação esportiva.

Nova área de paraquedismo preocupa pela presença de obstáculos
Segundo a Prefeitura, as tratativas começaram em 2022, com previsão de transferência gradual das atividades.
O novo terreno, relacionado a uma contrapartida imobiliária de uma grande construtora, possui aproximadamente 172,9 mil metros quadrados, conforme documentação do projeto.
Entretanto, um parecer técnico aprovado pela associação e por responsáveis técnicos de escolas de paraquedismo de Boituva aponta que a área disponível para pousos seria menor do que a utilizada atualmente.
Segundo o documento levantados, a nova localização também apresenta obstáculos que preocupam os profissionais da atividade.
O parecer também destaca fatores considerados negativos para a prática do esporte, como a proximidade com o Rio Sorocaba, a presença de cabos de alta tensão e a existência de áreas sujeitas a alagamentos, fatores que poderiam aumentar os riscos durante pousos de emergência ou situações de mudança inesperada nas condições meteorológicas.
A Prefeitura reconhece a existência de obstáculos, mas afirma que a nova pista permitirá decolagens em sentido contrário à fiação. Também prevê procedimentos específicos para reduzir riscos operacionais.
FAB esclarece que nova área ainda não pode ser utilizada
Outro ponto fundamental envolve a regularização aeronáutica.
Conforme esclarecimento da Força Aérea Brasileira (FAB), por meio do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), divulgado pelo G1, a nova área ainda não pode receber operações.
Para sua utilização, o operador deverá solicitar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a alteração cadastral correspondente.
Portanto, estudos técnicos e manifestações favoráveis não representam autorização automática para iniciar voos e lançamentos.
A Prefeitura também informou que protocolou, em março de 2026, um pedido de estudos de impacto de vizinhança e ambiental, cuja análise ainda estava em andamento, segundo a reportagem.
Câmara Municipal questiona segurança e impactos econômicos
As preocupações chegaram à Câmara Municipal de Boituva.
A vereadora Maria Cecília Pacheco (PSD) apresentou o Requerimento nº 645/2026, solicitando esclarecimentos sobre estudos aeronáuticos, infraestrutura, custos e participação das entidades esportivas.
O documento também questiona possíveis impactos econômicos e turísticos.
Afinal, escolas de paraquedismo, pilotos, instrutores, mecânicos, hotéis e restaurantes dependem da movimentação gerada pelos visitantes.
Para muitas famílias, o paraquedismo representa não apenas um esporte, mas sua principal fonte de renda.
A força dessa comunidade ficou evidente após um incêndio em uma escola, ocorrido em março de 2026. Na ocasião, profissionais e apoiadores se mobilizaram para ajudar na reconstrução da estrutura atingida, demonstrando a união de quem vive do paraquedismo.

Hospital federal ainda é uma proposta
A Prefeitura pretende oferecer a atual área do Centro Nacional de Paraquedismo para a construção de um Hospital Federal Universitário.
Segundo a administração municipal, o pedido foi apresentado ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante reunião realizada em 11 de agosto de 2026.
Entretanto, não há confirmação definitiva de aprovação da unidade hospitalar, garantia de recursos ou cronograma de construção.
A proposta de ampliar os serviços de saúde é importante, mas precisa ser analisada juntamente com a preservação das atividades aeronáuticas.
Futuro do paraquedismo exige planejamento e diálogo
A Confederação Brasileira de Paraquedismo defende que qualquer transferência seja planejada, transparente e tecnicamente responsável.
A entidade destaca a importância de considerar questões operacionais, jurídicas e de segurança.
O desafio será encontrar uma solução que permita o desenvolvimento da cidade sem comprometer uma atividade reconhecida nacionalmente.





