Laudo técnico aponta risco estrutural no terminal de passageiros do Aeroporto de Marília e expõe crise na infraestrutura aeroportuária
O aeroporto de Marília pode ser interditado após laudo apontar risco estrutural no terminal, acendendo um alerta relevante sobre as condições de infraestrutura em aeroportos regionais concedidos no Brasil. Embora a operação aérea continue normalmente, o documento técnico levanta preocupações imediatas sobre a segurança do terminal de passageiros.
Laudo técnico aponta falhas estruturais e recomenda interdição do terminal
De acordo com informações divulgadas pelo portal Giro Marília, o laudo identificou fissuras, trincas estruturais e sinais de desgaste avançado na edificação. Além disso, o relatório destacou falhas nos sistemas de prevenção contra incêndio e apontou problemas relacionados à acessibilidade no local.
O tema já havia sido abordado pelo site AeroJota em matéria sobre o abandono de obras e os impasses envolvendo a Rede Voa no aeroporto de Marília. Na ocasião, o site mostrou como a situação do terminal já gerava preocupação entre usuários, operadores e pessoas ligadas à aviação regional.
Diante desse cenário, os responsáveis pelo estudo recomendaram a interdição do terminal, considerando o risco potencial à integridade de passageiros e funcionários. Ainda que não haja registro de incidentes recentes, o documento reforça que a situação exige atenção imediata.
Ministério Público investiga condições do aeroporto de Marília
O caso já está sendo acompanhado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo, que instaurou um inquérito civil para apurar as condições da estrutura e eventuais responsabilidades. A investigação busca entender se houve negligência na manutenção do terminal e se as medidas adotadas até o momento são suficientes.
Além disso, o órgão também avalia se o funcionamento do aeroporto, nas condições atuais, pode representar risco à segurança pública. Portanto, novas recomendações ou medidas cautelares não estão descartadas.
Rede VOA acumula promessas não cumpridas no aeroporto de Marília
Atualmente, a Rede VOA administra o aeroporto de Marília. A concessionária havia anunciado o início das obras no segundo semestre de 2025 e a entrega do novo terminal até março de 2026. Em janeiro de 2025, a própria empresa divulgou esse cronograma, com previsão de ampliação do terminal, boulevard, áreas comerciais e novos espaços de embarque e desembarque.
No entanto, o prazo venceu sem que a obra saísse do papel. Segundo o Marília Notícia, março de 2026 marcou o fim do prazo prometido pela concessionária. Mesmo assim, o cenário no local ainda era de estagnação, sem execução da reforma. O portal também registrou que essa foi a terceira vez que a empresa anunciou a mesma obra.
Além disso, a própria Rede VOA afirmou, em janeiro de 2025, que a obra do novo terminal não deveria impactar o hangar do Aeroclube de Marília. Segundo declaração do CEO e ex-coronel da FAB, Marcelo Gomes Moure, apenas uma segunda fase dependeria da área ocupada pela entidade. Portanto, não parece adequado atribuir ao Aeroclube a falta de avanço da primeira fase prometida pela concessionária.
Aeroporto de Marília evidencia padrão de conflitos em aeroportos regionais
O aeroporto de Marília pode ser interditado após laudo apontar risco estrutural no terminal em um contexto mais amplo de tensões envolvendo concessões aeroportuárias no Brasil. Em diversos casos recentes, conflitos entre concessionárias, Aeroclubes e órgãos públicos têm impactado diretamente a gestão e a evolução dessas estruturas.
Nesse cenário, disputas jurídicas, limitações contratuais e divergências sobre investimentos acabam atrasando melhorias essenciais. Como resultado, a infraestrutura envelhece e passa a operar no limite, aumentando riscos operacionais e estruturais.
Situação acende alerta para segurança e gestão da aviação regional
Embora o aeroporto de Marília siga operando, o caso levanta um debate relevante sobre a segurança em aeroportos regionais e a efetividade dos modelos de concessão. A recomendação de interdição, mesmo que ainda não implementada, indica que o problema pode ser mais profundo do que aparenta.
Dessa forma, o desdobramento da investigação será fundamental para definir os próximos passos. Seja com obras emergenciais, seja com medidas mais restritivas, o caso de Marília tende a se tornar um novo marco nas discussões sobre infraestrutura aeroportuária no país.





