Congonhas poderá ter voos após as 23h em situações excepcionais

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Jota A
9 de setembro de 2026

Os voos em Congonhas após as 23h poderão ocorrer em situações excepcionais, como uma tempestade mais forte, uma interrupção inesperada ou outro problema capaz de desorganizar a malha aérea.

A mudança de entendimento aprovada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), porém, não significa que o aeroporto paulistano passará a operar normalmente durante a madrugada.

O horário regular permanece entre 6h e 23h. A possibilidade de ultrapassar esse limite ficará reservada a situações excepcionais capazes de provocar efeitos em cadeia sobre voos e passageiros.

Voos em Congonhas após as 23h em situações excepcionais 2.
Voos em Congonhas após as 23h em situações excepcionais 2.

A restrição noturna de Congonhas está prevista na Resolução nº 55/2008 da ANAC.

O texto determina que nenhuma aeronave civil pode operar no aeroporto depois das 23h e antes das 6h, salvo três exceções: transporte de enfermo ou ferido grave, transporte de órgãos vitais para transplante e operações de busca e salvamento.

É justamente a interpretação dessa norma que entra agora em uma nova fase.

A Diretoria Colegiada da ANAC aprovou um entendimento que permite concluir operações já previstas para o dia quando uma situação extraordinária provocar uma chamada “contingência sistêmica”.

Isso é diferente de autorizar as companhias aéreas a programarem regularmente voos com pousos ou decolagens depois das 23h.

Entre as situações consideradas estão eventos meteorológicos severos e problemas operacionais relevantes que interrompam ou prejudiquem as operações.

A intenção é evitar que o fechamento de Congonhas às 23h, depois de horas de atrasos provocados por uma ocorrência excepcional, amplifique os problemas para outros aeroportos.

Atrasos podem fazer aeronaves perderem suas próximas etapas, tripulações atingirem limites regulamentares de jornada e passageiros perderem conexões. Aeronaves também podem precisar alternar para outros aeroportos ou permanecer fora de sua programação original.

Segundo a ANAC, o objetivo é reduzir justamente esses impactos em cascata sobre a malha aérea e os passageiros.

A solicitação que levou à discussão foi apresentada pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) em maio. Na época, o AeroJota mostrou o pedido para operar após as 23h em situações excepcionais.

Na prática, situações excepcionais já fizeram Congonhas permanecer operacional depois do horário estabelecido.

Dados apresentados pela concessionária apontam cinco prorrogações em 2025 e outras duas até junho de 2026.

Um dos casos ocorreu em 8 de março deste ano, quando um temporal levou à realização de seis pousos e decolagens depois do horário normal.

A situação foi ainda mais significativa em 9 de abril.

Uma suspeita de vazamento de gás em instalações relacionadas ao controle do tráfego aéreo provocou uma grande interrupção das operações. Naquela ocasião, foram registradas 17 operações fora do horário regular.

O episódio provocou 178 cancelamentos e 22 alterações de voos, afetando 38.682 passageiros naquele dia e no seguinte.

Outro episódio ajuda a dimensionar o problema que a ANAC pretende administrar.

Entre 10 e 12 de dezembro de 2025, temporais associados a um ciclone provocaram forte impacto na operação de Congonhas.

Nesse período, 62 pousos e decolagens ocorreram fora do horário padrão.

Eventos desse porte não afetam apenas passageiros com origem ou destino em São Paulo. Congonhas é parte de uma malha na qual uma mesma aeronave pode realizar diferentes etapas durante o dia.

Quando uma sequência é interrompida, os efeitos podem alcançar aeroportos que não foram diretamente atingidos pelo evento meteorológico que iniciou o problema.

É esse efeito dominó que aparece entre as justificativas para a flexibilização excepcional.

A aprovação da ANAC não significa que, a partir de agora, qualquer atraso permitirá automaticamente uma decolagem às 23h30 ou meia-noite.

A implementação depende da definição de critérios operacionais.

ABEAR, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), concessionária Aena e as companhias Azul, GOL e LATAM trabalham em uma carta de acordo operacional para estabelecer quando a excepcionalidade poderá ser utilizada.

O documento deverá criar parâmetros objetivos para caracterizar uma contingência sistêmica e estabelecer como será feita a coordenação entre aeroporto, controle de tráfego e empresas aéreas.

Entre os pontos que ainda precisam ser definidos está também até que horário a operação excepcional poderá continuar.

No pedido apresentado à agência, a ABEAR chegou a sugerir, entre os parâmetros, situações que afetassem mais de 600 passageiros de Congonhas.

Esse número, entretanto, não deve ser tratado como uma regra já estabelecida.

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A possibilidade de mais operações noturnas também retoma uma discussão antiga em Congonhas.

Em maio, o site AeroJota mostrou que moradores reagiram à proposta, principalmente pelo receio de aumento do ruído durante o período noturno.

O aeroporto está inserido em uma área densamente urbanizada da capital paulista, onde o impacto do ruído aeronáutico acompanha há anos as discussões sobre sua operação.

A própria ANAC já produziu estudos sobre o ruído no entorno de Congonhas, analisando inclusive medidas para reduzir o incômodo sobre a vizinhança.

O desafio será evitar que uma contingência excepcional deixe milhares de passageiros pelo caminho sem permitir que a exceção se transforme, na prática, em ampliação rotineira do horário.

Para quem tem voo com chegada ou saída de Congonhas no fim da noite, a mudança não garante que um atraso permitirá operação depois das 23h.

A excepcionalidade dependerá da caracterização da contingência e dos critérios que ainda serão formalizados. Também não significa a criação de voos regulares para 23h30, meia-noite ou durante a madrugada.

A próxima etapa será definir, na carta operacional, quando Congonhas poderá continuar funcionando excepcionalmente após as 23h — e até que horas.

Jota A, é Veterano da Força Aérea Brasileira, Aviador, Motociclista e Empresário. Escreve sobre aviação há 10 anos.