Sob alerta severo, Congonhas e Guarulhos enfrentam madrugada de chuva em São Paulo
O alerta severo em São Paulo afeta aeroportos e coloca a aviação em atenção neste sábado, 12 de setembro. Mesmo após uma madrugada de chuva intensa e fortes rajadas de vento, Congonhas e Guarulhos mantiveram operações enquanto boa parte do estado enfrentava fortes instabilidades.
O episódio acontece poucos dias depois de o AeroJota alertar que um El Niño muito forte pode afetar a aviação no Brasil nos próximos meses.
Agora, alguns dos efeitos que preocupam o setor começam a ficar mais próximos do passageiro.

São Paulo atravessa madrugada sob alerta severo
As fortes chuvas começaram na sexta-feira (11) e avançaram pela madrugada deste sábado.
Segundo a Defesa Civil, foram registrados 25 episódios relacionados ao mau tempo, incluindo alagamentos, quedas de árvores, deslizamentos e danos em imóveis. O órgão também enviou 15 alertas por Cell Broadcast para diferentes regiões do estado.
Em Cotia, na Região Metropolitana, o acumulado chegou a 151 milímetros de chuva. Na cidade de São Paulo foram aproximadamente 138 mm.
As rajadas de vento também chamaram a atenção. Em Piraju, no interior paulista, chegaram a 92,6 km/h. Na capital, foram registrados ventos de até 51,5 km/h.
O cenário está associado à atuação de um ciclone extratropical e de uma frente fria, que mantêm condições para novas tempestades, rajadas de vento e até ocorrência de granizo.
E Congonhas e Guarulhos?
Apesar da intensidade do temporal, até a manhã deste sábado não havia indicação de fechamento geral das pistas ou suspensão das operações em Congonhas e Guarulhos.
Os sistemas de consulta de voos da Aena em Congonhas e do GRU Airport permaneciam disponibilizando a programação de chegadas e partidas.
Isso não significa, entretanto, que o mau tempo seja indiferente para a aviação.
Tempestades próximas aos aeroportos podem obrigar aeronaves a desviar de células meteorológicas, realizar esperas, alterar aproximações ou, dependendo das condições, arremeter e seguir para um aeroporto alternativo.
O resultado pode aparecer horas depois na forma de atrasos, perda de conexões e alterações na sequência de voos.
Por isso, um aeroporto pode continuar aberto e, ainda assim, sentir os efeitos de uma tempestade em sua malha.

Mau tempo pode atingir toda a malha aérea
Na aviação comercial, o problema muitas vezes não termina quando a chuva diminui.
Uma aeronave que chega atrasada a Congonhas, por exemplo, poderá atrasar o próximo voo programado. Tripulações também possuem limites de jornada, e passageiros em conexão podem precisar ser reacomodados.
Áreas de tempestade ainda podem exigir desvios de rota, aumentando tempo de voo e consumo de combustível.
Esse efeito em cadeia ajuda a explicar por que condições meteorológicas adversas em uma região podem produzir reflexos em aeroportos localizados a centenas ou milhares de quilômetros.
Super El Niño aumenta a atenção
O temporal desta madrugada não deve ser atribuído diretamente ao Super El Niño. O episódio atual está ligado aos sistemas meteorológicos que atuam sobre São Paulo.
Entretanto, o contexto climático merece acompanhamento.
O INPE informou no início de setembro que há mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro. Os modelos também apontam permanência do fenômeno pelo menos até o início de 2027.
Para o Brasil, as projeções indicam tendência de chuvas acima da média em áreas da Região Sul e abaixo da média no centro-norte do País.
Para a aviação, períodos com maior frequência de eventos meteorológicos extremos podem significar mais desvios, esperas, turbulência, atrasos e alterações operacionais.
Congonhas ganhou nova regra justamente para situações como esta
Há uma coincidência importante.
Poucos dias antes deste temporal, a Agência Nacional de Aviação Civil aprovou uma mudança que permite, em situações excepcionais, a conclusão de operações em Congonhas após as 23h.
O horário normal do aeroporto continua sendo das 6h às 23h. Não significa que companhias poderão programar normalmente voos depois desse horário.
A medida serve para situações extraordinárias que causem impacto significativo na malha, especialmente problemas meteorológicos e operacionais.
Segundo a ANAC, o objetivo é reduzir o chamado efeito cascata, quando atrasos acumulados ao longo do dia atingem sucessivamente outros voos e passageiros.
Em 2025, Congonhas teve cinco prorrogações excepcionais do funcionamento. Em 2026, até a decisão da agência, haviam ocorrido duas.

Aeroporto aberto não significa céu tranquilo
A madrugada desta sexta para sábado mostra exatamente isso.
Chuva forte, vento e alerta severo não significam automaticamente aeroporto fechado.
Quando os parâmetros de segurança permitem, aeronaves continuam pousando e decolando utilizando procedimentos previstos para condições meteorológicas adversas.
Quando deixam de permitir, a segurança vem primeiro.
Para quem viaja durante períodos de forte instabilidade, a recomendação continua simples: consultar o status do voo diretamente com a companhia aérea antes de sair para o aeroporto.
O AeroJota seguirá acompanhando o El Niño e seus possíveis reflexos sobre a aviação brasileira nos próximos meses.






