Posto CAN e ESM ajudam a explicar a estrutura operacional da Base Aérea de São Paulo
A Base Aérea de São Paulo completa 85 anos com uma história que vai além de seus hangares, esquadrões e mudanças de sede. No texto anterior, o AeroJota relembrou a trajetória da unidade desde o Campo de Marte até Cumbica. Agora, a proposta é olhar para outro lado da BASP. Ao longo das décadas, a Base também recebeu unidades aéreas marcantes e sustentou estruturas menos conhecidas do grande público, mas decisivas para a rotina da Força Aérea Brasileira. Nesse contexto, o Posto CAN e o ESM ajudam a revelar um lado mais operacional da BASP, ligado ao apoio, à manutenção e à capacidade técnica que ajudaram a manter a unidade estratégica ao longo do tempo.

O Posto CAN também ajuda a explicar a importância da BASP
Quando o leitor pensa na Base Aérea de São Paulo, é natural lembrar primeiro da história, da localização em Cumbica e das unidades aéreas que passaram por seus hangares. Ainda assim, existe outro eixo importante nessa trajetória. O Correio Aéreo Nacional (CAN) faz parte da tradição da Aeronáutica. Além disso, teve presença prevista nas Bases Aéreas desde os primeiros anos da FAB. No caso da BASP, esse detalhe ajuda a mostrar que a unidade não foi apenas um espaço de memória ou presença operacional visível. A Base também atuou como ponto de apoio, circulação e atendimento a demandas da Aeronáutica. Esse aspecto aproxima a BASP de uma tradição histórica da FAB que sempre foi além do voo de combate e da presença de aeronaves no pátio. A página oficial da unidade, inclusive, mantém o Posto CAN identificado entre os contatos da Base.

O ESM reforça o lado menos visível, mas essencial, da Base
Com a desativação do 4º ETA, a BASP passou a abrigar o ESM (Esquadrão de Suprimento e Manutenção), estrutura ligada ao Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP). A unidade ficou responsável por receber os caças F-5EM, desmontá-los e encaminhá-los para manutenção. Depois, volta a recebê-los, faz a remontagem, executa os testes em solo e em voo e, por fim, entrega a aeronave ao esquadrão designado. Assim, a Base reforça sua ligação com uma rotina técnica menos visível ao público, mas fundamental para a capacidade operacional da FAB.

As unidades aéreas deram identidade operacional à Base
Ao longo de suas décadas de existência, a Base Aérea de São Paulo recebeu unidades que marcaram diferentes momentos da aviação militar brasileira. Essas organizações se revezaram em quatro hangares principais e ajudaram a construir a identidade operacional da BASP. Entre os destaques históricos, aparece o 2º Grupo de Bombardeio Leve (2o GBL), que operou aeronaves Douglas A-20K Havoc. Além disso, a Base também abrigou o 41a Esquadrilha de Reconhecimento e Ataque (41 ERA – Esquadrão Vampiro), que utilizou os clássicos North American NA AT-6.
Mais tarde, com a evolução dos meios aéreos, a BASP recebeu unidades com aviões a jato. Um exemplo marcante foi o 1º/10º Grupo de Aviação, o Esquadrão Poker, que operou o AT-26 Xavante, uma das aeronaves mais lembradas desse período. A presença desses esquadrões mostra como a Base acompanhou diferentes fases da aviação militar e preservou relevância ao longo do tempo.

Helicópteros, aviões leves e transporte também passaram pela BASP
A presença de asas rotativas também teve grande peso na história da Base. O 2º/10º Grupo de Aviação, o Esquadrão Pelicano, operou helicópteros UH-1H em missões de busca e salvamento, transporte e apoio. Da mesma forma, o 4º Esquadrão Misto de Reconhecimento e Ataque combinou operações com AT-26 Xavante e UH-1H, ampliando a capacidade de atuação da BASP em diferentes cenários.
Além disso, outra unidade importante foi a 4a Esquadrilha de Ligação e Observação, que utilizou aeronaves leves como o Neiva L-42 Regente. Já no campo do transporte aéreo, destacou-se o 4º Esquadrão de Transporte Aéreo, o Esquadrão Carajá, que operou, entre outras aeronaves, o C-95 Bandeirante e C-97 Brasília. Esse conjunto de esquadrões e aeronaves mostra como a Base acompanhou mudanças tecnológicas, operacionais e doutrinárias da própria Força Aérea Brasileira.

A BASP foi mais do que memória, cerimônia e tradição
O aniversário de 85 anos da Base Aérea de São Paulo abre espaço para olhar não apenas para o passado da unidade, mas também para a lógica que sustentou sua importância dentro da FAB. A presença do Posto CAN, a atuação de estruturas como o ESM e a proximidade com um ambiente técnico ligado ao PAMA-SP mostram que a BASP também pode ser lida como peça de apoio, conexão e capacidade operacional.
Por isso, a história da Base não termina no Campo de Marte, nem se esgota em Cumbica. Ela também passa pelos bastidores. E, nesses bastidores, estão justamente os elementos que ajudam a explicar como uma unidade militar permanece relevante mesmo quando o grande público enxerga apenas sua face mais visível. Para quem quiser voltar ao começo dessa trajetória, o caminho natural é ler também a primeira matéria da série sobre os 85 anos da BASP.
Em uma região marcada pelo transporte aéreo civil, a Base continua sendo peça central da memória militar e aeronáutica do estado de São Paulo. Ao completar 85 anos, no dia 22 de maio de 2026, a data também convida ao reconhecimento da unidade, atualmente comandada pelo Coronel Aviador Fernando Campos Montenegro, e dos militares, homens e mulheres, que ao longo de décadas ajudaram a construir essa rica trajetória da BASP.






